POLÍTICA Sábado, 03 de Janeiro de 2009 - 20:12 Apesar dos 3,2% de crescimento para 2009, BC acredita em resultado melhor
Blog do Vicente Nunes - O Banco Central divulgou no dia 22 o último relatório de inflação do ano, no qual prevê expansão de 3,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2009. O número, apesar de estar bem acima das projeções médias do mercado, de 2,40%, é considerado conservador dentro do próprio BC. Os auxiliares do presidente do banco, Henrique Meirelles, acreditam que o resultado final poderá ser bem melhor, entre 3,5% e 4%, se confirmadas a retomada do crédito a juros mais baixos, a manutenção do nível de emprego e a ampliação, mesmo que em ritmo menor, da massa salarial.
Os técnicos do BC lembram que, tradicionalmente, a instituição sempre é conservadora em suas estimativas para o PIB, com números bem abaixo dos projetados pelo Ministério da Fazenda, por exemplo. Com o tempo, porém, à medida que se vai tendo um quadro mais claro da produção e do consumo, o BC vai ajustando para cima as suas projeções. E não será diferente em 2009, apesar do pessimismo do mercado com os efeitos da crise no país.
O BC acredita que janeiro e fevereiro próximos serão os dois piores meses para a economia brasileira, pois passará a euforia do Natal e todos vão se dar conta da desaceleração da atividade. Mas, aos poucos, com a queda da inflação e a redução dos juros, o otimismo voltará. No segundo semestre, muito provavelmente o PIB já estará crescendo acima de 4%.
É preciso ressaltar, ainda, segundo os técnicos do BC, que a desaceleração da economia já estava no cenário do banco e era desejada. Tanto que, entre abril e setembro deste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros (Selic) de 11,25% para 13,75% ao ano, com a missão de equilibrar oferta e demanda. E, lógico, trazer o IPCA para mais perto do centro da meta (4,7% em 2009, como previsto no relatório de inflação).
A nota no blog do Vicente Nunes vai ao encontro a alguns de meus comentários aqui no blog. A crise internacional, que chegou ao Brasil com uma forte contração no crédito externo, fora o terrorismo midiático, irá sim causar uma desaceleração em setores dependentes do crédito, mas nada muito diferente daquilo que foi projeto pelas autoridades econômicas, quando o Copom começou o aperto monetário em meados de 2008.
O nível de atividade que chegou a 6,8% no terceiro trimestre era considerado insustentável. A concessão de crédito estava crescendo a uma taxa de 30%, difícil de ser acompanhada pela oferta de produtos. O resultado era que a inflação e os déficits em conta corrente começavam a crescer perigosamente. O governo atuou a tempo, mas acabou sendo atropelado pelo agravamento da crise em meados de setembro.
A crise está sendo para o Brasil como uma radicalização de um movimento de contração que já estava sendo o objetivo da política monetária, desde o segundo trimestre de 2008. Sem a crise, o Brasil hoje certamente estaria crescendo 7% e convivendo com uma Selic na casa dos 15%, pra ‘domesticar’ a demanda interna, a inflação e os déficits externos. O processo seria longo e caro para os cofres públicos e o presidente Lula em vez de vítima da maior crise financeira da história mundial, em um mundo globalizado, seria hoje atacado por todos os agentes econômicos.
É claro que se o ajuste a fórceps não era o desejado, pela queda rápida dos investimentos e pelo aumento da imprevisibilidade; acelerou o processo, gerando custos ficais e políticos menores. Além disso, a retomada do crescimento pode vir mais rápido do que o esperado. Muitos analistas chegavam mesmo a duvidar que a política monetária pudesse dar conta do aumento da demanda, provocado pela crescente formalização do emprego nos três últimos e da solidificação dos programas sociais.
A última ata do Copom como entendida como um indicador de que a taxa Selic poderá cair 1,5% nas próximas 3 reuniões, o que inevitavelmente irá dar novo impulso ao consumo, além de ajudar na retomada dos investimentos.
Se a previsão de um crescimento na casa dos 4% no segundo semestre se confirmar, com a taxa de desemprego do IBGE e a Selic na casa de um dígito, imagine como entraremos em 2010. Possivelmente chegaremos à conclusão de que o preço pelo ajuste foi até bem pequeno.
Marcadores:
Banco Central,
Meta de Inflação,
PIB
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( IMPRIMIR ) | ( PÁGINA INICIAL ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
|
|