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POLÍTICA Terça-feira, 21 de Abril de 2009 - 00:37 Kennedy Alencar: "Brasil fez a lição de casa"
Na economia, o governo Lula agiu com responsabilidade. Isso é um fato. O chamado inchaço da máquina pública é controverso.
Há bons argumentos que justificam aumentos de despesas correntes, tão criticadas por economistas mais afinados com o pensamento do mercado financeiro. Nesses gastos, há merenda escolar, repasses aos hospitais, contratação de mais funcionários, reajustes do funcionalismo.
O governo atual alega que tentou recompor a máquina pública, valorizando carreiras importantes do Estado. A Polícia Federal recebeu aumentos salariais polpudos. A Receita Federal e a burocracia de agências reguladoras também.
Há bons argumentos contra o aumento de despesas correntes. Diminui a margem para os investimentos, que são gastos em obras novas. Por exemplo: construir uma estrada é investimento. Mas conservá-la é custeio. Ora, ambos os gastos são importantes. Ao elevar as despesas correntes, Lula cria gastos permanentes que precisarão ser financiados. Até setembro do ano passado, a administração petista nadou numa onda de prosperidade mundial. Hoje temos uma crise. A arrecadação de impostos caiu.
Demonizar o gasto corrente é ideológico. Pedir maior racionalidade a esse tipo de despesa, não. É fundamental para o Brasil melhorar a qualidade do seu gasto público.
Nesse cenário de cobertor curto, como enfrentar a crise e administrar o país? O governo Lula reduziu o superávit primário --a poupança que faz todo ano para pagar a dívida pública. A meta anual de 3,8% do PIB caiu, na prática, para 2,5%. O presidente fez a coisa certa.
Quando assumiu o poder, em 2003, Lula elevou o superávit primário. Naquela época, a dívida pública correspondia a 53% do PIB. Hoje, está entre 37% e 38%. Estima-se que possa se aproximar dos 40% nos próximos dois anos. O próprio mercado financeiro acha que é um número bom e que a redução do superávit permitirá um manejo sustentável, para usar o termo da moda.
Isso foi possível porque o Brasil fez a lição de casa nos últimos anos. Não é mérito só de Lula, mas muito do mérito é do petista. Ele soube agir com responsabilidade na economia, equilibrando-se entres ações ortodoxas e heterodoxas.
O rigor fiscal e monetário caminhou ao lado de políticas expansionistas, como incentivo ao crédito consignado, aumento do crédito agrícola, elevação do crédito em geral, ampliação corretíssima de programas sociais. A lista é longa. E o nosso mercado interno anda surpreendendo positivamente em tempos de crise.
Portanto, esse negócio de superávit alto pelo resto da dívida é discurso ideológico. Não se faz sacrifício indefinidamente. É preciso uma contrapartida num momento de crise mundial e no qual todos os países seguem uma receita que exige do estado a elevação de suas despesas.
"Demonizar o gasto corrente é ideológico."
Essa frase é a que muitos "especialistas" deveriam ler. Era preciso reconstruir a máquina pública terceirizada e em frangalhos, principalmente depois que este governo melhorou muito as contas públicas permitindo os ajustes necessários. O Brasil paga hoje escandalosos 5% do PIB em juros da dívida, mas isso representa 3% a menos que em 2002. E deve cair ainda mais agora com a Selic em viés de baixa.
Mas o Alencar não fala que os valores investidos via BNDES para infra-estrutura triplicaram no governo Lula. Tanto para concessões, quando para estatais que voltaram a ter seu papel valorizado, quanto para parcerias público-privadas.
O governo Lula desmontou a corrente ideológica do estado mínimo, sem voltar ao estado máximo de outros tempos. Por exemplo, viabilizou depois de 20 anos, refinarias, grandes hidrelétricas, complexos petroquímicos com essa nova corrente ideológica.
E por isso é atacado pelos demotucanos e pela esquerda mais radical que se desgarrou do PT. E esse ataque dos dois flancos ideológicos, demonstra apenas que o governo Lula traçou o caminho correto. Em plena crise financeira mundial, as contas do Estado estão mais sólidas que as privadas. Aquelas que até há pouco tempo eram taxadas de exemplo para o setor público. E a massa salarial cresce 8%, fazendo com que com uma redução tributária faça a demanda crescer mais de 20%.
Recomendo este ótimo post: Miguel do Rosário: Ano pré-eleitoral?
Manchete do Globo desta terça-feira: "Em ano pré-eleitoral, governo libera 1 bilhão para prefeituras."
Genial este novo conceito do Globo. Como temos eleições de dois em dois anos, qualquer ano agora pode ser considerado ou eleitoral ou pré-eleitoral. E assim qualquer ação assertiva de um governo (desde que de esquerda, claro) pode ser esnobada como sendo eleitoreira. 2009 é ano pré-eleitoral. 2010 é ano eleitoral. 2011 será pré-eleitoral, e assim por diante.
O que me surpreende, todavia, é a falta de visão de nossos editorialistas. Obama libera 1 trilhão para bancos falidos, e eles acham ótimo. Lula libera dinheiro para prefeituras, que empregam milhões de pessoas, que respondem pela educação básica de toda a população infantil brasileira, e eles acham um ato irresponsável.
Marcadores:
BNDES,
Funcionalismo,
Infra-estrutura,
Política fiscal,
Superávit primário
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( IMPRIMIR ) | ( PÁGINA INICIAL ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
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