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POLÍTICA Segunda-feira, 03 de Maio de 2010 - 00:26 Mendonça de Barros um 'viúvo da estagnação'
O artigo "A crise do crescimento acelerado" de Artur Araújo, publicado originalmente na Agência Carta Maior me chamou a atenção para outro artigo "A economia do país em direção ao muro", do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do BNDES no governo FHC. Vou comentar alguns trechos.
A economia do país em direção ao muro
A aceleração do crescimento econômico no Brasil começa a me assustar. Com base nos dados do primeiro trimestre deste ano, um grupo de analistas já fala em crescimento do PIB de mais de 7% em 2010. Nós, na Quest Investimentos, ainda não chegamos a tal, talvez porque meus colegas sejam mais cautelosos do que eu...
O crescimento da demanda interna pode ficar próximo a 10% em 2010. As importações respondem por essa diferença entre PIB e a chamada absorção interna. Mas elas acomodam a demanda aquecida apenas no grupo dos chamados bens "tradables", isto é, aqueles que podem ser comprados em outros países. A maior parte da oferta na economia brasileira é constituída por bens e serviços que não podem ser importados. O mais importante deles é o mercado de trabalho e nele é que está a componente mais ameaçadora que vejo para a frente. Também a infraestrutura econômica não está preparada para acomodar tal crescimento econômico. Afinal, são quase oito anos sem investimentos federais relevantes.
Aqui uma pausa para risos. Como são desmemoriados esses tucanos. Se não vejamos o que o Globo publica hoje: "Somente no ano passado, os desembolsos do BNDES para o setor de infraestrutura somaram R$ 48,6 bilhões, montante 285% superior ao que foi liberado em 2002. "Pode-se dizer que o setor tem, atualmente, um peso para a economia brasileira semelhante ao da Petrobras", acredita o economista e professor da Unicamp, Júlio Gomes de Almeida."
Essa é uma falácia que economistas e a imprensa repetem com insistência. A de que o Brasil continua investindo pouco. Esquecem que o Estado não se resume ao Orçamento Geral da União, amarrado a uma série de compromissos constitucionais. O Estado investe também direta ou indiretamente via financiamento de bancos estatais e via estatais, como Petrobras, Eletrobras, Valec etc. Parece até que estes defendem que infraestrutura seja prerrogativa apenas do Estado. No governo Lula, multiplicaram-se as parcerias público-privadas, que tiraram do papel investimentos adiados há mais de 30 anos, como hidrelétricas, refinarias, ferrovias e plantas petroquímicas. São investimentos que irão diminuir os gargalo futuros.
Poderemos chegar ao fim deste ano com uma taxa de desemprego da ordem de 6%, mantido o crescimento atual da geração de postos de trabalho. Em março, o número de empregos formais aumentou em 266 mil, número muito forte para o mês. O ministro do Trabalho, encantado com o próprio sucesso, disse ontem que esse número deve se repetir neste mês. Dada a composição da oferta de mão de obra no país, a desocupação ainda elevada esconde uma situação de escassez nas faixas profissionais mais qualificadas.
A pressão sobre os salários desse segmento dos trabalhadores já está ocorrendo e deve se acelerar. Na construção civil, um dos pontos mais aquecidos da economia, os salários já estão crescendo a mais de 10% ao ano. Mas outros sinais também alertam o analista mais cuidadoso. São evidências de instabilidade grave. Dou um exemplo: a produção de caminhões da Mercedes-Benz brasileira em março foi o dobro da matriz na Alemanha. Mesmo com a crise na Alemanha esse número é um aleijão para mim.
Não precisam se espantar. Mendonça de Barros está sim dizendo que está assustado com a rápida recuperação da demanda por mão de obra, que poderia ser um perigo para o equilíbrio da economia. Ironiza o 'encantado' ministro do Trabalho que tem como tarefa principal fomentar a empregabilidade. Mendonça também acredita ser um aleijão a filial brasileira da Mercedes-Benz estar produzindo o dobro de caminhões que a matriz alemã. Produzur caminhões, na visão do economista tucano, também pressiona negativamente a economia.
Acho que podemos começar a entender o motivo pelo qual a pré-candidata Dilma Rousseff chamou a gestão tucana de 'viúvos da estagnação'. A gente já conhece de cor e salteado o que para economistas como Mendonça de Barros são os gargalos de nossa economia, como os baixos investimentos públicos; a "gastança" em custeio; os déficits da Previdência; mas agora até o emprego e a construção de caminhões entraram na conta da 'crescimentofobia'.
Minha experiência profissional diz que estamos entrando em um daqueles momentos em que a euforia do brasileiro -aqui incluído trabalhadores, empresários e governo- vai nos levar a bater no muro das restrições econômicas. E a inflação é o problema mais grave que vamos enfrentar. Não me surpreenderia se, em poucos meses, estivermos falando de uma taxa de inflação, 12 meses à frente, superior a 6% ao ano.
Apesar de não desejada, uma inflação na casa dos 6% não é nenhum 'muro'. Está inclusive dentro da meta estipulada para o Banco Central. Não podemos deixar de lembrar que nos anos em que Mendonça de Barros participou do primeiro escalão do governo brasileiro, o IPCA ultrapassou os 6% em cinco anos e esse nunca foi de fato o 'muro' no qual bateu a nossa economia. Não se pode questionar os ganhos reais de renda e o aumento do emprego em nome de uma inflação na casa dos 6%. Isso beira o sadismo. Não estamos falando de uma clase média pensando em comprar seu segundo automóvel, mas de uma população que pretende trocar uma geladeira que consome muita energia, por uma mais nova e econômica; uma população que quer trocar a carne de segunda por uma de primeira. É em nome de uma inflação de 6% que o economista tucano quer interromper esse momento virtuoso no qual vive a população mais carente?
O governo -que teve atuação exemplar durante a curta crise que vivemos- entrou agora na defesa de uma macroeconomia keynesiana utópica e muito perigosa. Segundo a equipe econômica, os investimentos privados estão acontecendo e devem assegurar o equilíbrio entre oferta e demanda. São os eternos canarinhos que voam no universo dos economistas brasileiros. Já vi esse filme no passado e posso assegurar ao leitor que o final será triste.
E no médio prazo, com a atuação em várias frentes além do aumento da Selic, os investimentos têm reagido. As vendas de bens de capital e a produção de aço não me deixa mentir. Pode haver um desequilíbrio, mas a equipe econômica parece estar bastante atenta, como aliás esteve ao longo desses 7 anos e 4 meses de governo Lula.
Por outro lado, a dinâmica eleitoral esta criando uma onda de benesses que apenas agrava o quadro de superaquecimento. Contabilizem os aumentos de gastos que estão saindo do Congresso nesses últimos meses e façam as contas. Isso joga mais lenha na fogueira da demanda privada.
Faltou o nobre economista dizer que boa parte dessas 'beneces' são patrocinadas pelos parlamentares que há oito anos sestentavam seu governo. Que tal primeiro convencer seus colegas de partido?
Para tentar esfriar o entusiasmo de todos, parece restar apenas a atuação do Banco Central. Mas trazer de volta o senso do real nesta altura do campeonato apenas com juros mais elevados será uma tarefa difícil e com prazo longo de maturação.
Não há que trazer de volta nenhum senso do real. O país tem instrumentos adequados para evitar que possíveis desequilíbrios entre demanda e oferta se transformem em grandes turbulências. O Brasil se preparou, ganhou musculatura para enfrentar eventuais gargalos de curto prazo. Produzir mais caminhões que a Alemanha é um desses instrumentos e não uma contradição.
Até mesmo os déficts em conta corrente, outro fator de muita preocupação, precisam ser analisados pelos seus fundamentos. Boa parte do aumento das importações está se dando pela aquisição de máquinas e equipamentos. O déficit na balança comercial da indústria nem sempre é um mau sinal. Para o chefe do departamento de pesquisa econômica do BNDES, Fernando Puga, há um forte ciclo de investimentos em curso, o que é um sinal positivo da indústria. "Quem está em má situação financeira, não compra uma casa", compara. Ele avalia que esses investimentos vão gerar uma maior oferta de produtos e ajudar a "conter as importações" no futuro.
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BNDES,
Caminhões,
Emprego,
Investimentos
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2 comentários
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Comentário de @fscosta | 12/5/2010 - 18:24 | http://muitopelocontrario.wordpress.com
Tucanos nao aprenderam nada
O principal motivo do rápido e sustentado crescimento econômico é que, na busca do desenvolvimento, sempre persistimos nos seguintes princípios: 1) Ter o crescimento econômico como o ponto central e resolver os problemas que surgem em nosso caminho sem interromper o processo de desenvolvimento. 2) Seguir o conceito de desenvolvimento científico, estimulando o desenvolvimento econômico-social abrangente e coordenado. 3) Orientar as reformas para o sistema econômico de mercado socialista, injetando incessantemente energia e vigor no desenvolvimento. 4) Promover a abertura da economia, aproveitando bem os recursos e mercados doméstico e externos. 5) Tratar corretamente a relaç
Comentário de Maurício | 5/5/2010 - 01:55 |
Estranho o tal "muro" citado, a inflação deixada pelo governo demo tucano de FHC em 2002 foi de 12,53%, ou seja o dobro do "muro" citado pelo porta-voz eleitoral do candidato de mau agouro.
E as taxas de inflação em 1999, 2000 e 2001 em pleno governo neoliberal de Mendonça de Barrros foram de 8,94%, 5,97% e 7,67% respectivamente, coisa que o citado ex-ministro tucano na época e nem agora não considerou "muro" algum.
E isso com taxas de juros estratosféricas!
Pode-se acreditar em pessoas assim, tem alguma credibilidade esse tipo de discurso eleitoreiro recheado de inverdades e abobrinhas? São esses os argumentos do rival de Dilma?
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