POLÍTICA Quarta-feira, 19 de Maio de 2010 - 10:28 País cresceu 9,85% no trimestre, diz novo índice do BC
Índice criado pelo BC para monitorar a economia indica um ritmo de crescimento mais forte que o calculado pela Fazenda e pelo mercado
O Estado de S.Paulo - A economia brasileira cresceu perto de 10% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, acima do que a maioria dos analistas de mercado e o Ministério da Fazenda estão projetando para o período - na casa de 8%. É o que mostrou o novo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que encerrou o primeiro trimestre com alta de 9,85% sobre igual período de 2009.
Em relação ao quarto trimestre do ano passado, o IBC-Br teve expansão de 2,38% (que significa, em termos anualizados, crescimento próximo de 10%). O dado reforça a análise que a economia brasileira se encontra em ritmo muito forte neste início de ano e é necessário pôr um freio no nível de atividade.
O IBC-BR é um indicador criado pelo Banco Central para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) e é a mais recente ferramenta usada pelo Banco Central para ajudar na definição da taxa básica de juros (Selic). O IBGE, que divulga oficialmente o PIB, só anunciará o resultado do primeiro trimestre no dia 8 de junho. Com periodicidade mensal, o IBC-Br leva em conta estatísticas sobre agropecuária, indústria e serviços.
O economista-chefe do banco Schain, Silvio Campos Neto, afirmou que o dado do Banco Central reforça a preocupação em torno do nível de crescimento econômico e seu impacto na inflação ou no déficit externo. "De fato, o indicador mostra um crescimento bem forte, acima do que todo mundo entende que o País pode sustentar no longo prazo", disse Campos Neto, ponderando que os dados do primeiro trimestre ainda ocorrem sobre um ano marcado pela crise internacional, ou seja, sobre uma base mais fraca, especialmente a do primeiro trimestre de 2009.
Ele ressaltou, no entanto, que a tendência da economia é de desaceleração nos próximos trimestres, refletindo as melhores bases de comparação e as ações do Banco Central e do Ministério da Fazenda de apertar a política fiscal. Nesse sentido, Campos Neto defendeu um aumento ainda maior da austeridade nos gastos do governo para ajudar a conter a economia. (Fabio Graner)
Mais do que o dado específico que mostra um crescimento muito forte, devemos saudar o fato de o Banco Central, seguindo o exemplo do Serasa, tenha lançado um índice que tenta antecipar os dados do PIB mês a mês. O IBC-Br, aponta uma forte aceleração na casa dos 10% no acumulado do trimestre. O novo índice da Serasa, PIB Mensal, apontou um crescimento um pouco mais modesto, de 7,3% no primeiro bimestre, dado que me pareceu um pouco 'pessimista'.
Recentemente fiz uma previsão também na casa dos 10%, avaliando o forte crescimento da indústria (18,1%) e do Varejo (15,6%), segundo dados do IBGE no primeiro trimestre. Alguns números podem confundir, já que temos diversas formas de divulgar o PIB, de acordo com a base de comparação escolhida. Nesse momento, temos um forte impacto nos investimentos, mesmo que possa, para avaliação de muitos analistas, não estar sendo suficiente para atender a demanda. A geração de empregos recorde no trimestre tem um efeito muito forte nesse indicador. Alguns exemplos são muito claros, como o dos supermercados, cujas vendas cresceram 15%; o consumo aparente do aço mais de 60%; as vendas de papel ondulado, indicador importante, usado nas embalagens, mais de 20%.
Espero que o Banco Central antecipe um pouco mais o anúncio do IBD-Br, para que possamos ter um diagnóstico mais rápido da economia, o que agiliza a tomada de decisões, as correções de rumos. Com o PIB trimestral oficial divulgado 70 dias após o calendário, os analistas são geralmente surpreendidos justamente pala falta de índices antecedentes confiáveis.
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