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MÚSICA Domingo, 11 de Julho de 2010 - 01:49 Clube numa esquina de Piratininga
| Capa do Clube da Esquina 1 |
Acho que poucas pessoas discordam que o 'Clube da Esquina 1' foi um dos discos mais importantes da música popular brasileira. Gravado por Milton Nascimento e Lô Borges (com o auxílio luxuoso de Márcio Borges, Toninho Horta, Beto Guedes entre outros) tinha uma sonoridade que era muito diferente de tudo o que a gente conhecia.
Lançado em 1972, o álbum duplo acabou dando nome ao grupo de músicos e no fundo a um movimento musical vindo das Gerais. Nascia uma espécie de terceira via, em contraponto à Bossa Nova e à Jovem Guarda que eram os movimentos mais cultuados pela juventude reprimida nos anos de chumbo. Os arranjos, os vocais, a voz de Milton, as letras, aquela capa com dois moleques que nos deixava curiosos para saber se eram eles (e não eram).
Um detalhe curioso é que ele foi todo elaborado numa casa em Piratininga, aqui na minha Niterói. Bituca já morava no Rio e resolveu trazer os amigos de Minas para fazer o disco. Alugaram uma casa na beira do mar, num lugar que eles passaram a chamar de 'Mar Azul'. Devem ter inventado esse nome, pois não existe essa praia em Piratininga. Há 35 anos, Piratininga era uma praia bem deserta, com poucas casas de pescadores e alguns aventureiros.
Foram seis meses numa experiência meio hippie e que é contada com mais detalhes num depoimento para o site museudapessoa.net, pelo Helson Romero, mais conhecido como Jacaré, amigo da turma e freqüentador da casa.
Mas a vida lá no Mar Azul eu não vou chamar de normal, porque não era. Acordava-se na hora que queria, tomava-se um banho de mar... Os músicos sempre pegavam o Violão e iam criar. Então foi uma vida só para criação, para montar o disco Clube da Esquina – que foi como veio a se chamar depois, porque enquanto eles trabalhavam lá, não se dizia: "Vamos chamar esse disco de Clube da Esquina". Isso talvez tenha sido meio de 71 para meio de 72, porque o disco saiu em 72. Mas essa vida, nessa casa, não era normal. Você acordava, banho de mar, voltava, sentava na varanda lá em cima, quando não estava no quarto de vidro, porque com o mal tempo você tinha que fechar os vidros, mas com o bom tempo, sentava na varanda e eles só tocando, tocando, tocando, criando... E eu caçando umas peladinhas ali na praia.
Milton e Lô, ao vivo cantando Clube da Esquina.
Fiquei sabendo também que a foto da capa do disco "Amor de Índio", de Beto Guedes, foi tirada nessa casa.
Beto Guedes: Esse, o “Amor de Índio”, tem uma coisa interessante, que é aquela capa. Toda pessoa pra quem eu mostrava sempre elogiava a capa e o momento da foto. Todo mundo falava: “Pô, você tava bem na foto”. Me lembro que o Caetano mostrou pra Betânia e ele depois veio contar que a Betânia tinha gostado muito da foto da capa. E essa foto foi tirada lá em Mar Azul, na época em que eu estava no apoio logístico, ajudando o Lô e o Bituca a terminar o primeiro “Clube da Esquina”. Me lembro que, numa bela manhã, eu tinha acabado de acordar e estava meio frio. Aí tomei café e fui pra janela comer coco enrolado no cobrilê. E o Cafi tinha chegado para visitar a gente. Aí ele fez aquela foto.
Marcadores: Beto Guedes, Clube da Esquina, Lô Borges, Milton Nascimento
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1 comentário
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Comentário de Bernardo | 16/7/2010 - 16:13 |
Tenho o maior carinho por esse disco. As músicas: Um girassol da cor do seu cabelo, Trem Azul e Nada Será como Antes são clássicos inesquecíveis. Milgre dos Peixes Minas, Gerais e Clube da Esquina 2 são o melhor de Milton.
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