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MEIO AMBIENTE Quinta-feira, 20 de Maio de 2010 - 01:05 Produtor de soja ameaça recorrer ao Cade contra a Monsanto
Valor Econômico - Os produtores de soja decidiram recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra alegadas práticas de "manipulação" e "imposição de regras" adotadas pela multinacional Monsanto no mercado nacional de sementes geneticamente modificadas de soja.
Até então aliados da empresa na luta pela aprovação da soja transgênica no Brasil, os produtores costuram agora uma frente de "resistência global" à Monsanto em conjunto com sojicultores de Argentina e Estados Unidos. Os produtores acusam a multinacional de "cobrança abusiva" de royalties sobre as sementes de soja por meio da adoção de um adicional sobre a produtividade das lavouras.
"Se você produzir acima da média de 55 sacas por hectare, tem que pagar um adicional de 2%. Se misturar com convencional, também paga. Eles querem fazer papel de governo. Vamos ao Cade conversar sobre isso", afirma o recém-empossado presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Glauber Silveira da Silva.
Os produtores também afirmam que a empresa tem atuado de forma "ilegal" ao impor restrições sobre a produção de soja convencional em acordos com sementeiros. "A Monsanto está fazendo o mercado. Ela obriga os sementeiros a produzir um mínimo de 85% de transgênicos e quem quer produzir convencional tem dificuldade para achar semente. Daqui a pouco, não teremos mais essa opção", aponta Silveira, que cultiva 6 mil hectares de soja, girassol e eucalipto em Campos de Júlio (MT).
A Aprosoja Brasil também avalia questionar, no governo, a validade da patente da tecnologia transgênica "Roundup Ready" no Brasil. "Quando acaba a patente deles?", indaga. Consultada sobre as acusações e as intenções dos produtores, a Monsanto preferiu não comentar o caso.
A solução para o impasse seria, segundo a Aprosoja Brasil, a unificação das duas formas de cobrança do royalty e a regionalização da arrecadação por cada Estado. "Uma regra geral para todo o país prejudica o produtor que anda na linha", afirma Glauber Silveira. A disputa entre produtores e Monsanto se arrasta desde o ano passado, quando a multinacional elevou os valores cobrados pela tecnologia. O valor passou de R$ 0,35 para R$ 0,44 por quilo de semente.
Se for flagrado com transgênico em sua carga, o produtor tem que pagar uma multa por "uso não autorizado" de 2% sobre todo o valor da produção. Além disso, sustentam os produtores, pagaria-se um adicional de 2% a título de adicional de produtividade. "É muito controle", diz Glauber Silveira. (Mauro Zanatta)
Nada contra os transgênicos e o desenvolvimento da biotecnologia na agropecuária, mas claramente o modelo de negócio da multinacional Monsanto não seria sustentável. A perda de competitividade da soja RoundUP já era esperada por muitos analistas sérios. Principalmente em clima tropical ou semi-tropical, os ciclos biológicos são muito dinâmicos e todas as plantas acabam por criar mecanismos de resistência aos produtos químicos, levando o produtor a aumentar a dose ou, na maioria dos casos, trocar de produto. Como a variedade da Monsanto é dependente do herbicida da empresa, o produtor fica de mãos atadas vendo seus custos aumentarem e o meio ambiente sendo degradado.
Há um ano eu escrevia, no post 'Transgênico dá prejuízo para produtores na safra 2008/09' e continua bastante atual.
Nos anos 1960/70, o Brasil importou pacotes tecnológicos da chamada Revolução Verde e acabou pagando o preço de sua não adaptação às condições de clima e solo brasileiros. Foi a partir da do fim dos anos 1970 que pesquisadores começar criar uma tecnologia "tupiniquim" respeitando nossa realidade, o que significou, aí sim, a nossa Revolução Verde.
A biotecnologia chegou ao Brasil com atraso e da pior forma possível, por meio do contrabando de sementes de uma empresa monopolista; um novo pacote tecnológico alienígena. O desenvolvimento de variedades transgênicas deveria estar a serviço dos produtores, da produtividade e do meio ambiente. Por muitos anos a Embrapa se viu impedida de pesquisar e formular variedades que atendam nossas necessidades, mas com a aprovação da lei de Biossegurança em 2004, esse espaço já começa a ser preenchido. A produção brasileira precisa de variedades transgênicas que atuem sobre gargalos específicos de nossa agricultura, sobre doenças e pragas que costumam afetar nossa agricultura.
Segundo a Embrapa, "os investimentos feitos pela Embrapa partem da premissa de que a agricultura sustentável depende de boa ciência e desenvolvimento tecnológico, fatores decisivos para o aumento da produtividade verificado no Brasil nos últimos 20 anos. Mais ainda, manter baixos níveis de uso de tecnologia no setor agrícola é condenar o país à pobreza e desprezar a enorme vantagem comparativa deste setor em relação aos seus principais competidores em uma economia globalizada".
Marcadores:
Aprosoja,
Cade,
Monsanto,
Royalty
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1 comentário
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Comentário de Gilson Raslan (Jaru-RO) | 20/5/2010 - 23:55 |
Quando das discussão sobre o inconveniente da soja transgênica, tive a oportunidade de fazer uma palestra sobre a questão, abordando (não a questão do risco à saúde, porque sou leigo no assunto) exatamente o risco que os produtores corriam sobre o monopólio da Monsanto.
Não deu outra: a Monsanto está deitando e rolando em cima dos produtores.
Se o governo não quebrar a patente da soja transgênica, a Monsanto vai se tornar sócia majoritária dos produtores de soja.
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