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POLÍTICA Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009 - 12:52 Confiança da indústria brasileira aumenta em dezembro, diz FGV
Reuters - A confiança da indústria brasileira terminou o ano no maior patamar desde julho de 2008, recuperando-se da crise financeira mundial, e o uso da capacidade instalada aumentou pelo nono mês em dezembro, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgada nesta quarta-feira. O índice de confiança subiu 3,5 por cento em dezembro sobre novembro, para 113,4 pontos, com ajuste sazonal.
"A confiança encerra 2009 em alta... acima da média dos últimos 10 anos (100,4 pontos) e com um desempenho bem diferente do observado no início do ano, quando alcançou 75,1 pontos, o segundo menor nível da série histórica desde abril de 1995", afirmou a FGV em nota. Em dezembro, o componente de situação atual subiu 3,5 por cento, para 111,9 pontos. O de expectativas aumentou também 3,5 por cento, a 114,9 pontos.
"As previsões para os meses seguintes são favoráveis em todos os quesitos integrantes do componente de expectativas, principalmente em relação à produção, cujo indicador de 144,1 pontos é o maior da série histórica constituída desde 1980", acrescentou a FGV.
CAPACIDADE INSTALADA - O nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) avançou para 83,8 por cento em dezembro, contra 82,9 por cento em novembro e 80,2 por cento em igual mês de 2008, com ajuste sazonal. O uso da capacidade vem subindo há nove meses e a FGV destacou que a aceleração foi mais pronunciada nos últimos cinco. Nesse período, o aumento foi de 3,9 pontos percentuais. Em dezembro, o destaque de aumento do uso da capacidade ficou com o setor de bens de capital, passando de 77,9 por cento em novembro para 80,9 por cento. (Reportagem de Vanessa Stelzer)
Venda de automóveis cresce em dezembro 18,5% ante novembro e 54% frente ao mesmo período de 2008. - As vendas de automóveis em dezembro estão crescendo em um ritmo bastante forte, muito acima das previsões. Até hoje já foram vendidos 237.681 automóveis, cerca de 18,4% acima dos 200.745 de novembro até a mesma data. Em relação a dezembro do ano passado, a indústria registra um crescimento de 54% nas vendas. Para se ter ideia desse crescimento, a média diária está na faixa dos 14 mil veículos, contra 12 mil de novembro.
Se mantiver esse ritmo, a venda de automóveis neste ano vai chegar a 3,136 milhões e superar a previsão da Anfavea, que era de 3,110 milhões. Especialistas atribuem esse crescimento aos seguintes fatores: aumento da confiança do consumidor, recuperação da economia e a um otimismo para 2010. Este otimismo tem funcionado como um combustível a mais para o crescimento do consumo neste final de ano.
Na matéria 'BC vê riscos na rapidez de recuperação da indústria', do jornal Valor Econômico, o jornalista Cristiano Romero afirma que "o Banco Central (BC) avalia que, mantido o atual ritmo de produção, o nível de utilização da capacidade instalada da indústria (Nuci) atingirá 86,5% em maio de 2010, perto de bater o recorde registrado em junho de 2008. Isto mostra que a economia brasileira está próxima de se recuperar inteiramente dos efeitos da crise financeira internacional, que atingiu fortemente o país em meados de setembro de 2008, mas sinaliza também que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode estar a ponto de promover uma nova rodada de aperto monetário para combater possíveis pressões inflacionárias."
Não há mágica no regime de metas de inflação. A função principal do BC é defender a moeda e controlar a inflação, o mal que atinge principalmente as camadas mais frágeis da sociedade, aquele que o governo Lula prometeu apoiar. A grande herança para o Brasil da crise que se abateu pelo mundo no ano passado, será a dramática queda nos investimentos produtivos em 2009. O setor de bens de capital foi o mais afetado, criando um cenário de pouca folga para 2010. No ano que termina amanhã, o brasileiro continuou consumindo de forma vigorosa, aproveitando ainda os fartos estoques acumulados no setor industrial em 2008. A queda na demanda externa foi dramática.
Mas parece que o empresário nacional gosta de trabalhar no limite. O aumento da produção nesse último trimestre, que se reflete na forte expansão do emprego formal, pode não ser suficiente para garantir oferta de produtos em 2010. A demanda estará muito, muito aquecida. E não se iludam, se a capacidade instalada crescer aos níveis previstos pelo BC, uma alta na taxa Selic será inevitável. Não será uma volta aos dois dígitos, mas um dado não pode ser minimizado. Mesmo com a queda da Nuci e crescimento praticamente zerado em 2009, o IPCA em momento algum se afastou do centro da meta. Quando se comenta que os juros brasileiros ainda são os mais altos do mundo, apesar da queda histórica, somos obrigados a reconhecer que a inflação ao consumidor se manteve teimosamente alta.
Não adianta meter o pau no presidente ou na diretoria do BC. Quem escolhe a política de regime de metas é o presidente da República. E ele está certo.
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1 comentário
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Comentário de marcio luis barbosa machado | 30/12/2009 - 18:22 |
não da para esquecer tb alexandre , o igp-m negativo em 1,72% este ano que vai dar uma folga no ano que vem para os preços definidos em contrato , diminuindo o impeto da inflação e reduzindo a necessidade de atuação do bc , acho que no maximo uns dois aumentos de 25 pontos resolvem o problema , só os colocaria antes das eleições para não prejudicar a dilma.
É o que penso Márcio, mas sinceramente não acredito que um ligeiro aumento na taxa de juros afete campanha. Isso só será realmente necessário se a economia estiver 'bombando', o que trará repercussões eleitorais muito mais importantes.
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