POLÍTICA Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007 - 22:33 Bolsa Família: por que não enfrentar a onça?
Recomendo a leitura desse artigo, um pouco longo e um tanto quanto repetitivo, mas que mostra de forma bem didática a importância do programa Bolsa Família para o dinamismo da economia do Brasil, inclusive como instrumento de controle inflacionário e dos juros. Segundo o autor, enfrentar o subconsumismo, característica do capitalismo concentrador de renda, não pode ser considerado assistencialismo. Selecionei alguns trechos para dar um pouco de água na boca.
É incrível como a grande mídia se recusa a discutir o programa social do governo Lula como um instrumento que puxa a demanda da economia, sem ser, apenas, o que ela quer que seja, isto é, assistencialismo político, populismo etc. É isso, também, mas o fenômeno tem corpo maior. Por que não enfrentar a onça?
Segundo Sebastião Gomes, da Goiás Óleos Vegetais, pioneiro da indústria no Distrito Federal, "Lula está dando poder de compra aos miseráveis. Os doze milhões de cartões de crédito que dá às mães alimentam 48 milhões de bocas que enchem a barriga e a urna lulista. Ele não precisa da classe média e a classe média já está vendo que os miseráveis de barriga cheia são uma ameaça menor para ela.
A mãe vai à prateleira do supermercado, o supermercado vai à indústria, a indústria à agricultura, a agricultura, a indústria e o comércio vão aos serviços. Em cada etapa dessa circulação, o governo arrecada 40%. O aumento da arrecadação vem daí. Não é aumento de imposto, porque a sociedade está fiscalizando. Mais imposto não dá voto. Uma de 100 que roda nesse circuito gera 40 para o governo em cada etapa da circulação. Se você quiser comprar um caminhão hoje, só vai recebê-lo em março do ano que vem. As estradas em conserto, ninguém fala nisso, estão abarrotadas de caminhões. Viaje aí pelo Oeste da Bahia, para ver. O Brasil é o novo rico do mundo com o petróleo verde. Os investimentos estão chegando e continuarão chegando aos montes. Somos mais forte que a China." [...]
[...] Assim que os miseráveis tiveram poder de compra para encher a barriga historicamente vazia, o mercado interno passou a consumir os estoques que anteriormente se acumulavam. O governo, conseqüentemente, não precisou mais lançar mão do câmbio como instrumento propulsor das vendas externas dos excedentes acumulados e, também, da inflação, como ocorria na escala anterior. Pôde manter a política cambial capaz de controlar as pressões inflacionárias, sem prejudicar, naturalmente, as exportações de forma acentuada. Os exportadores, de barriga cheia, graças à bonança no mercado mundial, terão que se virar para manter competitividade. Resultado, sem pressão inflacionária-cambial, desencadeou-se uma série de fatores que fazem a sinergia lulista entrar em órbita de excessiva confiança. [...]
[...] A confusão midiática é geral, dado o tremendo medo de entrar na arena para discutir a realidade. A grande mídia diz, com razão, que o Estado keynesiano perdeu capacidade de dinamizar o capitalismo. Mas não encara que o neoliberalismo também está brochado. Como os interesses midiáticos-empresariais estão atolados até o pescoço em tal modelo, o compromisso com o jornalismo vai ficando para segundo plano. Ou seja, o pensamento midiático conservador anticrítico se candidata, naturalmente, à mudorcização geral.
É claro que se prevalecer o ponto de vista de que a inflação se combate com aumento do consumo para realizar plenamente a produção a custo baixo, como mostra a incipiente experiência econômica, vista pelos jornais e tevês como mero assistencialismo do Bolsa Família, cai, rapidamente, por terra o ponto de vista bancocrático segundo o qual a taxa de juro é a única variável economicamente válida para combater a alta dos preços.
Leia a matéria complea no site do Observatório da Imprensa.
Marcadores: Assistencialismo, Bolsa Família, Capitalismo, Consumo, keynesianismo
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