MÚSICA Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012 - 00:50 No Barquinho, Maysa namora sim a Bossa Nova
Na capa, Maysa e o amigos num barquinho na enseada de Botafogo, RJ.
O polêmico namoro de Maysa com Ronaldo Bôscoli, que havia 'trocado' a musa Nara Leão, pela 'Deusa da Fossa', rendeu mais do que escândalos nos jornais e capas de revistas. Rendeu também um lindo LP, que segundo as palavras da própria cantora na contra-capa, 'acrescentava ao seu estilo romântico um toque moderno'. Mas talvez fosse ingênuo acreditar que a cantora de personalidade forte, fosse se influenciar musicalmente por uma paixão. A Bossa Nova estava se consolidando e a presença de uma artista consagrada não seria nada mal para o movimento. Os críticos é que não esperavam esse 'estranho afair musical', partindo de uma cantora com um público já consolidado. Mas ela tinha cacife para ousar.
Em 1958, já desquitada de seu primeiro marido que não apoiava sua carreira artística, Maysa mudou-se para a então Capital Federal, contratada pela TV Rio, com um programa só seu. No mesmo ano lançou com muito sucesso o LP 'Convite Para Ouvir Maysa Nº 2', com seu repertório tradicional, contando com composições suas, de Dolores Duran - 'Meu Mundo Caiu', o maior sucesso do ano -, de Ribamar, entre outros; mas já incluía uma canção de Tom Jobim, 'Caminhos Cruzados', parceria com Newton Mendonça. O arranjo era de um samba-canção, mas era um Jobim. O disco tornou-se campeão de vendas, a carreira e a popularidade de Maysa seguiam em crescente ascensão, tornando-se ainda em 1958 a mais bem paga cantora do Brasil.
'Voltei', álbum que Maysa gravou em 1960, apresenta alguma influência da Bossa Nova, principalmente em 'Meditação' (novamente Tom Jobim e Newton Mendonça) e 'Cheiro de Saudade' (Djalma Ferreira e Luís Antônio). Mas ainda é um disco de sambas-canção. Definitivamente, Maysa não podia ser considerada uma 'bossanovista' puro sangue. Outras cantoras estavam à sua frente. Sylvia Telles, por exemplo, já havia gravado, em 1959, dois álbuns inteiramente dedicados a Tom Jobim, embarcando de cabeça na onda Bossa Nova.
Mas desde que conheceu Bôscoli, Maysa passou a se apresentar com frequência junto ao grupo formado por Roberto Menescal, Luiz Eça e Luiz Carlos Vinhas. Entre 1960 e 1961 realizaram temporadas na América Latina, Japão e nos Estados Unidos, onde gravou o lendário 'Maysa Sings Songs Before Dawn'. Lá, também se apresentou no sofisticado Blue Angel Night Club, a mais requintada casa noturna de Nova York, à época. Historicamente, naquele momento a Bossa Nova, pela primeira vez atravessava as fronteiras brasileiras. Na voz de um 'outsider'.
Foi numa dessas viagens pela Argentina e pelo Chile, que Maysa, Bôscoli, Menescal, Luis Carlos Vinhas e o recém-formado Tamba Trio começaram a testar o novo repertório. De volta ao Brasil, entraram em estúdio e gravaram esse disco histórico, no qual se vê uma Maysa bem mais 'solar', para a alegria do novo amor e produtor, mas que contradizia com a depressiva Maysa a qual seu público estava acostumado. Foi uma chuva de críticas! Acusaram-na de estar renegando o samba canção. Até grandes amigos como Antônio Maria fariam críticas pesadíssima. Em tom irônico, os mais enciumados diziam que ela estava de fato inventando um novo estilo: a 'Fossa Nova'.
Mas não durou muito esse duplo namoro. Ao assumir em 1963 o relacionamento com o empresário espanhol Miguel Azanza, Maysa foi morar na Espanha de onde só voltou em 1969. Mas aí já é outra história.
Em 'Barquinho', Maysa foi acompanhada por Roberto Menescal, Luis Carlos Vinhas e o Tamba Trio, grupo formado por Luiz Eça (piano), Bebeto Castilho (contrabaixo, flauta e sax) e Hélcio Milito (bateria e percussão). Eça foi o responsável pelos arranjos. A clássica capa do álbum conta todos eles, além de Maysa, em um barco na Enseada de Botafogo.
MÚSICA Domingo, 19 de Fevereiro de 2012 - 03:34 Eduardo Gudin, um compositor refinado e popular
Quando Elis Regina gravou em 1961 seu primeiro LP, 'Viva a Brotolândia', tinha apenas 16 anos de idade. Então deve ter sido a coisa mais normal do mundo convidar o adolescente Eduardo dos Santos Gudin para uma participação no programa 'O Fino da Bossa', exibido pela TV Record de São Paulo, apresentado por ela e Jair Rodrigues.
Em mais de quatro décadas de trabalho, como compositor, arranjador, instrumentista e produtor musical, Gudin tem uma obra compartilhada com ícones da MPB do quilate de Paulo César Pinheiro, Hermínio Belo de Carvalho, Paulo Vanzolini, Roberto Riberti, Aldir Blanc, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Arrigo Barnabé, Cacaso e Guinga, entre outros. Descobridor de talentos, ajudou a lançar talentos como Leila Pinheiro, Monica Salmaso, Fabiana Cozza e Ilana Volcov.
Paulistano, nascido em 14 de outubro de 1950, Gudin tinha apenas 16 quando, corajoso, se apresentou no programa da 'Pimentinha' interpretando nada menos que 'Morena Boca de Ouro' de Ary Barroso, antigo sucesso inúmeras vezes gravado por artistas como Silvio Carldas e João Gilberto; este no antológico 'Chega de Saudade' (1959). O sucesso foi tanto que saiu do estúdio com um contrato assinado com a emissora paulista. E na Record, pode aproveitar a ótima safra de festivais que a emissora produzia e transmitia.
Já em 1968, no 'IV Festival de Música Popular Brasileira', foi semifinalista com 'Choro do Amor Vivido', parceria sua com Walter de Carvalho. No festival, foi defendida pelo grupo vocal 'Os 3 Morais' - formado pelos irmãos Jane, Sidney e Roberto -, com arranjo de Hermeto Pascoal. No LP do festival, foi gravada pelo grupo 'O Quarteto', formado por Carlos Alberto Vianna, Walter Gozzo, Paulino Talarico Correa e Hermes Antonio dos Reis. Gudin conheceu a rapaziada no 'Fino da Bossa'.
No ano seguinte conquistou o quarto lugar no 'V Festival de MPB', também na emissora paulista, com o samba 'Gostei de Ver', parceria com Marco Antônio da Silva Ramos. No evento, foi interpretada por Márcia e Os Originais do Samba (ver vídeo abaixo). Já na TV Tupi, participou e venceu o 'IV Festival Universitário' com 'E Lá se Vão Meus Anéis', parceria com Paulo César Pinheiro. Pinheiro acabou por se tornar seu mais constante parceiro.
O precoce compositor já era premiado e respeitado no meio musical antes de mesmo de completar 20 anos, mas o primeiro LP, só aconteceu mesmo em 1973. No ano seguinte participou do LP 'Brasil, Flauta, Bandolim e Violão', como instrumentista do 'Regional do Evandro do Bandolim'. O belíssimo disco foi lançado pelo selo Marcus Pereira. Em 1976 gravou com a cantora Márcia e Paulo César Pinheiro o LP 'O Importante é que Nossa Emoção Sobreviva', com o repertório do show que o trio apresentou no ano anterior no Teatro Oficina, em São Paulo. No ano seguinte gravou o segundo voume desse trabalho.
Lançou, em 1978, o LP 'Coração Marginal', que contou com a participação de Adauto Santos e Marília Medalha, e do grupo vocal MPB-4. Já 'navegando por outros mares', produziu e dirigiu em 1979, o I Festival Universitário da TV Cultura, que revelou artistas da vanguarda paulista como Arrigo Barnabé, entre outros.
Depois de conquistar a terceira colocação no 'Festivais dos Festivais' da TV Globo em 1985, a música 'Verde' (c/ Costa Netto), se transformou no primeiro grande sucesso da recém lançada cantora Leila Pinheiro. Outro grande sucesso de Gudin nos anos 1980, foi 'Cidade Oculta, que compôs com Arrigo Barnabé e Roberto Riberti. A música que foi tema do filme homônimo de Roberto Faria. Nos anos 80, gravou ainda os LPs 'Fogo Calmo das Velas' (1981), 'Ensaio do Dia' (1984), Balãozinho (1986) e 'Eduardo Gudin & Vânia Bastos' (1989). Também nesse década, criou com Arrigo Barnabé o selo 'Bom Tempo', dentro da gravadora Copacabana, com o objetivo de lançar artistas da vanguarda paulistana.
Cenas de 'Eduardo Gudin & Notícias dum Brasil'. O cantor e compositor faz uma festa de samba, bossa e poesia ao lado de Mônica Salmaso, Fabiana Cozza, Renato Braz e convidados.
Atuando nos bastidores por alguns anos, em 1997 voltou aos palcos, com o show 'Eduardo Gudin e Notícias dum Brasil Apresenta', ao lado de Guinga e Hermeto Pascoal. No ano seguinte, lançou pela RGE 'Notícias dum Brasil - pra Tirar o Chapéu'. Em 2001, lançou, com Fátima Guedes, o lindo CD 'Luzes da Mesma Luz' e em 2006, o CD 'Um Jeito de Fazer Samba'.
Enfim, um mestre da MPB, um compositor refinado e ao mesmo tempo popular, sempre senhor do seu trabalho, respeitoso de seu talento. Se não é um sucesso comercial como cantor, deixa uma obra que ficará na memória musical brasileira por décadas ainda.
MÚSICA Sexta-feira, 03 de Fevereiro de 2012 - 02:49 Kalouv, uma ótima experiência
Como não comentar a linda capa de Ianah Maia, estudante de Cinema de Animação, lá no Recife.
Formada em Recife, no começo de 2010, a banda Kalouv é o encontro de cinco jovens que produzem rock instrumental - sem mais rótulo por favor -, coisa rara hoje em dia; quase demodê. Como sou da ssafra que virava noites arranhando bolachas das bandas inglêsas dos anos 1970, como King Crimson, Tangerine Dream, Gentle Giant, Pink Floyd, etc, estas raridades sempre me chamam a atenção.
A dica veio quando na #radinha procurava referências à música vinda das paragens pernambucanas, não necessariamente as da música, vamos dizer assim, regional. A verdade é que me impressionei com o que encontrei. Descobri bandas com pegada, boas soluções melódicas e que não devem nada a qualquer outro trabalho do cenário contemporâneo nacional.
O tecladista Bruno Saraiva, os guitarristas Saulo Mesquita e Túlio Albuquerque, o baixista Basílio Queiroz e o baterista Rennar Pires foram para o estúdio com produção de Diogo Guedes, da ótima 'A Banda de Joseph Tourton'. Eu li por aí, "podem anotar: um dos melhores discos instrumentais do ano". Eu iria um pouco mais longe.
Ainda se pode ver carimbadas em algumas composições influências musicais um tanto quanto 'batidas', fraseados aparentemente óbvios - às vezes até parecem propositais -, mas no máximo se poderia dizer que é um movimento natural em busca do amadurecimento do conjunto. O importante é notar, que as influências são boas, muito boas. Um destaque pra mim é como o suave tecladista Bruno Saraiva se harmoniza ao peso das guitarras, como por exemplo na faixa título ou em 'Zéfito', lembrando muito ... ah! deixa pra lá. Vocês podem encontrar suas próprias referências.
Alguém passou por aqui e sentiu a falta de algum vocal, "obviamente um soprano bem afinado". Toda banda instrumental já ouviu essa sugestão, confere? Lembrei de alguns deliciosos e incidentais de Maggie Reilly em 'Crises' do Mike Oldfield, que coincidentemente e infelizmente apontaram para um rumo pop no trabalho do ídolo de todos os amantes do rock progressivo. Quem nunca fumou um ao som de 'Incantations', 'Tubular Bells' e 'Ommadawn', nem sequer sonhou. Corram esse risco apenas se for necessário.
O fato é que ao lado da 'Pullovers', 'Ludov', 'Blubel', 'Lestics', 'Apanhador Só', 'Volver' e da finada 'Parafusa', a Kalouv entra definitivamente em minha playlist. Vida longa aos meninos.
Mas como eu não sou flor que se cheire, bora agora ouvir um pouco da 'Comadre Fulozinha'.
MEIO AMBIENTE Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011 - 21:44 Série 'Caminhos da Energia', Canal Futura e CPFL, com Amir Klink
Caminhos da Energia, é um programa do Canal Futura, produzido em parceria com a CPFL e apresentado por Amyr Klink. Em formato documental, a série mostra como a energia está presente em nosso dia a dia e reflete sobre as possibilidades de seu uso de forma eficiente e sustentável para garantir o bem estar das pessoas no planeta.
O programa, produzido pela Giros e dirigido por Belisário Franca, apresenta as diversas formas de energia usadas desde os primórdios até as descobertas tecnológicas que aceleraram o desenvolvimento dos países e proporcionaram mais conforto às sociedades. A série mostra também como a preocupação com os recursos finitos de fontes energéticas levaram à busca pelo uso de fontes renováveis e menos nocivas ao meio ambiente.
Caminhos da Energia tem foco no Brasil, mapeando a atual matriz energética brasileira e apontando as possibilidades de geração, distribuição e consumo de energia. Apresentada pelo navegador Amyr Klink, a série é pontuada por entrevistas de mais de 50 especialistas, que apresentam o contexto histórico, mostram números e opinam sobre os diferentes caminhos que o Brasil pode seguir para diminuir o impacto da geração e consumo de energia no meio ambiente.
Amir Klink costura os conteúdos desta questão por meio de intervenções sobre suas experiências pessoais e reflexões desenvolvidas sobre o tema. "O barco é uma espécie de unidade para pensar de forma eficiente o uso de energia", diz Klink, que contou também já ter percebido as mudanças climáticas por que passa o planeta em suas viagens para a Antártica.
Caminhos da Energia - Episódio 01 - Energia é tudo
Participam deste episódio: Carlos Nobre (pesquisador do INPE); David Zylbersztajn (especialista em Energia); Fábio Feldmann (consultor em Sustentabilidade); Hermes Chipp (presidente da NOS); José Goldemberg (professor da USP); Maurício Tolmasquim (presidente da EPE); Nelson Hubner (diretor geral da Aneel); Roberto Schaeffer (professor da Coppe UFRJ) e Luiz Pinguelli Rosa (diretor da Coppe UFRJ).
Caminhos da Energia - Episódio 02 - Tudo é Energia
Participam deste episódio: Arildo Resende (produtor rural); Claudio Sales (presidente do Instituto Acende Brasil); José Goldemberg (professor da USP); Luiz Carlos Soares (historiador); Sérgio Besserman (prof. de Economia da PUC-RJ) e Roberto Schaeffer (prof. da Coppe UFRJ).
Caminhos da Energia - 03 - A (R)evolução
Caminhos da Energia - 04 - E o Mundo Gira
Participam deste episódio: Adriano Pires (diretor da CBIE); David Zylbersztajn (especialista em energia); Ennio Peres (Chefe do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp); Fábio Feldmann (consultor em sustentabilidade); Haroldo Lima (diretor geral da ANP); Isaac Quintino Ferreira (gerente da Usina de Biodiesel de Candeias); Jaime Lerner (arquiteto e urbanista); Marcos Jank (presidente da Única); Maria Antonieta Leopoldi (historiadora); Aedson Lopes (produtor rural), Juracy Souza (produtora rural), Carlos Rittl (coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil) e Paulo Cezar Coelho Tavares (vice-presidente de Gestão de Energia).
Caminhos da Energia - 05 - E fez-se a Luz!
Caminhos da Energia - Episódio 06 - A energia da Água
Participam deste episódio: Claudio Sales (presidente do Instituto Acende Brasil); Hermes Chipp (presidente do Operador Nacional do sistema Elétrico -- NOS: Luiz Eduardo Almeida (técnico em Telecomunicação -- CPFL); Luiz Pinguelli Rosa (diretor da Coppe UFRJ); Maurício Tolmasquim (presidente da Empresa de Pesquisa Energética - EPE); Nelson Hubner (diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica -- Aneel); Aquilino Senra (vice-diretor da Coppe UFRJ); Paulo Bombassaro (gerente de Engenharia -- CPFL); Roberto Schaeffer (prof. da Coppe UFRJ); José Goldemberg (professor da USP) e David Zylbersztajn (especialista em Energia).
Caminhos da Energia - Episódio 07 - O Calor
Participam deste episódio: Isaias Macedo (pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético -- NIPE), Aquilino Senra (vice-diretor da Coppe UFRJ), Odair Gonçalves (presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear -- CNEN); Carlos Rittl (coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil); Luiz Roberto Cordilha Porto (diretor de Operação e Comercialização da Eletronuclear); Paulo Cezar Coelho Tavares (vice-presidente de Gestão de Energia -- CPFL); Marcos Jank (presidente da União da Cana de Açúcar - Única), Marcos Balzon (coordenador de Elétrica e Instrumentação da Usina Baldin); Giovano Candiani (analista ambiental da Essencis) e Leonardo Vieira (pesquisador do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica -- CEPEL).
Caminhos da Energia - Episódio 08 - Alternativas para geração de eletricidade
Participam deste episódio: Adrianno Rios (supervisor de planejamento da Wobben Windpower); Antonio Leite de Sá (pesquisador do Centro de Pesquisa Energia Elétrica Cepel); Marco Antônio Galdino (pesquisador do Centro de Pesquisa Energia Elétrica -Cepel), Paulo Cerqueira (Ministério de Minas e Energia); Pedro Angelo Vial (presidente da Wobben Windpower); Marcus Bernd (diretor da MPX) e Ricardo Simões (presidente da Abbeólica.
Caminhos da Energia - Episódio 09 - Soluções em eficiência energética e sustentabilidade
Participam deste episódio: José Goldemberg (professor da USP); Marco A. Fujihara (diretor da Key Associados); Jun Tanaka (engenheiro do Hospital da Unicamp); Carlos Augusto (gerente da Divisão de Projetos Especiais -- CPFL); Paulo Cezar Coelho Tavares (vice-Presidente de Gestão de Energia --CPFL): Roberto Schaeffer (professor da Coppe UFRJ); Leonardo Vieira (pesquisador do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica -- CEPEL); Fernando Alves Ximenes (cientista industrial); André Urani (economista); e Jaime Lerner (arquiteto e urbanista).
Caminhos da Energia - Episódio 10 - Perspectivas de futuro para o sistema energético do Brasil
Participam deste episódio: David Zylbersztajn (especialista em Energia); Roberto Schaeffer (prof. da Coppe UFRJ); Sérgio Besserman (prof. de Economia da PUC-RJ); Rodolfo Nardez Sirol (gerente de Meio Ambiente -- CPFL Energia); José Goldemberg (professor da USP); Nelson Hubner (diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica -- Aneel); André Urani (economista); Adriano Pires (diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura - CBIE); e Marco A. Fujihara (diretor da Key Associados).
MÚSICA Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011 - 11:02 Os sucessos de um desconhecido Luís Antônio
Luís Antônio
Há poucos dias reunimos em casa velhos e novos amigos para um delicioso peixe assado na brasa. A maioria cantores e pessoas profissionalmente ligadas à música. Regados a um bom vinho, ficamos ouvindo e divagando sobre a música brasileira dos anos 1960 e 70, quando resolvi fazer um desafio. Comecei a tocar na #radinha trechos de alguns sucessos desse período, que todos logo começaram a cantarolar, demonstrando uma enorme intimidade com aquelas canções. Todas sucessos comerciais, que embalaram gerações. Mas quando perguntei o nome dos autores, o silêncio foi constrangedor. Não por coincidência, todas as músicas selecionadas por mim tinham a assinatura de um certo Luís Antônio. O espanto foi geral e o comentário único: "como nunca ouvimos falar nele"?
Antônio de Pádua Vieira da Costa, que por algum motivo escolheu a insossa alcunha artística de Luís Antônio, é o nome de batismo do desconhecido autor daqueles sucessos. Carioca, militar e ariano, Luís nasceu em 16 de abril de 1921 e veio a falecer na mesma cidade 75 anos depois, mais precisamente no dia 1º de dezembro de 1996. Certamente morreu esquecido, sem a reverência que sua genialidade exigiria.
Compositor desde os 14 anos, estudou em colégios militares do Rio. Seguindo a carreira militar, passou a escrever as músicas cantadas nas competições esportivas dos cadetes e, motivo de orgulho pessoal, o Hino da Academia Militar de Agulhas Negras (Aman). O então tenente de infantaria chegou a integrar em 1945 a Força Expedicionária Brasileira, na campanha da Itália. Um herói nacional.
Tratado pelos parceiros e cantores da época como Coronel, patente que chegou a alcançar, o rubro-negro Luis Antônio é citado pelo menos uma vez por Stanislaw Ponte Preta em 'Tia Zulmira e Eu', no capítulo 'Caju Amigo do Homem', em uma referência à 'nódoa de amargar', produzida pela suculenta fruta tropical.
Profissionalmente começou a compor logo após a vitória aliada e sua primeira canção gravada foi 'Somos Dois', parceria com Klecius Caldas e Armando Cavalcanti, interpretada pelo elegante pianista e cantor Dick Farney. No áudio abaixo, temos a versão de Dick e Claudette Soares, no álbum 'O Amor em Paz', coletânea com gravações de 1976.
Em 1951, veio seu primeiro sucesso, o samba carnavalesco 'Sapato de Pobre', em parceria com o colega de farda Jota 'Candeias' Júnior, gravado por Marlene. No Carnaval seguinte, Luís consolidaria seu prestígio no meio artístico com a marcha 'Sassaricando' em nova parceria com Jota Júnior, agora também com Oldemar Magalhães, e gravada pela vedete Virgínia Lanes. Foi sucesso até no filme 'Tudo Azul', de Moacyr Fenelon, estrelado por Marlene e Luiz Delfino.
O reconhecimento nacional se consolidou, no entanto, com o samba 'Lata D'água' (também com Jota Júnior), possivelmente o maior sucesso da carreira de Marlene. Preferência nacional até hoje nos bailes de carnaval, contou na época com arranjo do maestro Radamés Gnattali e foi outra canção encenada no musical 'Tudo Azul'.
Logo depois veio clássico 'Barracão', nova parceria com Oldemar Magalhães, gravada pela bela e talentosa Heleninha Costa. Este samba ganharia 15 anos mais tarde uma versão definitiva na voz de Elizeth Cardoso, acompanhada de Jacob do Bandolim e do Grupo Época de Ouro, num show no teatro João Caetano. Idealizado por Ricardo Cravo Albin e dirigido por Hermínio Bello de Carvalho, o show, logo depois transformado em LP, teve como objetivo levantar fundos para o Museu da Imagem e do Som no Rio.
Já o sucesso de Marlene no Carnaval de 1953, parceria de Luís Antônio com Brasinha, 'Zé Marmita', é um samba que narra o drama social dos operários 'pingentes' dos trens da Central, que viajavam pendurados para fora dos vagões. Atual, não? O repertório demonstrava de forma inequívoca sua preocupação com temas sociais, ao retratar com maestria a vida sofrida dos subúrbios da cidade do Rio de Janeiro.
Já conquistando a preferência de outros intérpretes, ainda em 1953, Ademilde Fonseca gravou "Se Deus quiser", Jamelão lançou "Bica nova", parceria com D. Palma, e Elizeth o samba "Subúrbio". Em 1956, Risadinha emplacou "Esquina da Vida" e Dora Lopes o samba canção "Tanto faz", ambos de sua parceria com Ari Monteiro. Depois de "Patinete no Morro" em 1954, Marlene ainda gravaria com grande sucesso em seu LP "Explosiva" de 1958, "Apito no Samba", uma parceria de Luís Antônio com Luiz Bandeira. Wilson Simonal gravaria sua própria versão em 1965, no disco 'S'imbora'.
Se você estiver perguntando aos seus botões, "então essas músicas são dele (?)", não se preocupe, pois isso já aconteceu e acontecerá com as melhores famílias. Nesta primeira fase da carreira de nosso mais novo compositor preferido, Marlene foi de fato sua principal intérprete e incentivadora.
Sambalanço
Junto com a Bossa Nova, no fim dos anos 1950, nascia nos 'nightclubs' da então borbulhante capital federal, palco de todas as novidades artísticas, o 'sambalanço' ou samba de balanço, que sem chegar a constituir-se num movimento, introduziu o 'teleco-teco' (como se dizia na época) ao velho samba produzido nas rádios e bailes de carnaval. Foi a bem vinda 'influência do Jazz', como diria Carlos Lyra mais tarde. Entre as muitas estrelas, podemos citar Ed Lincoln, Elza Soares e Miltinho (egresso do grupo vocal Namorados da Lua). E foi justamente Miltinho que, nessa nova fase da carreira de Luís Antônio, tomaria o lugar antes reservado a Marlene.
Foi a época de canções como "Menina Moça", "Mulher de Trinta", "Poema do Adeus", "Poema das Mãos" e, em parceria com o grande Djalma Ferreira, "Recado", "Lamento", "Devaneio", "Cheiro de Saudade" e outros, todas lançadas pelo Miltinho, e regravadas logo a seguir por diversos intérpretes, como Helena de Lima, Dóris Monteiro, Cauby Peixoto, Maysa, Elizeth Cardoso e muitos outros expoentes da música popular brasileira de então.
Outros sucessos da época, mas menos lembrados hoje em dia, foram "O Engraxate" (interpretada pelo palhaço Carequinha) "Eu e o Rio" (Lana Bittencourt, Miltinho e Elza Soares), "Luz de Vela" (Helena de Lima), "Quero Morrer no Carnaval" (Linda Batista), "Bloco de Sujo" (As Gatas) e "Levanta Mangueira" (Zezinho). Seu último sucesso, poderia dizer-se que para fechar com chave de ouro, foi o samba 'Eu Bebo Sim', parceria com João do Violão e gravado por Elizeth, em 1973.
Achou pouco ou tá bom?
Será que ainda chegará o dia em que Luís Antônio será devidamente reconhecido pela sua abrangente obra, impregnada na história da música popular brasileira? De seus intérpretes favoritos, Miltinho é um dos poucos ainda vivo para falar sobre sua trajetória, seu modo de vida. Pouco se sabe até sobre sua forma de compor, se mais letrista ou mais melodista, que instrumentos tocava. Quem sabe se o carioca Antônio de Pádua Vieira da Costa tivesse escolhido um nome artístico um pouco mais imponente e fosse menos reservado, hoje seria, não lembrado como um personagem periférico, mas como um ícone da MPB. Talento, como podemos ouvir, nunca lhe faltou.
PS. Meus sinceros agradecimentos ao jornalista catarinense gaúcho Nei Duclós e ao dicionário Cravo Albim, que me ajudaram nessa prazerosa viagem pela memória musical. Nota. O Nei, me honrando com a visita, registra que é gaúcho radicado em Santa Catarina.
MEIO AMBIENTE Terça-feira, 06 de Dezembro de 2011 - 17:22 Desmatamento na Amazônia cai 11% e atinge menor taxa em 24 anos
Dados do Prodes, INPE
Agência Brasil - Entre agosto de 2010 e julho de 2011, a Amazônia perdeu 6.238 quilômetros quadrados (km²) de floresta. É a menor taxa anual de desmate registrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde o início do levantamento, em 1988.
O número é calculado pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), que utiliza satélites para observação das áreas que sofreram desmatamento total, o chamando corte raso.
A taxa de 2011 é 11% menor que a devastação registrada pelo Inpe em 2010, de 7 mil km². Apesar da queda, a área desmatada na Amazônia Legal em um ano ainda é maior que o Distrito Federal ou quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo.
De acordo com o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, quase todos os estados da Amazônia registraram queda no desmatamento entre 2010 e 2011. Apenas em Mato Grosso e Rondônia os satélites verificaram aumento das derrubadas. Mato Grosso desmatou 1.126 km² no período, aumento de 20% em relação a 2010. Em Rondônia, o Inpe registrou 869 km² de novos desmates em um ano, área o dobro da desmatada no período anterior.
No Pará, houve queda de 15% em relação a 2010, mas o estado ainda lidera o ranking anual de desmatamento, com 2.870 km² de florestas a menos entre agosto de 2010 e julho de 2011.
O governo atribui à queda do desmatamento anual às ações de fiscalização e combate, reforçadas a partir de abril, quando o sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), também do Inpe, mostrou aumento significativo do desmatamento, principalmente em Mato Grosso e Rondônia.
"Os alertas do Deter desencadearam operações significativas que reduziram muito a incidência do desmatamento em Mato Grosso. Por causa dessa ação, verificamos que o desmatamento que em abril tinha indícios de que iria crescer, manteve-se por mais um ano em queda", avaliou o diretor do Inpe, Gilberto Câmara.
De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Curt Trennepohl, somente em Mato Grosso, as operações resultaram no embargo de 38,5 mil hectares de áreas desmatadas irregularmente. Em toda a Amazônia Legal, o número chega a 79 mil hectares embargados, além de 8 mil autos de infração aplicados, 350 caminhões apreendidos e 42 mil metros cúbicos de madeira em tora apreendidos.
Regeneração e balanço de carbono
Segundo o INPE com desmatamento na casa dos 6.000km2/ano e regeneração de 21% da área já suprimida, já há um equilíbrio entre a emissão e a absorção de carbono na Amazônia. O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, acredita que seja possível transformar a Amazônia numa área que consome carbono a partir de 2015.
Deve fazer uns 15 anos a primeira vez que pedi aos meus botões para ele medir a área em regeneração na região. Detalhe, desde então passei a só usar camisetas.
POLÍTICA E ECONOMIA Terça-feira, 08 de Novembro de 2011 - 22:35 Pronunciamento de Dilma sobre os programas 'Melhor em Casa' e 'SOS Emergências'
Com informações do Blog do Planalto - Em pronunciamento transmitido hoje (8) em rede nacional de rádio e televisão, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que os programas Melhor em Casa e SOS Emergências representam uma nova atitude do governo federal, estados e municípios em favor de uma saúde pública de mais qualidade no Brasil. Ao propor um pacto republicano para melhorar a gestão e qualidade do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), a presidenta afirmou que, da parte do governo federal, essa parceria significa uma lição de humildade e coragem.
"Humildade para reconhecer que a situação da saúde pública não está boa e precisa melhorar. Coragem, porque estamos atraindo para nós a responsabilidade de liderar esse processo", disse a presidenta.
Segundo ela, os dois programas são importantes e de implantação complexa, que demanda tempo, dedicação e recursos. O Melhor em Casa, explicou Dilma Rousseff no pronunciamento, vai ampliar o atendimento domiciliar às pessoas com necessidade de reabilitação motora, idosos, pacientes crônicos sem agravamento ou em situação pós-cirúrgica, por exemplo. Elas terão assistência multiprofissional gratuita em seus lares, com cuidados mais próximos da família.
Já o SOS Emergências prevê medidas para melhorar a gestão e o atendimento nas emergências de 11 grandes hospitais do SUS, mas a meta é alcançar, até 2014, os prontos-socorros de 40 hospitais.
"Não vão resolver da noite para o dia todos os problemas do atendimento médico, mas irão contribuir para dar um tratamento mais digno e mais humano aos usuários da rede pública de saúde."
A presidenta Dilma acrescentou ainda que, por meio do SOS Emergências, o governo pretende intervir de forma gradativa, porém decisiva onde muitos governos evitam assumir a responsabilidade direta: a emergência dos grandes hospitais públicos.
"Já ouvi de algumas pessoas que seria como enxugar gelo, pois se trata um esforço de 24 horas por dia que pode ser prejudicado por um único erro. Para nós é mesmo necessário um esforço de 24 horas e cada erro será mais um motivo de superação", disse. "A orientação clara é fazer mais com o que temos e não ficarmos de braços cruzados esperando que os recursos caiam do céu."
Pronunciamento histórico, corajoso na forma e no conteúdo. Para guardar e cobrar depois.
MEIO AMBIENTE Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011 - 16:39 Registrado em 2011 o menor desmatamento da Amazônia para o mês de setembro
Como o calendário da medição do INPE para o Prodes vai de Agosto a Julho, podemos dizer que nos dois primeiros meses do ano calendário 2011/12, o desmatamento caiu de 712 km² para 418km², uma queda de 42% frente ao mesmo período anterior.
O Globo Online - O desmatamento na Amazônia em setembro deste ano caiu 43% em relação a setembro de 2010, passando de 448km² para 254 km². Esse foi o menor desmatamento já registrado no mês de setembro desde que começaram em 1994 as medições do sistema Deter - fiscalização mensal feita pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
De janeiro a setembro deste ano, o desmatamento da floresta ficou praticamente igual ao registrado no mesmo período no ano passado, sofrendo uma redução de 1,5%. Neste período, o Mato Grosso destoou dos demais estados amazônicos, registrando um aumento de 72% no desmatamento. Os dados foram medidos pelo Inpe e divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Meio Ambiente.
"Temos uma boa notícia, de que depois do menor agosto da história, temos o menor setembro da história", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Ela afirmou ainda que, embora com o início do período chuvoso na região as operações de combate ao desmatamento na região normalmente esmoreçam, este ano será diferente.
"Está mantida a fiscalização do Ibama na Amazônia, inclusive no período de chuva. Não há desmobilização. Estamos com força total", reafirmou a ministra, informando que há 25 equipes do Ibama na floresta neste momento. O recado da ministra é uma resposta à aprovação na semana passada de projeto de lei no Congresso retirando do Ibama a competência exclusiva para multar crimes ambientais.
O ministério também fez nesta segunda-feira uma avaliação do desmatamento ocorrido em unidades de conservação federais. De acordo com os dados do Prodes, monitoramento por satélite feito anualmente pelo Inpe, a taxa de desmatamento nas áreas protegidas caiu de 94,7 mil hectares em 2003 para 13,3 mil hectares em 2010.