POLÍTICA Sábado, 26 de Junho de 2010 - 11:12 Para BC, economia brasileira cresceu 10,87% em abril
IBC-Br foi criado para tentar antecipar o resultado do PIB. Ante março, , com ajuste sazonal, índice avançou 0,27% no 16º mês seguido de elevação.
O Índice de Atividade Econômica da instituição (IBC-Br) do Banco Central, divulgado nesta quarta-feira (23), mostra que a economia brasileira continuou a se acelerar em abril deste ano. No mês retrasado, o indicador (após ajustes sazonais) registrou aumento de 0,27% frente a março. O índice vem crescendo desde janeiro de 2009, ou seja, há 16 meses.
Os números do BC mostram que a atividade cresceu fortemente de janeiro a abril deste ano, na comparação com igual período do ano passado. Nesta comparação, o indicador avançou 10,5%, também após ajustes sazonais. Na comparação de abril deste ano, contra o mesmo mês de 2009, o crescimento do IBC-Br foi de 10,87%. O IBC-Br é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) e ajudar a autoridade monetária na definição da taxa básica de juros (Selic).
Nova medida
O Banco Central explicou que o IBC-Br "constitui uma medida antecedente da evolução da atividade econômica". Antes divulgado por estados, e por regiões, desde o início deste ano o indicador passou a ser calculado com abrangência nacional. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além dos impostos. "A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores da economia acrescida dos impostos sobre produtos, que são estimados a partir da evolução da oferta total (produção importações)", explicou o Banco Central, em seu último relatório de inflação.
IBC-Br X PIB
Em maio, antes da divulgadação do resultado do PIB, o BC informou que o IBC-Br avançou 9,84% no primeiro trimestre, sobre igual período do ano passado. Posteriormente, o IBGE informou que o PIB avançou 9% nesta comparação. Também antes da divulgação do resultado do PIB, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, informou que o indicador do nível de atividade da instituição vinha mostrando "grande aderência" (proximidade) com os resultados do Produto Interno Bruto (PIB).
Se alguém tinha ainda dúvidas a respeito dos motivos pelo quais o Copom teria elevado em 75 pontos a taxa Selic na última reunião, está aqui a resposta. Ao contrário do que muitos esperavam, a atividade econômica permaneceu aquecida em abril, mesmo considerando a retirada dos estímulos tributários ao consumo de bens de consumo duráveis. Como escrevi há alguns dias, "é difícil desacelerar uma economia que cria 300.00 postos de trabalhos formais por mês".
E se houve alguma acomodação na margem, frente ao mês de março, os dados antecedentes de maio já mostram uma recuperação consistente.
Não adianta vir com o lero de que o Brasil tem a maior taxa de juros do mundo, sem levar em conta que nesse momento a autoridade monetária pode justificar a alta de juros como contraponto à forte demanda interna, ao contrário da década pasada, quando os juros na casa até dos 40% eram elevados para controlar a fuga de capitais.
Segundo dados antecedentes do IBGE, o mês de abril apresentou um crescimento da produção industrial de 17,4% enquanto o comércio varejista avançou 9,1%. O consumo aparente de aço, indicador importante do nível de invesimentos, avançou 70,9% naquele mês, já as vendas de papel ondulado, indicador de consumo, mais de 20%. Além disso, foram criados 305.000 postos de trabalho formais.
São dados que vão ao encontro da estimativa do Banco Central. E repito, não há o que temer. O crescimento é sustentável na medida em que se baseia no aumento dos investimentos, no crescimento dos postos de trabalho e no equilíbrio fiscal. Alguns especialistas argumentam que as transações em conta corrente estão próximas do descontrole, o que não é verdade. Temos um problema sazonal de queda da oferta de capital produtivo dos nossos parceiros da Europa, mas que não pode ser projetado no longo prazo. Ao contrário, quando a economia européia voltar a acelerar, o Brasil certamente será um dos alvos prioritários.
Com a produção industrial e os investimentos crescendo mais que o consumo, em poucos meses as importações vão desacelerar recompondo o superávit da balança comercial. São processos dinâmicos que dependem antes de tudo do crescimento da demanda, que é, no final das contas, o combustível que move a economia.
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