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POLÍTICA Segunda-feira, 24 de Maio de 2010 - 10:15 22 de maio de 1959 – Eclode a Revolta das Barcas
Às 8h30 da manhã, uma explosão popular em cadeia foi iniciada na Praça Araribóia, em Niterói. Uma multidão de cerca de três mil pessoas estava aglomerada na praça à espera de barcas que a levasse para o Rio de Janeiro. Neste dia, o serviço havia sido drasticamente reduzido pela companhia privatizada que administrava as barcas, não dando vazão à demanda de aproximadamente 100 mil passageiros por dia. O atraso dos veículos e a truculência dos fuzileiros navais para com a população aumentou o clima de agitação e insatisfação, eclodindo em uma revolta popular que, ao fim do dia, deixou seis pessoas mortas e 118 feridas.
A multidão, irritada com uma rajada de metralhadora disparada ao alto por alguns dos 150 fuzileiros navais que se encontravam no local, invadiru a estação das barcas quebrando tudo o que via pela frente, incendiando a frota de barcas e arremeçando pedaços de móveis e embarcações à rua para serem incinerados.
Minutos após terminada a invasão da estação, foi ouvida uma voz destoante em meio à confusão de vozes e gritos que ecoavam na praça: “Vamos queimar a casa desses ladrões!”. E, imediatamente, os revoltosos marcharam para o Bairro da Fonseca, local em que a família Carreteiro, dona da companhia que administrava as barcas, morava. Ao chegar lá, a população destruiu e incendiou os três palacetes que pertenciam a José Carreteiro e aos seus filhos. Ao fim da ação, encontrou-se escrito em uma das paredes: “Aqui jazem as fortunas do Grupo Carreteiro, acumuladas com o sacrifício do povo”.
O Grupo vinha aumentando as tarifas das passagens alegando prejuízo e falta de subsídio do governo, que se recusava a repassar mais verba aos Carreteiro ao observar o crescimento progressivo e absurdo dos seus patrimônios pessoais. Um dia antes da revolta, funcionários das barcas fizeram uma greve pedindo melhorias nas condições de trabalho e aumento do salário, o que contribuiu para a redução do número de embarcações no dia seguinte. Como consequência da revolta, o governo assumiu a administração das barcas, fazendo uma série de melhorias até 1990, quando a companhia foi novamente privatizada.
Em uma das cenas mais inusitadas daquele dia, populares saquearam a casa da família Carreteiro, no bairro do Fonseca, atirando móveis e eletrodomésticos pela sacada. Improvisou-se então, em pleno mês de maio, um carnaval a fantasia, com homens desfilando pelas ruas com roupas femininas retiradas dos armários e cômodas jogados na calçada.
Logo após a Revolta, o presidente Juscelino Kubischewski estatizou o transporte maritmo entre Niterói e a então Capital Federal e iniciou a construção de novas embarcações, essas que navegaram por pouco mais de 40 anos pelas águas da Baía de Guanabara. As amplas barcas panorâmicas de dois andares só foram substituídas, na primeira década do século XXI, por modernos e confortáveis catamarãs, tão necessários à correria da vida moderna. Pena que nos separam do mar e escondem a paisagem acalentadora.
O antropólogo Claude Lévi-Strauss e os engenheiras das Barcas S.A., não gostam da baía de Guanabra.
Sobre o tema, recomendo o livro "A Revolta das Barcas – Populismo, violência e conflito político", de Edson Nunes.
Leia mais:
Uma rebelião que deixou seis mortos e entrou para a história
Confira algumas fotos do Globo
A Revolta das Barcas e suas lições
Marcadores:
Niterói,
Revolta das Barcas
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( IMPRIMIR ) | ( PÁGINA INICIAL ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
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1 comentário
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Comentário de Sergio Telles | 25/5/2010 - 08:01 | http://http://stelles.blogspot.com
As barcas construídas nos anos 50 e 60 ainda operam para a Ilha do Governador, Paquetá, na ligação entre Angra/Mangaratiba e Ilha Grande e em alguns horários ainda entre Rio e Niterói.
Excelente lembrança, o serviço continua uma porcaria, muitos atrasos, já houve uma pequena revolta uns 2 anos atrás com moradores da Ilha do Governador, por conta de uma péssima barca chamada "Imbuhy" que levava 1:30 para fazer a ligação que as demais fazem em 45 minutos.
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