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ESPORTES Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007 - 09:42 Os valores morais da elite e do povo
Interessante o post publicado no blog do Alon Feuerwerker sobre o estudo/livro com o título A Cabeça do Brasileiro, do sociólogo Alberto Carlos Almeida, que foram divulgados pela revista Veja. Segundo dados divulgados, o pesquisador chegou à conclusão de que "a parcela mais educada da população é menos preconceituosa, menos estatizante e tem valores sociais mais sólidos. A pesquisa é, sobretudo, a respeito da ética nacional ou das várias éticas que convivem no interior do país. Segundo o professor Almeida, os mais instruídos têm valores morais mais arraigados do que os menos instruídos."
Alon questiona, não os dados colhidos, mas a leitura dos mesmos.
"Talvez essa conclusão seja algo precipitada. Há uma diferença entre o que as pessoas acham e o que elas dizem que acham. As pesquisas sobre o uso da internet são um bom exemplo. Qualquer pesquisa com usuários de rede dá que as atividades mais freqüentes são trocar emails, ler notícias, fazer buscas e participar de comunidades. Mas quanto você analisa o tráfego na web a navegação em sites de sexo aparece sempre bem colocada. Só que as pessoas não gostam de admitir que navegam em sites de sexo. É arriscado ponderar a respeito do que vai pela alma humana a partir do que cada ser humano afirma a respeito de si próprio. Por isso, foi importante que a reportagem da Veja tenha ponderado que a pesquisa "não pretende revelar como agem" os brasileiros. Até porque, convenhamos, e já que se trata de discutir valores morais, o dinheiro usado para corromper agentes públicos sai é do bolso da elite econômica -ainda que a origem do dinheiro sejam os cofres públicos. Ou seja, quem pratica o grosso da corrupção ativa no Brasil, monetariamente falando, é a elite econômica. [...]
[...] E é razoável fazer alguma correlação entre elite econômica e elite intelectual. Pode haver exceções, mas quem tem mais estudo no Brasil tem também mais dinheiro, como mostra qualquer estatística. Temos então um paradoxo. Segundo o professor Almeida, a elite brasileira, apesar de ser a responsável pelo grosso da corrupção, afirma que a corrupção é condenável. Enquanto o povo, apesar de participar da corrupção apenas marginalmente, admite com mais tranquilidade a existência da corrupção. [...]
[...] As minhas dúvidas levam-me a adotar conclusões mais cautelosas e menos otimistas do que as da Veja. Ainda que fossemos todos mais instruídos, não sei se haveria menos corrupção e menos iniqüidade no Brasil. Certamente estaríamos todos os brasileiros, das diversas classes sociais, mais preparados para responder a pesquisas de um modo politicamente correto. Talvez só isso.
Vale a pena uma leitura completa do post
Veja também a entrevista com o autor da pesquisa Alberto Carlos de Almeida e com o historiador e antropólogo André Chevitarese da UFF, no programa Entre Aspas da Globonews. Assim como o Alon, Chevitarese questiona as conclusões divulgadas no livro. É um bom debate e bem atual.
Marcadores: Educação, Elite, Ética, Pesquisas, Preconceito
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( IMPRIMIR ) | ( PÁGINA INICIAL ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
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