POLÍTICA Sexta-feira, 02 de Julho de 2010 - 08:24 Produção de máquinas tem a 14ª alta consecutiva
Dados do setor de bens de capital refletem avanço de investimentos das empresas. Em maio, produção geral da indústria ficou estável, mas resultado acumulado do ano tem crescimento de 17,3%
Em seu conjunto, a indústria estagnou de abril para maio, mas o detalhamento dos dados mostra um avanço na produção de bens de capital, sinal do crescimento dos investimento na economia. A categoria que agrega a produção de máquinas e equipamentos cresceu 1,2% na comparação livre de influências sazonais -a 14ª taxa consecutiva de expansão.
Já o total da indústria -afetada pela freada na produção de bens de consumo- mostrou estabilidade de abril para maio. Por outro lado, registra alta de 14,8% na comparação com maio de 2008 -sob influência da fraca base de comparação dos cinco meses iniciais de 2009. De janeiro a maio, a indústria acumula avanço de 17,3% -o maior para o período desde o início da pesquisa do IBGE, em 1991. Passada a crise, as indústrias voltaram a investir no "aumento de capacidade produtiva", diz André Macedo, economista do instituto.
Com abertura de novas unidades, ampliações e modernizações, a capacidade instalada cresce, e cai o risco de pressão inflacionária. De olho nos dados da indústria, o Banco Central calibra sua política monetária e poderia até optar, diante da retomada dos investimentos, por alta mais branda dos juros.
Dentre os bens de capital, os destaques, em maio, ficaram com os destinados à construção civil, à própria indústria e ao transporte. Já a queda de bens de consumo semi e não duráveis (-0,9%) reflete a menor produção de gasolina, com da parada de refinarias e da retração pontual do setor farmacêutico e de alimentos.
IEDI prevê alta de 11% da indústria
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) trabalha com uma previsão de crescimento para a produção industrial entre 10% e 11% neste ano. O economista da instituição, Rogério César de Souza, explica que, junto com os incentivos tributários do governo a setores produtivos como o automotivo, moveleiro e de eletrodomésticos da linha branca, a forte tendência de investimentos contribuirá para que a indústria volte de vez ao grau de crescimento pré-crise financeira mundial.
"A impressão que temos, dado um cenário de investimentos cada vez mais forte, queda do desemprego e renda em alta, é que o mercado vai continuar aquecido e favorecendo a indústria."
Para Souza, entretanto, um segmento da indústria preocupa: o de transformação. "A indústria de transformação está com déficit alto. Estamos importando mais do que exportando bens manufaturados e, de 1970 a 2009, ela perdeu cinco pontos percentuais na proporção com o PIB nacional."
Para IEDI, é melhor para a economia brasileira que a indústria produza menos
Apesar de a indústria ter mantido, em maio, o mesmo patamar de produção verificado em abril, registrando, portanto, crescimento zero, é saudável para a economia brasileira que as fábricas tenham um ritmo menor, a partir do segundo semestre. Essa é a avaliação do economista do IEDI, Rogério César de Souza. Para ele, é prejudicial que a indústria imprima uma toada de superaquecimento, como vem sendo definida por algumas linhas de pensamento econômico no país. Produzir demais significa elevar o Uso da Capacidade Instalada da unidade fabril e, consequentemente, gerar uma oferta de produtos acima do que suporta o consumo.
"Crescimento menor tem um ponto positivo, porque relativiza a tese de que a indústria vive um superaquecimento. Acreditamos que o setor irá retomar o nível de produção pré-crise no segundo semestre, mas numa média mensal entre 1,2% e 1,5%, abaixo da média de 2% do primeiro trimestre", diz Souza. "A indústria nos próximos trimestres vai se arrefecer, mas não significa que vai se comportar negativamente daqui para frente. Menos crescimento do ritmo de produção traz mais equilíbrio e afasta pressões inflacionárias. Isso é um bom sinal, porque exclui o risco de um crescimento explosivo."
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