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POLÍTICA Quarta-feira, 07 de Julho de 2010 - 11:42 Luciano Coutinho: "BNDES contribui com estabilidade"
Coutinho: o estímulo quase fiscal concedido por meio do BNDES contribui para a alta taxa de crescimento do crédito
Valor Econômico - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, rebateu críticas de que o nível recorde de empréstimos do banco está atrapalhando a política monetária e freando a redução da dívida pública.
Coutinho disse que o crédito concedido pelo BNDES ajuda a aumentar o investimento, o que significa mais oferta e uma conciliação entre crescimento e estabilidade de preços.
A afirmação de que os financiamentos do BNDES podem levar a uma taxa Selic mais alta, porque reduzem a eficiência da política monetária, foi feita pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em entrevista exclusiva publicada na edição de ontem do Valor.
"Daqui para a frente, a nossa expectativa é "sharing the burden" (repartição dos encargos) entre o BNDES e o mercado, mas nós precisamos fazer isso de uma maneira gradualista", disse ele. "Se o BNDES se retirar abruptamente, o custo do capital para o investimento vai subir muito."
O volume recorde de financiamentos do BNDES a taxas inferiores às praticadas pelo mercado tem gerado críticas. A Fitch Ratings disse em 28 de junho que a expansão do crédito do banco estatal está pressionando a autoridade monetária.
"A continuidade do estímulo quase fiscal por meio do BNDES está contribuindo para uma alta taxa de crescimento do crédito," Shelly Shetty, chefe da área de crédito soberano da Fitch para a América Latina, escreveu num relatório. Isso está "colocando um peso adicional sobre a política monetária para limitar o excesso de pressões de demanda doméstica e para evitar uma redução mais rápida da carga da dívida total do governo."
Segundo Coutinho, os empréstimos do BNDES têm impacto fiscal positivo porque a receita fiscal gerada pelo aumento da produção é maior que o subsídio das taxas de juros do crédito. O presidente do BNDES descarta um aumento da Taxa de Juros de Longo Prazo, hoje em 6%. (Laura Price/Claudio Belli)
Para desmontar a tentativa de intriga entre os membros do governo, particularmnte entre os presidentes do Banco Central e o do BNDES, segue o trecho da entrevista dada pelo Henrique Meirelles ao Valor.
Valor: Depois da crise, o governo aumentou o crédito direcionado para 33% do total. Isso não diminui a eficiência da política monetária?
Meirelles: Uma coisa é a efetividade da política monetária, que é função de uma série de outros fatores. O que dissemos no Relatório de Inflação é que, à medida que exista uma taxa de juros fixada fora do âmbito da política monetária, é plausível se pensar, embora não haja ainda uma comprovação empírica - nós estamos trabalhando no assunto -, que isso possa demandar uma taxa Selic um pouco maior do que seria o caso. Uma maneira de dizer isso seria que diminui a eficiência da política monetária. Eu prefiro dizer que é possível, é plausível pensar, que possa demandar uma Selic um pouco maior.
Valor: A conta do crédito direcionado é repassada, então, a toda a sociedade?
Meirelles: Essa é uma definição da sociedade brasileira através do seu governo democraticamente eleito. O governo entende que alocar uma parte dos recursos, por exemplo, para o investimento na atividade industrial e na agricultura, compensa o que pode ser um maior custo da Selic para a sociedade. Essa não é uma decisão do Banco Central.
Para bom entendedor meia palavra basta, imagina com a fala de dois dirigentes responsáveis. É óbvio o efeito monetário da capitalização do BNDES; ninguém duvida que o aumento dos investimentos produtivos aumente num primeiro momento a demanda afetando os índices inflacionários. A questão é que não se governa focando apenas para uma variável envolvida. E o Meirelles deixa muito claro quando afirma: "O governo entende que alocar uma parte dos recursos, por exemplo, para o investimento na atividade industrial e na agricultura, compensa o que pode ser um maior custo da Selic para a sociedade. Essa não é uma decisão do Banco Central."
É uma decisão de governo sacrificar por um momento a política monetária em prol dos investimentos produtivos, que no longo prazo afetarão positivamente a política monetária. O Banco Central tem o dever de proteger a moeda, sim, mas quem define os rumos da política de investimentos é o conjunto da equipe econômica, liderada pelo presidente.
Sem o BNDES investindo forte nesse momento, os gargalos serão ainda maiores no futuro próximo e a corda vai arrebentar da mesma forma no Banco Central. Se os investimentos do BNDES, o país será obrigado a dar um freio de arrumação, é a volta da política da roda presa. Não há nesse aumento de demanda risco de contaminação para os preços do varejo, ao contrário, investir é a ÚNICA solução, pois contribui com a estabilidade.
E quanto ao um suposto conflito entre o BC e o BNDES, diria que sem atrito, não há movimento. Na verdade tudo não passa de um debate ideológico que ajuda a animar as páginas de blogs e jornais. No governo, tem quem arbitre.
No Valor de 7/7, A troca de farpas que não existiu.
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Marcadores:
BNDES,
Crédito,
Investimentos
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( IMPRIMIR ) | ( PÁGINA INICIAL ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
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