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POLÍTICA Sexta-feira, 04 de Abril de 2008 - 15:55 Governo estuda medidas de comércio exterior
Entrevista - Guido Mantega
Valor Econômico - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o governo prepara um Programa de Aceleração das Exportações (PAE), que terá como ponto de partida a nova política industrial, mas não se restringirá a ela. Mantega negou, em conversa com o Valor, ontem, que esteja nas considerações da área econômica uma mudança do regime de taxa de câmbio flutuante em direção a um regime de metas para câmbio. "Isso é um total disparate. Nós não fizemos essa proposta, que conflita com o regime de metas para a inflação, que é um sistema muito bom, muito eficiente, que está funcionando no Brasil e estamos conseguindo cumprir as metas." A seguir, as principais considerações do ministro. [...]
[...] Essas idéias que estão circulando, de que nós estaríamos pensando em adotar um regime de metas para o câmbio, são totalmente equivocadas. Estou lhe dizendo que é um total disparate. Nós não fizemos essa proposta e ela conflita com o regime de metas para a inflação, que é um sistema bem-sucedido. Não há nenhuma razão para substituí-lo. O sistema que nós adotamos é o de metas de inflação com câmbio flutuante. Adotar o sistema de meta cambial é renunciar ao câmbio flutuante, que dá um bom resultado para o país. O Brasil já adotou um sistema de câmbio fixo, que é praticamente a mesma coisa que ter meta, e foi um total fracasso nos anos 90. Então, não há nenhum sentido, nenhuma intenção, nenhuma proposta, muito menos feita pelo Ministério da Fazenda, de adotar o sistema de meta cambial. Não se muda o que está dando resultado. [...]
[...] Demanda aquecida é motivo de satisfação, de contentamento. Você tem que ficar triste quando não tem demanda, porque ai a economia não cresce. Outra pergunta é se essa demanda é saudável, se é criada artificialmente, ou se ela vem do aumento do emprego, da massa salarial, da renda. A demanda é uma consequência do investimento, do consumo, e da demanda do governo. No nosso caso, tenho verificado, olhando com microscópio vários setores da economia , que estamos respondendo à altura dos desafios colocados pela demanda. A economia brasileira está aumentando a oferta e não está aumentando os preços. Os preços aumentaram na área dos alimentos, nas commodities, e muito pouco em serviços. Em 2007, os alimentos subiram 10%, liderados pelo feijão, o leite. Estamos inclusive vendo medidas para aumentar a oferta desses produtos. O setor de automóveis está vendendo mais, atendendo à demanda e subindo preços menos do que a média inflacionária. [...]
[...] Nos dizíamos que uma maneira de atenuar a valorização da taxa de câmbio é aumentar as importações e ter um superávit comercial menor. Isso tem que ir até certo ponto. Não é desejável que se caminhe para um saldo comercial apertado ou um déficit em transações correntes grande. Isso não é desejável e não permitiremos. Por isso a necessidade de fazermos o programa de aceleração das exportações que estamos preparando.
Leia a matéria completa no site do Valor Econômico
Marcadores: Câmbio, Comércio exterior, Demanda, Inflação
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( IMPRIMIR ) | ( PÁGINA INICIAL ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
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