POLÍTICA Terça-feira, 01 de Junho de 2010 - 10:50 Produção industrial cresce 17,4% em abril
Resultado veio dentro das estimativas dos analistas; na comparação com o março, produção registrou queda de 0,7%
Agência Estado - A produção industrial cresceu 17,4% em abril ante o mesmo mês de 2009, segundo divulgou nesta terça-feira, 1, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção de bens de capital (que inclui máquinas e equipamentos) subiu 36,3% na comparação com abril do ano passado em abril ante março e aumentou 2,4% ante março. No ano, a produção dessa categoria acumula alta de 28,7% e em 12 meses, queda de 3,7%. No acumulado deste ano, houve expansão de 18%
Entre as categorias de uso pesquisadas, houve queda, ante o mês anterior, na produção de bens de consumo semi e não duráveis (-0,8%). Na mesma comparação, houve aumento na produção de bens de consumo intermediários (0,5%) e bens de consumo duráveis (0,5%). Ante igual mês do ano passado, os resultados nas categorias foram os seguintes: intermediários (17,8%); duráveis (20,9%) e semi e não duráveis (7,9%).
O índice de média móvel trimestral da produção industrial, importante indicador de tendência, registrou aumento de 1,4% no trimestre encerrado em abril, ante o terminado em março. O resultado mostra uma pequena desaceleração em relação ao índice de média móvel de março (2,1%).
O índice de abril foi sustentado pelo crescimento em vinte e cinco das vinte e sete atividades e 73% dos produtos pesquisados. Entre os setores, as maiores influências positivas sobre a taxa global vieram, por ordem de importância, de veículos automotores (32,2%) e de máquinas e equipamentos (47,8%), ambos impulsionados pelos índices positivos em mais de 80% dos produtos investigados nos respectivos setores.
Ainda no confronto com abril do ano passado, os índices foram positivos para todas as categorias de uso, com bens de capital (36,3%) registrando ritmo de expansão bem superior ao da indústria geral (17,4%). Esse resultado foi sustentado pelos subsetores bens de capital para equipamentos de transporte (35,0%), bens de capital para construção (208,5%) e bens de capital para uso misto (34,0%). Vale destacar, também, o desempenho positivo de bens de capital para fins industriais (34,2%), que assinalou nesse mês a taxa mais elevada da série histórica. O segmento de bens de consumo duráveis (20,9%) cresceu impulsionado pelos eletrodomésticos (47,9%).
O desempenho de bens intermediários ficou 17,8% acima do de abril de 2009 e foi influenciado pelo comportamento positivo de todos os seus subsetores, com destaque para os produtos associados às atividades de metalurgia básica (30,8%), veículos automotores (38,5%), indústrias extrativas (17,4%), outros produtos químicos (16,7%), produtos de metal (40,9%) e borracha e plástico (21,5%). O segmento de bens de consumo semi e não duráveis avançou 7,9% frente a igual mês do ano anterior sustentado pelo crescimento em todos os seus subsetores: alimentos e bebidas (7,3%), semiduráveis (11,7%) e carburantes (9,9%).
Dado de março é revisado para cima
O IBGE divulgou revisões nos dados da produção industrial de março. O resultado de março de 2010 ante fevereiro do mesmo ano passou de 2,8% divulgados anteriormente, para 3,4%. O dado de março de 2010 comparativamente a igual mês do ano anterior foi revisado de 19,7% para 20,2%.
O economista da coordenação de indústria do instituto, André Macedo, explica que as revisões ocorreram especialmente por causa de retificações de dados feitas por empresas informantes da categoria de bens de capital. Os resultados dessa categoria foram revisados de 3,0% para 4,1% em março ante fevereiro e de 38,4% para 40,3% na comparação com março do ano passado.
Não há muito o que comentar, pois os números falam por si.
Os dados da produção industrial de abril são muito bons e sustentam as previsões mais otimistas para a economia brasileira em 2010. Destaque para o setor de bens de capital em todos os seus subsetores, entre eles o de material de construção que cresceu impressionantes 208% em um ano. São números que confirmam o vigor dos investimentos industriais, sinalizando que o país pode no médio prazo garantir um crescimento sustentável, sem pressões inflacionárias.
A revisão dos dados de março, faz aumentar a aposta sobre o PIB do primeiro trimestre que será anunciado pelo IBGE no próximo dia 8.
Para o ministério da Fazenda, o recuo da produção industrial em relação a março indica que pode ter sido precipitação do mercado ao defender uma alta de juro de até um ponto percentual na última reunião de Copom com base nos indicadores do primeiro trimestre. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, em conversa com a equipe econômica, está convencido de que os analistas se equivocaram ao terem usado como parâmetro os dados do primeiro trimestre para fazerem uma previsão do desempenho do PIB no ano todo. Mantega vai recomendar cautela aos analistas – ele não vai falar no Banco Central – nas próximas previsões de alta dos juros.
Mantega, é claro, tenta colocar um pouco de água fria nas expectativas para que o mercado não pressione tanto a Banco Central a aumentar a taxa básica de juros. É sempre bom lembrar que o mercado, por necessidade, faz projeções de longo prazo e o Copom se reúne de 45 em 45 dias para refazer todas as contas nacionais. No mês de junho, os diretores do Banco Central se reunirão já com os dados do PIB do primeiro trimestre na mão, o que torna qualquer previsão precipitada.
Precisamos ficar de olho nos dados de investimentos, que estão vindo fortes, e nos índices de inflação do atacado, que estão muito pressionados pelos preços do minério de ferro. Uma boa pergunta é qual o grau de disseminação desse setor para o conjunto da economia.
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