POLÍTICA Terça-feira, 04 de Maio de 2010 - 12:13 Produção industrial sobe 19,7% em março e 18,1% no trimestre
UOL - A produção industrial brasileira aumentou 2,8% entre fevereiro e março, com ajuste sazonal, revelou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em nota. No confronto com o terceiro mês de 2009, o indicador subiu 19,7% e registrou a quarta elevação seguida de dois dígitos neste tipo de comparação. De janeiro a março, a atividade fabril expandiu-se 18,1%, ante mesmo período de 2009. Em 12 meses, contudo, houve recuo de 0,3%.
Na passagem do segundo para o terceiro mês deste ano, dos 27 setores industriais, 19 registraram aumento, como veículos automotores (10,6%), alimentos (5%), máquinas e equipamentos (5,2%), bebidas (7,6%) e celulose e papel (6,4%).
Só refino de petróleo e indústria de fumo reduzem produção em relação a março de 2009
O crescimento da produção industrial em relação a março de 2009 (19,7%) também teve perfil generalizado, atingindo 25 das 27 atividades pesquisadas. O índice de difusão, com avanço em 77% dos 755 produtos investigados, também evidenciou o dinamismo no setor industrial, ao registrar o maior nível da série histórica, iniciada em janeiro de 2003.
Os veículos automotores (36,6%) e as máquinas e equipamentos (49,5%) exerceram os principais impactos positivos na formação da taxa global. Vale destacar também os avanços de metalurgia básica (36,9%), produtos de metal (41,2%), outros produtos químicos (18,2%), farmacêutica (22,3%), alimentos (8,3%), indústrias extrativas (15,8%) e borracha e plástico (25,8%). Já as contribuições negativas vieram de refino de petróleo e produção de álcool (-11,0%), pressionado pela paralisação citada anteriormente, e fumo (-4,1%), por conta da menor produção de cigarros.
Nessa mesma comparação, todas as categorias de uso apontaram crescimento. O setor de bens de capital (38,4%), com a taxa mais elevada e a maior para o segmento desde março de 2004 (39,9%), teve seu desempenho influenciado pela expansão em todos os seus subsetores, com destaque para bens de capital para equipamentos de transporte (33,7%), para construção (244,5%), para uso misto (37,0%) e para fins industriais (23,1%). A produção de bens de consumo duráveis (25,8%%) continuou expandindo a dois dígitos, impulsionada pelos eletrodomésticos (54,3%), tanto de "linha branca"1 (32,1%) como de "linha marrom"2 (80,3%), automóveis (17,4%) e telefones celulares (6,3%).
Os dados da tabela demonstram bem a dinâmica da indústria nos últimos doze meses. Os bens de capital, que indicam o nível de investimentos (somados à importação) apesar de crescerem 38% em março, na comparação com o mesmo mês de 2009, apresentam ainda queda de 8% no acumulado dos 12 meses. A forte queda da produção industrial no primeiro semestre de 2009, de 13%, se deu em grande medida pela queda nos investimentos. A indústria foi pega no contrapé, com um excesso de estoques, que precisavam ser desovados antes de se pensar em elevar a capacidade instalada.
Por outro lado, demonstra que o crescimento desse primeiro trimestre de 2010 está fortemente influenciado pelos investimentos produtivos, o que é uma ótima notícia. A maior parte do mercado argumenta que mesmo assim, a demanda cresce além da oferta, até porque o consumo não sofreu grandes quedas em meio à crise. A demanda já entrou em 2010 embalada, enquanto os investimentos engatavam apenas a segunda marcha.
Os dados reforçam a minha opinião de que realmente existe um desequilíbrio entre demanda e oferta, mas ele pode ser pontual e passageiro. Nesse momento, a produção industrial já cresce mais que o varejo. Nosso empresariado é muito ‘São Tomé’ para o meu gosto, mas não podemos deixar de reconhecer que agora estão reagindo de forma consistente. Vários anúncios de investimentos foram divulgados essa semana para diversos setores. Um aperto monetário agora era mais do que esperado, mas pode não ter a vida tão longa quanto muitos esperam.
Ao mesmo tempo em que a volta do IPI para vários produtos industriais pode constranger alguns segmentos, a partir de agora a indústria já conta com melhores condições de crédito e a demanda externa começa a se restabelecer. Parte dos produtos manufaturados que foram desviados do mercado externo para o interno mais aquecido, pode voltar a aquecer as exportações, principalmente para nossos parceiros na América Latina, e melhorar nossa balança comercial.
Não custa nada lembrar o que o economista, dublê de ex-governador de São Paulo, afirmou no ano passado sobre a economia em 2010.
Marcadores:
Bens de capital,
IBGE,
Máquinas e equipamentos,
Produção industrial
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( IMPRIMIR ) | ( PÁGINA INICIAL ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
|
|