|
|
| |
| |
|
|
|
| |
|
| |
ÚLTIMOS 200 POSTS DO BLOG
|
|
| |
|
|
|
POLÍTICA Segunda-feira, 28 de Junho de 2010 - 18:14 Importação em alta será natural daqui em diante
Esse artigo do economista Sérgio Vale, da MB Associados, completa a matéria O Brasil nunca importou tanto
O Estado de S.Paulo - Com a recuperação da economia, voltou a discussão sobre o crescimento das importações. Assim como em 2008, dessa vez os dados de nossas compras externas mostram uma expansão de praticamente todos os itens da pauta de importação. Ainda há disparidade entre os segmentos quando comparamos com o imediato pré-crise. De fato, os dados dessazonalizados do quantum de importação de bens de capital ainda mostram queda de 13% comparados com o pico atingido em agosto de 2008. Em compensação, o quantum de importação de bens de consumo duráveis cresceu 8,4% em relação ao pico alcançado em julho de 2008.
Esse comportamento não é igualmente seguido pela produção industrial, em que se nota uma queda concomitante de 4,7% na produção industrial de bens de consumo duráveis. No caso de bens de capital, tanto a produção quanto a importação estão em recuperação.
Precisamos tanto de produção doméstica quanto de importação desses produtos. No caso dos bens de consumo de duráveis, há um crescimento mais forte da importação do que da produção. Mas, antes que as velhas teses de substituição de importação ou o apelo ao câmbio desvalorizado comecem a aparecer, vale uma análise mais detalhada do padrão de crescimento que estamos entrando agora.
Primeiro, os riscos de crescimento exagerado de importação não devem vir dos bens de consumo. Em janeiro de 2008, 10,8% da importação acumulada em 12 meses era de bens de consumo, enquanto nos 12 meses até abril deste ano essa proporção passou para 13,8%, muito pouco ainda para se tornar um problema. A maior parte das importações continua sendo bens de capital e insumos, com 71,8% do total importado, mas não foi em cima dessa conta que o consumo ganhou espaço, mas sim da importação de combustíveis.
Segundo, em que pese termos ainda uma pauta de importação muito concentrada em bens que tornam nossa indústria mais eficiente, é verdade também que o padrão de crescimento da economia brasileira nos próximos anos demandará um crescimento das importações. Estamos entrando num padrão de crescimento diferente do observado entre 2003 e 2008, quando o mundo crescia num ritmo mais forte que o Brasil e as exportações conseguiam crescer mais que as importações. Agora, o padrão deverá ser de o Brasil crescer em ritmo mais veloz que o mundo. Será natural vermos uma expansão forte das importações por causa disso. Mas isso tudo significa dizer que a importação em geral deverá ser um complemento da produção, como, aliás, temos visto em bens de capital e produtos intermediários.
Terceiro, apelar ao câmbio para ajudar indústrias que devem perder espaço não é solução, apenas paliativo. E nem se deveria esperar das mudanças cambiais chinesas algo muito positivo para as importações, já que não se deve trabalhar com um cenário de valorização da moeda chinesa acima de 5%. Ajudaria muito mais para esses setores e toda a economia melhorias de competitividade em custos logísticos e tributários menores.
Enfim, importações em alta serão algo natural para a economia brasileira nos próximos anos e o risco que se corre é tentar minimizar isso achando que apenas um câmbio depreciado resolveria.
Como comentou a jornalista Raquel Landim, do Estadão, "o País saiu da crise e está crescendo muito, mas muito mais rápido que os países ricos. Em economias de câmbio flutuante, são os diferenciais de crescimento que determinam o fluxo de comércio". Como essa diferença deve continuar por algum tempo, é bom o Brasil se acostumar com as importações. Em muitos setores não tem capacidade produtiva para atender a demanda suprida pelas importações, principalmente para insumos e equipamentos. Qualquer tentativa de controlar o câmbio terá impacto inflacionárioe prejudicar os investimentos.
Respondendo críticos que acreditam em um suposto apagão de infraestrutura, o Luís Nassim escreveu em Os gargalos como fator de desenvolvimento:
O que são os gargalos? Demanda não atendida. Se se tem a demanda e ela não foi atendida, significa que existe um mercado (a demanda reprimida) à espera de um investimento. Ou seja, o que deflagra os investimentos e o crescimento são justamente os gargalos. São esses gargalos que estimulam investimentos, treinamento de mão-de-obra, tira governo e setor privado da inércia.
Como concordei em gênero, número e grau, pedi licença para editar e responder aos que acreditam, como ele, em um suposto 'apagão cambial e fiscal'.
O que é o aumento das importações? Demanda não atendida e compra de insumos. Se se tem a demanda e ela não foi atendida, significa que existe um mercado (a demanda reprimida) à espera de um investimento. Ou seja, o que deflagra os investimentos e o crescimento será justamente o aumento das importações de produtos e insumos. Será o aumento das importações que estimulará investimentos, tirando setor privado da inércia.
Detalhe, o Nassif não gostou ... como eu esperava.
Os terrorismos econômicos em geral, são criados por aqueles que valorizam em excesso uma determinada variável, quando deveriam analisar o todo. E como economia é uma ciência ideológica, cada linha destaca uma variável como ‘fundamental’. Desse modo, se determinada variável apresenta algum tipo de desequilíbrio, mesmo que temporário, pronto, estamos próximos ao muro. A candidata Dilma foi muito feliz ontem na Rede TV (apesar de apresentar um dado equivocado) quando mostrou que na crise fiscal de FHC 1.0, muito usada para comparações, com Serra no ministério do Planejamento, o Brasil fabricava seguidos déficts primários (por 4 anos e não 2), que duplicaram nossa dívida pública, que derreteram nossas reservas externas, nos levaram ao FMI e obrigava o Banco Central a elevar juros para fechar as contas. Não eram juros para equilibrar demanda, mas para evitar fuga de capitais. Uma hora nem assim a contra fechou.
Esse cenário não existe hoje. A variável cambial, assunto desse artigo, pode não estar no ponto desejado de equilíbrio, mas ao mesmo tempo em que o valor do real hoje não coloca em risco a política fiscal, se mostra importante para a manutenção da inflação controlada e do aquecimento do consumo interno. Ela ajuda a fazer a roda girar. E ao contrário do que pregam os terroristas de plantão, o déficit em transações correntes já mostra desaceleração. As exportações já começam a se recuperar, com o insipiente crescimento dos EUA e da Europa. Para um país que fez o dever de casa, um déficit na casa dos 2% do PIB, não assusta. Não podemos permitir que essa conta seja paga por quem mais precisa do Estado e por quem mais precisa consumir, para satisfazer suas necessidades básicas. Não é justo tirar de campo aquele jogador que entrou agora.
Marcadores:
Bens de capital,
Bens duráveis,
Consumo,
Importação,
Investimentos
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( IMPRIMIR ) | ( PÁGINA INICIAL ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
|
|
|
|
3 comentários
|
| |
Comentário de daSilvaEdison | 29/6/2010 - 18:29 |
Ufa, Não consigo postar links?
Matéria do Correio Brasiliense:
"Apesar da explícita carência do Brasil na área de infraestrutura, o país ainda conseguiu aparecer na lista dos 100 melhores empreendimentos sendo tocados ou prontos para saírem do papel mundo afora."
E a do Globo sobre o Irã, chupada do Blog do Moreno:
"Seguindo as taxas de crescimento alcançadas nos últimos anos, muito em breve o Irã assumirá uma posição de liderança no desenvolvimento científico e tecnológico regional."
Abraços
Comentário de daSilvaEdison | 29/6/2010 - 14:59 |
Ale, E mais uma, essa agora para entender a pressão do "mundo civilizado" sobre os Persas: "O Irã vai ser líder em tecnologia" (Prof. Wanderley de Souza)
Abraços
Comentário de daSilvaEdison | 29/6/2010 - 14:46 |
Ale, O forfé demotucano anda embotando seu seu olho clínico? Comprometendo seu faro? Pois veja o que saiu hoje no CB:
"B?r?a?s?i?l? ??d??á? ???e??x?e?m?p?l?o? ??n?a? ?i?n?f?r?a?e?s? t?r?u?t?u?r?a???"
?"Seis empreendimentos aparecem na lista dos melhores projetos em andamento no mund?o???"
Sobre um dos projetos, veja o que dizia a FSP:
"Encalhado- Está parado no porto cearense de Pecém o Golar Spirit, navio da Petrobras com 75 mil metros cúbicos de gás natural liquefeito."
O artigo do CB merece a sua atenção. (Sobre o tema, postei comentário hoje no FP do Nassif)
Abraços
|
|
|
|