MEIO AMBIENTE Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009 - 11:04 Participação de eólica na matriz energética sobe 400%
Com 1.º leilão, fatia salta de 0,6% para 3% em 2012. O sucesso obtido só confirma a viabilidade de novos leilões a partir de agora. Projetos não faltam, já que a fase de habilitação contou com 10 mil MW, de 339 empreendimentos diferentes.
O primeiro leilão de energia eólica do País, realizado segunda-feira, vai ampliar em 400% a participação dessa fonte na matriz energética brasileira. Até 2012, quando entram em operação as 71 usinas que venceram a disputa, a fatia da energia gerada a partir do vento subirá de 0,6% para 3% do sistema nacional. "O resultado do leilão foi maravilhoso para um setor que não existia há dois anos", afirma o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica), Lauro Fiuza.
Na avaliação dele, o sucesso obtido só confirma a viabilidade de novos leilões a partir de agora. Projetos não faltam, já que a fase de habilitação contou com 10 mil MW, de 339 empreendimentos diferentes, nas Regiões Sul e Nordeste. Além disso, a questão custo parece estar superada, já que o leilão conseguiu preços entre R$ 131 e R$ 153,05 o MWhora, muito abaixo de tudo que era esperado pelo mercado.
"O que precisamos é saber como será a expansão da energia eólica no Brasil. Isso incentiva a instalação de fábricas de equipamentos e, consequentemente, reduz o preço da energia", diz Fiuza. A sócia do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, Ana Karina Esteves, especialista em energia, vai além. Para ela, o governo precisa criar um programa específico para usinas eólicas, já que essa é uma fonte de energia com tecnologia, custos e operação diferenciados. "Há uma demanda muito reprimida e vários empreendedores interessados em investir, seja de capital nacional ou estrangeiro."
O apetite é confirmado pela maior vencedora do leilão de segunda-feira: a Renova, que vendeu 270 MW. A capacidade faz parte de um empreendimento muito maior, que beira 1.500 MW e que será explorada conforme a demanda do governo, explica o diretor-presidente da empresa, Vasco Barcellos.
Para ele, o resultado do leilão não foi nenhuma surpresa. "Sabíamos que haveria muito competição", diz o executivo, destacando que o nível de preço foi adequado e remunera o investimento. Barcellos acredita que para o futuro é possível ter preços ainda mais competitivos, já que o fator escala vai contar bastante. Só para os 270 MW, a Renova terá de comprar 180 aerogeradores. A fornecedora será a GE.
Financiamento - O BNDES aprovou financiamento de R$ 837,8 milhões para a empresa argentina Impsa construir dez parques eólicos em Santa Catarina, com potência instalada de 222 MW. "A previsão é de entrada em operação até dezembro de 2010", informou o BNDES. O projeto foi aprovado no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa), que tem compra assegurada da Eletrobrás, e faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O investimento total é estimado em R$ 1,2 bilhão. (Renée Pereira, com Reuters)
Em seu artigo 'Riqueza do vento', o jornalista Celso Ming explica com clareza a questão dos custos da energia eólica.
A energia elétrica produzida pelos ventos (energia eólica) não usa combustíveis (como carvão, gás e outros derivados de petróleo queimados nas termoelétricas). Dispensa despesas com bloqueio de áreas e construção de reservatórios, como nas hidrelétricas. E não precisa de enormes linhas de transmissão porque pode ser instalada em áreas próximas dos centros de consumo. Mas, se é assim, por que é tão cara?
Em primeiro lugar, porque não é possível gerar energia correspondente a 100% da capacidade instalada. Ventos fracos ou inexistentes derrubam a produção assegurada à média de 40%. E isso significa que o custo do capital tem de ser diluído por menos produção. É por isso que a energia eólica desempenha papel complementar na oferta total: é tratada como de reserva; fica disponível para ser acionada quando for preciso.
Mas Ming também afirma que "por praticamente todos os parâmetros pelos quais se analisa, o leilão de venda de energia eólica, o primeiro no Brasil, foi um sucesso. Assegurou o preço médio do megawatt/hora (MWh) de R$ 148, ou 21% mais baixo do que o preço-teto fixado pelo governo. Esse valor já é equivalente ao custo de produção de energia térmica a partir do carvão nacional ou da biomassa".
E como afirmou o executivo da Renova, "para o futuro é possível ter preços ainda mais competitivos, já que o fator escala vai contar bastante". Com o aquecimento do setor o preço dos equipamentos tende a baixar, pois aumenta a competição. Esse leilão certamente irá atrair novos investimentos e já se espera que o Brasil passe de importador a exportador de equipamentos e tecnologia em pouco tempo.
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