POLÍTICA Quarta-feira, 12 de Maio de 2010 - 21:19 Varejo brasileiro dispara e absolve o Copom
Reuters - As vendas no varejo brasileiro aumentaram expressivamente em março, em uma demonstração da força da economia brasileira em 2010, avaliou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. As vendas cresceram 1,6% ante fevereiro e subiram 15,7% ante março de 2009, a maior taxa anual da série histórica iniciada em 2001.
"Há uma recuperação da economia frente à crise global de 2008, que ganhou força a partir do segundo semestre de 2009. Os números robustos do comércio endossam o ritmo forte da economia brasileira", disse a jornalistas o economista do IBGE Reinaldo Pereira. "Esses números reforçam essa previsao de crescimento forte da economia, que antes era de 5 por cento, depois passou para 6 por cento, e agora já está se falando no mercado em 7%." Segundo o IBGE, os dados de março mostraram uma expansão quase generalizada das vendas.
Em relação a fevereiro, sete dos 10 setores tiveram aumento de vendas, com destaque para Veículos e motos, partes e peças (10,3%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (8,6%), Material de construção (3%) e Tecidos, vestuário e calçados (1,5%).
Sobre março de 2009, todos os oito setores pesquisados mostratam crescimento, destacando-se Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (15,3%, dado recorde), Móveis e eletrodomésticos (25,7%), Tecidos, vestuário e calçados (15,7%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (15,2%).
No varejo ampliado, que inclui setores atacadistas e varejistas de veículos e material de construção, as vendas avançaram 5%, melhor desempenho desde junho do ano passado. No confronto com março de 2009, o varejo ampliado bateu recorde com alta de 22%, de acordo com o IBGE. As vendas de veículos cresceram 10,3% em março sobre fevereiro e 32,4% ante março do ano passado. "Houve uma corrida para aproveitar a isenção do IPI que iria terminar naquele mês e algumas montadoras fizeram também promoções", disse Pereira.
O comércio de material de construção, outro setor beneficiado pela isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), cresceu em março 3% na comparação mensal e 19,3%. "O programa de incentivo fiscal e programas de habitação no Brasil estão começando a deslanchar e impactar nas vendas."
O IBGE acrescentou que o dado de fevereiro foi revisto para alta de 1,8 por cento ante janeiro. A leitura preliminar havia sido de 1,6 por cento.(Rodrigo Viga Gaier)
Alguns números são impressionantes e não devem permanecer nesse patamar, como a venda de automóveis que elevou o índice de Varejo Ampliado para ‘absurdos’ 22%, mas no geral os dados divulgados hoje pelo IBGE estão seguindo uma curva de crescimento constante. Para sabermos se será sustentável, precisamos olhar para a outra ponta dos investimentos. Para muitos, esse crescimento é insustentável, que e certa forma explica a opção do Copom por um choque nos juros na última reunião. Só teremos de fato um diagnóstico mais preciso da economia em 2010 quando o IBGE anunciar em junho o PIB do primeiro trimestre. Como dados antecedentes, o varejo cresceu 12,8% no trimestre enquanto a indústria, 18,1%. Até lá para nós mortais e até mesmo para consultorias especializadas, é mero exercício de adivinhação.
Os dados do varejo em 2010 são bem semelhantes aos do mesmo período de 2008, quando a demanda também crescia na casa dos dois dígitos. Dois dados demonstram o vigor dessa recuperação econômica. Cito o crescimento das vendas dos supermercados, que apenas desacelerou em 2009, e de material de construção, este sim com forte queda no ano passado. São dois setores que influenciam muito a dinâmica da economia, pois se disseminam por várias atividades.
Claramente a aumento do emprego formal tem uma enorme responsabilidade nesses números e seria difícil pedir para que agentes econômicos atuem para desacelerar a geração de postos de trabalho. Apesar de existir que já defenda a busca por metas de emprego, sinalizando níveis de empregabilidade que não pressionem a inflação. O país está dando um salto de qualidade, e a forma como o governo deve pisar no freio precisa sem bem equilibrada. É fundamental aquecer os investimentos, mas reparem que a Formação Bruta de Capital Fixo, no curto prazo, também é inflacionária, na medida em que aumenta as compras de matérias primas e equipamentos, além de gerais mais empregos, com mais gente demandando produtos. São as chamadas ‘dores do crescimento’
E quem está esperando grandes desacelerações a partir de abril, pode olhar para os dados anunciados hoje pela Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO). Segundo a entidade, as vendas desse produto cresceram 18,3% naquele mês, abaixo dos números de março, mas ainda impressionantes. No acumulado de janeiro a abril, as vendas do setor somaram 809,489 mil toneladas, expansão de 19,34% ante o primeiro quadrimestre de 2009.
| mês |
2009 |
2010 |
| |
% |
% |
Jan |
-8,3% |
18,2% |
Fev |
-9,6% |
19,9% |
Mar |
-2,0% |
20,5% |
Abr |
-8,8% |
18,3% |
Mai |
-6,4% |
|
Jun |
-5,2% |
|
Jul |
-3,7% |
|
Ago |
0,4% |
|
Set |
5,0%
|
|
Out |
7,5% |
|
Nov |
13,4% |
|
Dez |
25,0% |
|
ANO |
-0,01% |
19,7% |
Venda de materiais de construção cresceram 20% nos últimos 12 meses
Marcadores:
Copom,
IBGE,
Material de construção,
Papelão ondulado,
Varejo,
Supermercados
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( IMPRIMIR ) | ( PÁGINA INICIAL ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
|
|