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MEIO AMBIENTE Quarta-feira, 21 de Julho de 2010 - 04:14 Pelo Deter-Inpe, desmatamento da Amazônia tem queda de 47%
Agência Estado - Faltando apenas dois meses do período de coleta de dados da taxa anual de desmatamento, o ritmo de abate de árvores na Amazônia indica queda de 47%. O número é maior do que os 42% do porcentual recorde de queda da devastação da floresta, registrado pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no ano passado.
A indicação de nova queda aparece nos dados acumulados durante dez meses - entre agosto de 2009 e maio de 2010 - pelo Deter, o sistema de detecção do desmatamento em tempo real. Divulgado também pelo Inpe, o Deter é usado para orientar a ação de fiscais no combate à devastação da Amazônia. O sistema Deter já captou desde agosto passado o corte de 1.567 quilômetros quadrados da Floresta Amazônica. Essa área é superior à cidade de São Paulo. Mas conta apenas uma parte da história do que acontece na região. (No mesmo período do clendário anterior, o desmatamento medido pelo Deter foi de 2.961 quilômetros quadrados)
Mais rápido e menos preciso, o Deter não capta desmatamentos em áreas com menos de 50 hectares (meio quilômetro quadrado). Vem daí a principal diferença entre o sistema de detecção do desmatamento em tempo real e o Prodes, que mede a taxa oficial, divulgada ao final de cada ano. No ano passado, o Prodes mediu redução recorde de 42% no ritmo do desmatamento. A área abatida foi a menor desde o início da série histórica do Inpe, em 1988.
Comparações. Entre agosto de 2008 e julho de 2009 foram devastados 7.464 quilômetros quadrados de floresta, ou cerca de 5 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. No ano anterior, a Amazônia havia perdido quase 13 mil quilômetros quadrados de floresta.
Essa queda recorde foi registrada depois de um ano de interrupção num período de queda do abate de árvores, que vinha se mantendo desde 2004, e de uma crise no governo. Foi resultado sobretudo do aumento de fiscalização e de medidas como o corte de crédito aos desmatadores e o embargo da produção em áreas de abate ilegal de árvores.
De acordo com dados dos satélites do Inpe, os piores anos para a floresta foram 1995, 2004 e 2003, com mais de 25 mil quilômetros quadrados devastados em cada um desses anos. A nova taxa oficial de desmatamento ainda depende das medições dos satélites nos meses de junho e julho, que tradicionalmente apresentam ritmo acelerado de corte de árvores.
O período mais complicado na preservação da floresta começa com o fim das chuvas na região e segue até outubro. Em maio, o Inpe registrou 11,4% de desmatamento a menos do que no mesmo mês do ano passado, dado de contribuiu para a queda de 47% acumulada desde agosto de 2009.
Para entender. Desde 2004, o Inpe tem dois sistemas de monitoramento do desmatamento na Amazônia. Para computar a taxa anual do desmatamento por corte raso na Amazônia o Inpe utiliza o sistema PRODES. O ano calendário vai de agosto a julho, justamente para pegar o período com poucas nuvens. Esse sistema é, digamos assim, o oficial e tem uma série histórica mais longa. É considerado o sistema mais preciso.
O Deter, ao contrário, mede o desmatamento mensalmente. Em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados do DETER não representam uma avaliação fiel do desmatamento mensal da Amazônia. A informação sobre áreas serve para indicar prioridades aos órgãos responsáveis pela fiscalização. O INPE enfatiza que o DETER é um sistema de alerta e mostra apenas tendências do desmatamento. O Deter agiliza a ação do gestor ambiental, na medida em que oferece dados em tempo real, mesmo que menos precisos.
Historicamente, os dados anuais do Deter representam de 65% a 70% dos dados finalizados do Prodes. A tendência então é de uma queda anual de 45% sobre o mesmo período anterior.
Os dados confirmam que o trabalho iniciado em 2003 pela então ministra do Meio Ambiente Marina Silva, continuados e aperfeiçoados por Carlos Minc resultaram numa queda de mais de 600% em 7 anos. Para muitos especialistas, a queda no desmatamento de 2009 se deveu em grande parte à crise econômica mundial e a menor demanda por commodities. O fato de que em 2010, ano de forte crescimento no Brasil, a perda florestal se reduziu num patamar ainda maior, mostra que o fator primordial foram as ações governamentais em parceria com a iniciativa privada, principalmente os produtores de soja, supermercados e frigoríficos.
Dentre as ações desenvolvidas pelo ministério, destacam-se o corte no crédito para agropecuária ilegal, a lista de municípios amazônicos críticos, recadastramento rural obrigatório, moratória da soja, reforço nas ações da Polícia Federal e Ibama, lista de produtores rurais com propriedades embargadas, além da Operações Arco de Fogo e Arco Verde.
É uma vitória espetacular que ainda por cima nos aproxima dos compromissos voluntários assumidos na Conferência do Clima, em Copenhague, em 2009. A meta de um corte de 70%, em relação ao ano anterior, praticamente foi alcançada. O desafio não se torna menor daqui para frente. A região precisa se desenvolver, incluir milhões de cidadãos no mercado de trabalho e consumo e a pressão sobre a floresta continuará a existir. Vários projetos de infraestrutura desenvolvidos pelo PAC darão à região uma nova cara, que precisa ter como lema o desenvolvimento sustentável.
Como escreveu um comentarista no site do Estadão: "Isso é absolutamente notável. Se o brasileiro não votar na candidata do Lula é porque não gosta do próprio país."
Marcadores:
Amazônia,
Desmatamento,
Deter, Inpe,
Prodes
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( IMPRIMIR ) | ( PÁGINA INICIAL ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
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