POLÍTICA Sexta-feira, 11 de Junho de 2010 - 13:03 Venda de papelão ondulado sobe 22,49% em maio
O setor de papelão ondulado comercializou 228,372 mil toneladas em maio, o que representa uma expansão de 22,49% em relação a igual período de 2009, um recorde na série histórica que começa em 2004. O resultado ficou 9,73% acima do apurado em abril, conforme dados preliminares divulgados hoje pela Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO). A venda de papelão ondulado, que serve de matéria-prima para embalagens, é considerada um termômetro para desempenho da economia como um todo. A oscilação das vendas serve como indício das expectativas dos empresários, o que repercute no ritmo das encomendas e da produção do setor.
Em abril, de acordo com a ABPO, as vendas totalizaram 208,110 mil toneladas, segundo dado oficial atualizado pela entidade. No acumulado de janeiro a maio, as vendas do setor somaram 1,038 milhão de toneladas, expansão de 20,04% ante os primeiros cinco meses de 2009.
| mês |
2009 |
2010 |
| |
% |
% |
Jan |
-8,3% |
18,2% |
Fev |
-9,6% |
19,9% |
Mar |
-2,0% |
20,5% |
Abr |
-8,8% |
18,4% |
Mai |
-6,4% |
22,5% |
Jun |
-5,2% |
|
Jul |
-3,7% |
|
Ago |
0,4% |
|
Set |
5,0%
|
|
Out |
7,5% |
|
Nov |
13,4% |
|
Dez |
25,0% |
|
ANO |
-0,01% |
20,0% |
Após uma leve desaceleração em abril, as vendas de papelão ondulado voltaram a retomar, em maio , a aceleração registrada no primeiro trimestre. Era de fato difícil de imaginar que diante de tantas boas notícias no campo do emprego, do aumento de renda e do aumento de crédito, a demanda interna fosse desacelerar como gostariam muitos fiscalistas sádicos. Como escrevi aqui há alguns dias, é difícil desacelerar uma economia que cria 300.000 empregos formais por mês. E ainda mais se tratando de um país que tem uma enorme parcela da população ainda fora do mercado de consumo.
Hoje mesmo o IBGE anunciou que o emprego industrial no Brasil cresceu 3,3% em abril frente ao mesmo mês de 2009.
Uma pena que se instalou no Brasil uma verdadeira campanha contra o aumento da demanda interna, que cresce principalmente pelo maior poder de compra da população. Enquanto as vendas no varejo no Brasil crescem a taxas de 15%, nos EUA caíram 1,2% em maio e frente a uma base de comparação já reprimida pela crise internacional. Não se trata de um problema a ser combatido, mas da solução para nossos problemas. É evidente que não se pode deixar que seja criado um abismo entre oferta e demanda, mas é uma crença achar que o empresariado vai investir sem crescimento da demanda.
Reprimir demanda significa reprimir investimentos. Só sairemos desse círculo vicioso com segurança para o investidor. À política monetária cabe a tarefa de manter esse equilíbrio e é preciso reconhecer que o Banco Central vem obtendo resultados importantes. Não adianta comparar a taxa de juros no Brasil com a de outros países sem também comparar todas as variáveis levadas em conta na hora de decidir a taxa de juros. Esse país já teve Selic com média na casa dos 20% e não por pressão da demanda, mas por pura necessidade de financiamento de sua farra fiscal.
Temos hoje um bom problema e estamos perseguindo melhores condições para os investimentos, mas sem punir quem mais precisa ser beneficiado em tempos de recuperação. O Brasil caminha muito bem obrigado.
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