POLÍTICA Quarta-feira, 21 de Abril de 2010 - 23:41 Pesquisa Ibope: contradições sem respostas
Uma nova pesquisa Ibope encomendada pelo jornal Diário do Comércio aponta variação positiva de dois pontos porcentuais à favor do pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, em relação à sua principal adversária, a petista Dilma Rousseff. O levantamento, feito entre os dias 13 e 18 de abril, mostra o tucano, no questionário estimulado, com 36% das intenções de voto, sete à frente da petista, que seria a escolhida por 29% do eleitorado. No ultimo levantamento, a diferença era de 5 pontos, o que significa que o movimento foi dentro da margem de erro. Mas o ponto desse post é outro.
No dia em que foi divulgado a última pesquisa Datafolha, o diretor do instituto Mauro Paulino, disse ao portal UOL que é importante prestar atenção na pergunta espontânea. Disse ainda que esta polarização cria um efeito de segundo turno já no primeiro turno. "A qualquer momento, um candidato pode tirar voto do outro. O quadro pode mudar com a campanha eleitoral", reiterou.
Apenas repetindo o blogueiro Marcos Doniseti, "qualquer pessoa que realmente entende de pesquisas eleitorais sabe que voto consolidado, mesmo, é o voto espontâneo, que é aquele que o eleitor declara sem que se apresente nenhum nome a ele previamente. A pesquisa estimulada serve mais para dizer qual é o candidato mais conhecido do eleitor e de quem este tem um nível de lembrança maior. Nada além disso."
Eu não entendo tanto assim, mas essa é mais ou menos a minha opinião. Completando, a tendência é que os resultados das duas perguntas se aproximem ao longo da campanha.
Pois bem, na pesquisa espontânea do Ibope divulgado hoje, na pergunta "Se a eleição fosse hoje, em que candidato você votaria?", aparece em primeiro lugar o atual presidente, Lula, com 16% das intenções, seguido de perto por Dilma, com 15%, e Serra, com 14%. Ciro, Marina Silva e Aécio Neves aparecem com 1%.
Pode parecer uma coisa óbvia, mas se somarmos as intenções de votos de Lula e da ex-ministra Dilma Rousseff, teremos 31%, contra apenas 14% do adversário José Serra. Como dificilmente será divulgada a relação precisa entre as escolhas espontâneas e estimuladas, fica difícil entender como ela pode aparecer com apenas 29% na pesquisa estimulada. Dilma não só não herdou todas as intenções de votos do não-candidato Lula, quanto não agregou um voto a mais sequer. Enquanto isso, Serra saltou de 14% para 36%. Não dá para crer nessa equação assim tão passivamente.
Como eu não espero que a imprensa faça esse questionamento a algum cientista político, especialista em eleições, vamos torcer para que o PT tenha essa iniciativa. Na pior das hipóteses, vai criar um fato político positivo quando tudo aparentemente é negativo na pesquisa.
Chega dessa inútil batalha de tentar desmoralizar pesquisas quando elas aparentemente não nos favorecem, até porque ajuda a legitimar os adversários quando estes questionam pesquisas que eventualmente estão nos favorecendo. Precisamos, nesse caso, apontar as inconsistências metodológicas que permitem essas aparentes contradições. Ou eu acredito que o governo Lula não vai ter mais capacidade de transferir votos e que eleitores satisfeitos com a gestão atual podem votar na oposição ou chego à conclusão de que as eleições mal começaram.
Com a palavra os especialistas em pesquisa. Eu apenas sou um leitor não passivo.
Leia também: Mercadante: questionamento de pesquisa por PSDB é insegurança
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