POLÍTICA Quarta-feira, 14 de Julho de 2010 - 17:24 Crédito imobiliário com recursos da poupança cresce 87% em maio
O Globo - O volume de empréstimos imobiliários com recursos da poupança cresceu em maio 87% em relação ao mesmo mês do ano anterior, chegando ao patamar de R$ 4,25 bilhões, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Na comparação entre os cinco primeiros meses de 2009 e de 2010, o valor médio de financiamento saltou de R$ 107 mil para R$ 127 mil, o que, segundo o relatório, reflete a tendência de maior participação dos recursos das cadernetas de poupança nos financiamentos imobiliários devido à maior capacidade dos mutuários de tomar crédito.
As contratações entre janeiro e maio de 2010 somaram R$ 18,58 bilhões, valor 77% superior ao mesmo período de 2009. O número de unidades financiadas também aumentou, saltando de 19,7 mil, em maio de 2009, para 32,8 mil em maio de 2010, o que representa um crescimento de 66%. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano passado e deste ano, o total de imóveis teve um aumento de 50%, passando de 98,1 mil unidades para 146,8 mil.
De acordo com a Abecip, a projeção para este ano é de R$ 50 bilhões sejam emprestados para a compra da casa própria. A cifra representa uma alta de 47% na comparação com 2009, quando os empréstimos atingiram R$ 34 bilhões. A estimativa para este ano tem como ponto de partida a manutenção das condições de renda e crédito conjugada à retomada dos lançamentos por parte das construtoras.
De acordo a entidade, a estimativa é de que entre 400 mil e 450 mil unidades sejam financiadas, o que seria um "número sem precedentes na história do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo)".
PIB mensal de maio cresce 9,3%
A atividade econômica brasileira medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), mostrou, na comparação anual, que continua a crescer com bastante força. Em maio, a expansão foi de 9,39% sobre um ano antes. No acumulado do ano, de janeiro a maio, o crescimento está em 10,29% quando comparado com igual período de 2009. O IBC-Br mostrou estabilidade frente a abril de 2010.
O setor de construção civil tem muitos motivos para comemorar com o cenário que mistura juros menores, renda em alta, desemprego em queda e maior oferta de crédito. Nada que nos faça lembrar o vivido entre 1985 e 2005, quando o mercado se ressentia da falta de políticas públicas estimuladoras de sua atividade e era caudatária das incertezas que inibiram investimentos produtivos.
O chamado segmento econômico, representado por imóveis com preços até R$ 200 mil, tem ganhado cada vez mais espaço nas vendas das grandes construtoras. A Living, braço da Cyrela para esse setor, deve somar neste ano até 40% das unidades comercializadas por toda a empresa. Na Gafisa, por meio de sua subsidiária Tenda, a estimativa para este ano varia entre 40% e 45%, para atingir até 50% no próximo ano.
Para Antonio Guedes, diretor-geral da Living, o grande estímulo foi o programa "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal. "Foi o IPI do setor", compara ele, em referência à redução de impostos para veículos e eletrodomésticos de linha branca em 2009 e parte deste ano. A Cury, construtora que sempre atuou no segmento econômico, viu seu faturamento se multiplicar nos últimos anos. De R$ 65 milhões em 2007, pulou para R$ 130 milhões no ano seguinte e R$ 450 milhões em 2009. Para 2010, a previsão é de R$ 500 milhões.
Em maio, o nível de emprego no setor registrou novo recorde, de 2,69 milhões de trabalhadores empregados com carteira assinada. Naquele mês foram 45.031 trabalhadores. No acumulado dos primeiros cinco meses deste ano, o nível de emprego no setor registrou alta de 9,7%, segundo dados do levantamento mensal do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e da FGV. Em 12 meses, o emprego no setor aumentou 16,27%. A mão de obra empregada cresceu 50% de 2005 para cá, mas ainda faltam profissionais habilitados, engenheiros civis com boa formação e produção de tecnologia que acompanhe a velocidade do crescimento do setor.
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