Não costumo falar como petista, pois apesar de estar de alguma forma vinculado ao partido desde 1981, não sou filiado há alguns anos ao Partido dos Trabalhadores. Mas hoje resolvi abrir uma exceção. Não tenho procuração para falar em nome de ninguém, mas posso me apresentar como militante virtual do governo Lula.
Nos últimos dias têm se intensificado o debate sobre a candidatura Ciro Gomes à presidência da República pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), aliado histórico do PT. A imprensa em geral já criou algumas versões segundo as quais o PT e o presidente Lula agem nos bastidores para minar a candidatura do deputado cearense. E a gente está cansado de saber com a imprensa cria suas versões.
Mistura-se a intriga de alguma fonte com interesses, com alguma frase retirada do contexto, aproveitando-se muitas vezes da omissão de parte dos envolvidos. Essas omissões muitas vezes são calculadas, pois as versões podem de alguma forma contribuir a seus próprios interesses.
Mas não podemos esquecer que a omissão também tem um preço.
No caso específico, me incomoda profundamente o silêncio do PT, que de alguma forma ajuda a consolidar certas versões. Entre elas está a de que o PT estaria vinculando alianças regionais à saída de Ciro do páreo. Quem acompanha as negociações nos estados, percebe que isso não é verdade. É fato que existem alguns poucos problemas em alguns estados, mas nenhum deles vinculados ao plano federal, mas sim a diferenças locais. Hoje mesmo, em entrevista (assista abaixo), o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, afirmou que o PT apóia incondicionalmente o PSB nos estados em que o partido aliado tem candidatos, como Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Ceará.
É falsa também a versão de que o presidente Lula trabalhou para que o PDT e o PCdoB não apoiassem a candidatura Ciro, com o intuito de esvaziá-la. Esse divórcio se deu em outro momento, quando Ciro não foi capaz de manter a unidade do Bloco Parlamentar formado por esses partidos, que tinha o carinhoso apelidado de ‘Bloquinho’. Responsabilizar o PT por esse racha, chega a ser desonesto.
Mas o PT prefere se omitir e deixa disseminar versões que não nos interessam, pois Ciro Gomes e o PSB não deveriam ser tratados dessa forma, no mínimo deselegante. Não podemos esquecer que Ciro nos acompanhou desde 2003, logo após ser derrotado pelo próprio Lula nas eleições do ano anterior. Foi responsável por alguns dos projetos que nos orgulham hoje. Ciro se mostrou também um aliado fiel na Câmara dos Deputados, durante o segundo mandato. Ele não é dos nossos, não vou esquecer as barbaridades que disse sobre a companheira Luizianne Lins, prefeita de Fortaleza, nas eleições de 2008, mas ele é um aliado do projeto iniciado no primeiro mandato do governo do presidente Lula.
Lula deve ter suas razões para acreditar que o melhor para a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff seja a incorporação do PSB na chapa liderada hoje pelo PT e PMDB, mas a quem interessa atrair um aliado carregado de cicatrizes? Ao contrário, independentemente da decisão que o PSB vai tomar, para o PT interessa termos um Ciro Gomes interessado no processo eleitoral. Ao PT deveria interessar um PSB forte, até para ajudar a contrabalançar a força que o PMDB tem nessa aliança.
Por isso eu apelo para que o PT vá a público por meio de uma nota ou entrevista coletiva dando apoio à candidatura Ciro Gomes e deixando claro que nenhuma aliança está vinculada à sua decisão.
Ciro Gomes candidato ou não só nos interessa disposto a ajudar nosso projeto. Se fruto de uma decisão livre de pressões, com o apoio incondicional do PT, qualquer que seja a escolha tomada pelos nossos aliados será boa para o PT e para a candidatura Dilma.
O pior dos mundos é deixar versões minarem uma aliança que, agora ou no segundo turno, nos interessa.
Depois de reunião de monitoramento das obras da Ferrovia Transnordestina, Eduardo falou sobre a candidatura de Ciro Gomes.
Comentário de Antonio L Teixeira | 23/4/2010 - 15:53 |
Alê, ressalvo todo o respeito e admiração por você e seu blog, mas permita-me discordar de sua análise. Ainda com Berzoini e agora com Dutra, repetido por Lula e também por Dilma, a decisão de Ciro vir a ser candidato presidencial cabe a ele e ao PSB. No âmbito da estratégia lulopetista da "eleição plebiscitária" sua candidatura seria inconveniente.
Ele discordou e discorda desta estratégia que, até onde se saiba, seu partido não o faz. Os motivos e argumentos seus tiveram ampla repercursão na mídia: "aliança espúria PT-PMDB" e mais recentemente, hoje, de que "Serra é mais bem preparado que Dilma" e que "Lula navega na maionese".
Ditas por prima pela "lealdade" soam estranhas. Não sei como e porque decidiu transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, mas quando o fez chegou atirando pedras no PT: "o PT em São Paulo é uma desgraça". Depois de muita paciência o que parecia impossível aconteceu: o PT-SP se convenceu que ele poderia contar com seu apoio para ser candidato no Estado.
Isso não o satisfez, enrolou, enrolou, tripudiou, tentou novamentente humilhar e deixou todos de mão abanando. Aécio não conseguiu ser o candidato, onde poderia ser seu vice. E agora novamente vira sua metralhadora para todos, como já fizera com o PT de Fortaleza. Que Senhor é esse, peguntou eu? Mereceria ser levado a sério?
Ciro se enrola sozinho com o seu espírito individualista. Eu só acho que o PT não deveria se envolver, pq mal ou bem, e concordo com o que vc escreve sobre ele, é leal ao presidente. Ele não é pior que o PMDB e para este estamos colocando tapete vermelho.