POLÍTICA Quarta-feira, 16 de Junho de 2010 - 08:06 Após três décadas, subúrbio do Rio volta a atrair lançamentos
Folha - Alvos de favelização e esvaziamento econômico, bairros da zona norte do Rio de Janeiro voltaram a receber, nos últimos anos, lançamentos imobiliários após quase três décadas. Fora do mapa das construtoras, locais como Vila da Penha, Benfica, Parada de Lucas, Madureira, Pavuna, entre outros, ganharam empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida. "Já havia a tendência, mas o programa acelerou muito os lançamentos no subúrbio", diz Rogério Chor, presidente da Ademi (Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário).
Para Marcos Saceanu, diretor da construtora CHL (uma das líderes no Rio), como os bairros já possuíam infraestrutura de transporte, comércio e serviços, os moradores não queriam sair deles. "O problema era o acesso ao financiamento."
Grandes construtoras se interessaram pela zona norte. A Rossi lançou 1.100 unidades do Minha Casa, Minha Vida e 1.500 fora do programa. A Tenda, marca popular da Gafisa, empreendeu 1.600 novas unidades entre 2009 e abril deste ano na região. A Living (braço popular da Cyrela) comprou terrenos no subúrbio e em cidades do Grande Rio como Belford Roxo, Nova Iguaçu e Duque de Caxias. Pretende erguer 10 mil novas unidades nos próximos 12 meses pelo Minha Casa, Minha Vida. A construtora já colocou no mercado quatro empreendimentos com esse perfil no Rio de Janeiro.
"Foram quase 30 anos de desinvestimento no subúrbio, região que voltou a ser atrativa", diz. Segundo Chor, os terrenos no subúrbio carioca já valorizaram 20% desde 2006, quando começou a retomada das construções na região. Em São Paulo, o preço dos imóveis prontos subiu, em média, 27% em dois anos.
As construções nas periferias e nas cidades do entorno das capitais, diz Chor, tiveram um primeiro impulso com a alta da renda -que fez renascer uma classe média baixa emergente- e a ampliação do crédito imobiliário dos bancos privados. A tendência, porém, ganhou ainda mais fôlego com o Minha Casa, Minha Vida. A julgar pelo avanço de 51% na concessão de crédito à habitação em abril, ainda há muito espaço para a expansão de lançamentos imobiliários e a consequente valorização dos terrenos.
Segundo Alexandre Calazans, da Living, os empreendimentos do programa só são viáveis com construções de edifícios padronizados (o que permite custo menor) e em grandes terrenos. "O retorno nessas construções é menor, por isso é preciso ter volume", diz Chor. Para Romário Fonseca, gerente da corretora Lopes, o programa federal atrai moradores de áreas invadidas e com posse irregular da terra.
"Começam a surgir grandes empreendimentos às margens de favelas. Com o subsídio do programa, elas podem sonhar em sair das comunidades."
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