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POLÍTICA Segunda-feira, 10 de Maio de 2010 - 12:02 Dimenstein pergunta se Dilma é vítima de machismo. Será?
Em sua coluna no UOL, o jornalista Gilberto Dimenstein questiona se a tese segundo a qual a pré-candidata Dilma Rousseff é "dependente quimicamente de Lula" não seria uma idéia machista. Eu acho que se trata de mais um terrorismo eleitoral, mas vamos ver o que ele escreveu.
Nesses primeiros passos eleitorais, já deu para perceber que o foco dos ataques dos tucanos contra o PT será a suposta falta de experiência de Dilma Rousseff em comparação com José Serra. A ideia é mostrar a ex-ministra como uma dependente química de Lula. Será que pega? [...] O fato é que Dilma passou toda a sua vida envolvida na política e, na gestão Lula, conheceu a intimidade da máquina administrativa: faz parte de um time que com bons resultados a mostrar.
Quando assumiu a presidência, FHC --com suas passagens nos ministérios da Fazenda e Relações Exteriores-- tinha tanta experiência administrativa quanto Dilma tem hoje. Aliás, a ex-ministra tem agora muito mais vivência na máquina pública do que Lula tinha ao assumir. Vamos lembrar que, neste momento, o próprio Serra reconhece os méritos do atual governo.
É inegável que Dilma candidata sem Lula não existiria. Daí a ela ser dependente quimicamente de Lula, suspeito que tenha nessa crítica uma pitada de machismo.
A verdade é que qualquer que fosse o candidato petista, haveria algum tipo de questionamento a ser martelado. Até mesmo a comparação com Lula, que pesaria como um fardo a qualquer um, é explorado contra ela. Em 1989, o terrorismo eleitoral dizia que Lula nunca havia administrado sequer uma prefeitura. Já em 1994, quando seu adversário também não, esse tema sumiu da campanha. Em 1998, o terrorismo dizia que ele não estava preparado para enfrentar a crise. Pasmem que segundo essa tese, quem nos meteu na crise seria o mais preparado para nos tirar dela. Em 2002 voltaram à tese da inexperiência, criou-se o 'lulômetro' para medir o risco-Lula. Quase tudo o que se diz de Dilma hoje, disseram de Lula antes e o fato dele ter tido uma gestão que surpreendeu até seus críticos, não serve para amenizar ou mesmo ridicularizar o novo terrorismo.
É fato que do ponto de vista eleitoral, Dilma é um 'poste'. Mas como diz Dimenstein, não o é do ponto de vista administrativo. É fato que eleitoralmente Lula é muito maior que ela (do que ela e de qualquer outro agente político) e se Lula era maior que o PT, o PT é também maior que Dilma. Esse é outro ponto bem explorado pela oposição escrita, falada, televisionada e política e que o PT ainda não soube responder. O novo terrorismo eleitoral vende a idéia de que no poder, Dilma seria muito mais influenciada pelos 'maus conselheiros petistas' do que Lula foi. Mas esquecem que fora do governo, Lula volta ao PT. Ou seja, o apoio do partido estará garantido. Mesmo nas costuras políticas, o PT terá como estrategista o hoje tão reconhecido Luis Inácio Lula da Silva.
Eu não acho que seja 'machismo', mas prefiro acreditar que são críticas moldadas para o candidato petista de plantão. Todos os candidatos têm suas deficiências, basta saber e querer explorá-las. A candidatura da oposição tem várias fraquezas institucionais, mas a imprensa insiste em ignorá-las.
Insisto que o sistema eleitoral e a cobertura da imprensa no Brasil, tendem a exigir um candidato com viés quase autoritário. Recentemente li uma crítica para o fato de Dilma sempre se dirigir em discursos na primeira pessoa do plural. Para estes, dizer que 'Nós fizemos e nós vamos fazer' em vez de 'Eu vou fazer', demonstra insegurança e afirma a tal dependência citada por Dimenstein. É uma leitura que está longe de ser verdadeira. Serra, Dilma e todos os agente políticos sabem que ninguém governa sozinho, impondo suas idéias. Mas o personagem-candidato-ideal deve, segundo os críticos de Dilma, mostrar que poderia ser um 'ditador do bem', se fosse necessário.
Bem. Como eu não estou votando para o cargo de 'candidato' e sim para o cargo de 'presidente' não me comovo com o que está acontecendo no processo eleitoral. A decisão do meu voto nunca dependeu do processo de debate entre personagens-candidatos. Por outro lado, a experiência da gestão Lula trouxe alguns ensinamentos para o país. Não adianta apenas dizer que sabe o que fazer. É preciso estar aberto para aproveitar experiência e a opinião de um coletivo de idéias. Por isso eu creio mais em quem se apresenta como candidato na primeira pessoa do plural.
Marcadores:
Dilma Rousseff,
Machismo,
José Serra,
Lula,
Terrosrismo eleitoral
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( IMPRIMIR ) | ( PÁGINA INICIAL ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
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