RSS
Miguel Oliveira - Uai, não foi o "Contas Abertas" que disse que o PAC estava "empacado", com índice baixíssimo de realizações, causando grande alarde na mídia, para ser desmentido logo em seguida pelo relatório oficial...

Sergio Telles - O Plano é sensacional, mais uma vez. Porém, acho que o setor de engenharia no Brasil está com problema de inércia que deve ser estimulado de outras maneiras, criativas, com prêmios, concursos, coisas ...

Sergio Telles - Pelo nível de renda médio de cada faixa, vemos que houve crescimento REAL. Portanto, a faixa superior da Classe D de 2008 teve consumo igual ou melhor à Classe C de 2007. Se essa pesquisa deflacionass...

fernando - Caro alexandre, que belo texto, de forma didatica e simples voce e demais analistas nos esclareceram sobre as virtudes e os defeitos, muitos por sinal, do famoso plano real. O que vemos hoje em dia eh...

Roberto - Resumindo; graças a Deus elegemos Lula. Abraço....

Sergio Telles - As medidas do BNDES sao dignas de um governo que sim, possui uma clara politica industrial baseada na pesquisa, inovaçao e desenvolvimento, apoio a industria nacional, especialmente em setores conside...

 
POLÍTICA E ECONOMIA
Sexta-feira, 03 de Julho de 2009 - 23:30
Maria Cristina Fernandes: Arthur Virgílio sem emprego em Dubai


Poucas vezes concordei tanto com um texto sobre política

artigo - Maria Cristina Fernandes
Numa apoteótica semana para o circo do Senado Federal, a informação de que o Brasil pouco avançou no combate à corrupção passou como um apêndice no noticiário. Com a farta colheita da indústria de vazamentos em Brasília, de um lado, e o relatório do Banco Mundial, do outro, a conclusão decorrente seria de que o organismo internacional apenas constatou empiricamente a pasmaceira da política nacional.

Mas se o picadeiro de Brasília tem alguma serventia é precisamente a de mostrar que o selo de país mediano na corrupção internacional que o Bird, ano após ano, confere ao Brasil é tão confiável quanto uma rubrica de Agaciel Maia num ato secreto.

A lista do banco não resiste à mais leiga das lupas. Tome-se, por exemplo, os Emirados Árabes Unidos, país situado em 18º lugar entre os que melhor controlam a corrupção, 24 posições à frente do Brasil. A classificação não se baseia em ações de governo, mas em percepções.

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) certamente não faria sucesso em Dubai. Não pela ausência de benesses ilícitas de denunciantes e denunciados. O que falta é denúncia.

O governo dos emires mescla poder hereditário e conselho consultivo de representantes escolhidos por um colégio eleitoral ampliado. A população convive com liberdades limitadas em troca de uma das maiores rendas per capita do mundo.

Não faz sentido algum comparar a percepção da corrupção num lugar desses com aquela advinda de um país que transmite as entranhas do Senado ao vivo.

Esse tipo de relatório ganha foro de publicação respeitável a despeito de seus critérios já terem sido exaustivamente desnudados. As críticas vão além da questionável metodologia de indicadores baseados nos interesses de grandes corporações e organizações não-governamentais com atuação nesses países.

Em abril o "Wall Street Journal" divulgou a conclusão dos trabalhos de um grupo de avaliação interno do banco que, em 690 páginas, enxovalhou seus próprios critérios para detecção de fraudes na concessão de empréstimos.

O relatório tem um trecho revelador: "Os tradicionais sistemas de controle do banco não foram projetados para resolver questões como fraude e corrupção. Eles foram criados para garantir a eficiência e integridade financeira do banco ao menor custo possível".

Ou seja, a mesma instituição que se arvora na condição de classificar entre mais e menos corruptos 212 países do mundo inteiro não consegue ter governança sobre seus próprios empréstimos.

O cientista político americano Aaron Schneider já havia apontado as falhas das políticas de combate à corrupção do Bird nos países em desenvolvimento. Sua crítica se fundamenta no foco do banco sobre o que chama de "pequena corrupção" - privilégios do funcionalismo, suborno e propina - que ocupam, em grande parte, o jornalismo político nacional.

Não que a versão em miniatura da corrupção seja desimportante. Consome recursos públicos e prejudica a grande maioria que não pode se utilizar dessas benesses ilícitas do Estado.

O ponto é que se ignora a "grande corrupção", aquela em que o Estado atua em favor de um setor particular da economia ou, com informações privilegiadas, baliza grandes fortunas no mercado financeiro.

Não é uma opção técnica a do combate à propina comezinha da burocracia. Ao fazê-lo, toma-se uma decisão política de não confrontar instâncias de poder cujas deliberações, em última instância, podem prejudicar os próprios interesses de instituições como o Banco Mundial. São esses interesses, como lembrou o relatório interno, que, em última instância, busca-se preservar.

Se o público pagante chegou a imaginar que as intrigas políticas são uma exclusividade do salão azul do Senado, Schneider traz algum conforto. Em artigo na coletânea "A corrupção: ensaios e críticas" (UFMG, 2008) conta que a indústria de relatórios internos no Banco Mundial foi fomentada em meio ao mal-estar produzido pela renúncia de um ex-presidente da instituição que favorecera funcionária com quem namorava.

O vazamento desses relatórios internos desvendou as contradições de uma instituição que tende a ignorar a corrupção em países que cresceram rapidamente graças à adoção de políticas preconizadas pelos credores, como abertura comercial, liberalização de mercados e achatamento de salários do funcionalismo.

Custa a crer que, depois da crise, cantada em verso e em prosa pela capacidade de abalar as diretrizes da ordem financeira global, esses anuários de corrupção mundial sigam ignorando seus próprios descaminhos.

E enquanto Ministério Público, Polícia Federal, Controladoria-Geral da União, Tribunal de Contas e Congresso Nacional - qual outra instituição tem sido capaz de sobreviver à reiterada exposição pública de suas entranhas? - continuarem funcionando à luz de uma imprensa que publica o que quer, a resposta a esse tipo de classificação é simples: "A corrupção no Brasil vai bem, obrigada".

Marcadores: Controladoria-Geral da União, Corrupção, Ministério Público, Polícia Federal



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )



POLÍTICA E ECONOMIA
Sábado, 04 de Julho de 2009 - 03:00
Aplicações no PAC crescem 21% no primeiro semestre de 2009


Contas Abertas - Para amenizar os efeitos da crise financeira global no Brasil, que assustava o mundo no fim de 2008 e início de 2009, o presidente Lula e sua equipe econômica prometeram preservar os investimentos este ano. E parece que estão conseguindo cumprir a meta, pelo menos em termos de PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) gerenciado pela ministra Dilma Rousseff. O governo aplicou 21% a mais nos primeiros seis meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2008 (em valores correntes). Foram desembolsados R$ 4,82 bilhões em obras do programa entre janeiro e junho de 2009, contra R$ 3,98 bilhões no primeiro semestre do ano passado; uma diferença de R$ 835 milhões.
Dados referentes aos primeiros seis meses de cada ano.
O Ministério dos Transportes continua sendo o maior impulsionador do PAC. O órgão investiu quase R$ 2,7 bilhões no primeiro semestre de 2009. O Ministério das Cidades aparece logo em seguida entre os que mais desembolsam recursos no PAC, com R$ 1,2 bilhão aplicado este ano. Já o Ministério da Integração Nacional aparece em terceiro lugar no ranking da Esplanada, R$ 592 milhões investidos. O principal empreendimento realizado pela pasta é o de transposição do rio São Francisco.
Transposição do Rio São Francisco: 7% do custo do empreendimento foram pagos
Desde o lançamento do programa em 2007, já foram autorizados em orçamento pouco mais de R$ 56 bilhões (incluindo a previsão para 2009). No entanto, até o último dia 30, foram efetivamente pagos R$ 23,5 bilhões, ou seja, 42% dos recursos previstos para os três anos (2007, 2008 e 2009). Vale lembrar que as informações referem-se apenas ao chamado "PAC orçamentário", ou seja, obras e projetos da administração federal direta passíveis de monitoramento por meio do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira). Estão excluídos investimentos das empresas estatais e iniciativa privada. Nos dados também estão contabilizados os chamados "restos a pagar" – dívidas de anos anteriores roladas para exercícios seguintes. [...]

[...] Paulo Brasil, vice-presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo, critica o fato de que dos R$ 4,8 bilhões desembolsados em obras do PAC este ano, 80% são referentes a restos a pagar. "Por outro lado, temos uma avaliação positiva, já que encontram-se empenhados R$ 9,7 bilhões, o que já demonstra um processo em que a parte licitatória já foi encerrada, aguardando tão somente a realização da despesa", diz. "Além do âmbito econômico, há uma expectativa política sobre o êxito do PAC, em função de ser o programa carro chefe da campanha do ou da candidata de continuidade desta gestão", conclui.

Leia a matéria completa no site do Contas Abertas

O mais importante a comentar sobre esse gráfico, editado a partir de algumas tabelas do site Contas Abertas, é que os valores empenhados nos primeiros seis meses de 2009 são maiores que a soma dos valores empenhados nos primeiros seis meses dos dois anos anteriores. Isso significa que as barreiras burocráticas e condicionantes ambientais estão sendo gerenciadas com mais rapidez.

Nos anos anteriores, por diferentes dificuldades, os empenhos financeiros se concentravam no último trimestre do ano, gerando assim despesas que só seriam efetuadas de fato no ano seguinte, gerando os chamados "restos a pagar". Em 2009, ao contrário, o gerenciamento do PAC está mais equilibrado e tende a deslanchar com mais facilidade.

E é sempre bom reforçar que o chamado "PAC do Orçamento" representa apenas 15% de todo o programa de investimentos. Estão excluídas as empresas estatais, iniciativa privada, financiamento de bancos públicos e consórcios público-privados.

Obra de duplicação da BR-101, na Paraíba, já soma 57 quilômetros liberados

A Superintendência do DNIT na Paraíba liberou ao tráfego mais 32 quilômetros de rodovia duplicada da BR-101. Somados aos 25 quilômetros liberados recentemente no sentido João Pessoa/Recife, a rodovia já conta com 57 quilômetros de duplicação, o equivalente a 45% de conclusão do trecho paraibano.

Este segmento corta todo o Vale do Mamanguape, região de forte potencial econômico e turístico, que concentra grandes indústrias de açúcar e álcool. Também estão localizadas todo o litoral norte de praias paradisíacas e cidades históricas, como o município de Baia da Traição, território tradicional dos índios Potiguar. A liberação de mais esse trecho duplicado da rodovia, representa uma economia de tempo/percurso que atinge cerca de quinze minutos.

Com recursos provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC o DNIT investe cerca de R$ 412 milhões nas obras de duplicação de 129 quilômetros na Paraíba.
Leia também: PAC pode ficar fora do superávit


Marcadores: Programa de Aceleração do Crescimento, Siaf



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 1 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )



POLÍTICA E ECONOMIA
Sábado, 04 de Julho de 2009 - 03:42
Segundo o Imazon, desmatamento da Amazônia caiu 74%


Cobertura de nuvens impossibilita monitoramento em 43% da região
Globo Amazônia - Relatório divulgado nesta sexta-feira (3) pela ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) aponta que a Amazônia perdeu 157 quilômetros quadrados de floresta em maio. Isso representa uma queda de 47% em relação a maio de 2008, quando o desmatamento detectado foi de 294 quilômetros quadrados.

O desmatamento acumulado de agosto de 2008 a maio de 2009 é de 1.084 quilômetros quadrados. Em relação ao desmatamento ocorrido no mesmo período do ano anterior (4.143 quilômetros quadrados) houve uma redução de 74%.

O Imazon ressalva que devido à cobertura de nuvens, não foi possível monitorar 43% da Amazônia Legal, contra 36% em maio de 2008. Além disso, parte do Maranhão que integra a Amazônia Legal não foi analisada. Segundo o relatório da organização, em maior de 2009 o desmatamento foi maior no Pará (37%), seguido de Mato Grosso (27%), Roraima (20%) e, menor em Rondônia (8%), Amazonas (5%), Tocantins (2%) e Acre (1%).

Para Adalberto Veríssimo, um dos pesquisadores da ONG, a tendência de diminuição do desmatamento começou em julho do ano passado, como reflexo de um pacote de medidas adotado pelo governo federal meses antes, e se aprofundou com a crise econômica mundial e com as chuvas na região.

As medidas incluíram a restrição de crédito bancário às propriedades com passivo ambiental e a criação de uma lista das cidades que mais destroem a Amazônia, nas quais qualquer desmate passou a ficar proibido. Segundo Veríssimo, essas ações foram "mais sofisticadas" do que as repressões "pirotécnicas".

A crise diminuiu a procura por produtos historicamente ligados ao desmate, como carne, grãos e madeira, e as chuvas tornaram intransitáveis as estradas de terra, impedindo a entrada de caminhões e máquinas pesadas usadas na derrubada da floresta.



O quadro mostra dados do acumulado de 10 meses, o que diminui muito os efeitos sazonais referentes a cobertura de nuvens. A queda de 74% é muito significativa e deve ser comemorada. O sistema usado pelo Imazon se assemelha muito ao DETER (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ou seja, não tem a mesma precisão do monitoramente do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal), mas serve como indicador de uma tendência.

Podemos também identificar que os estados nos quais o desmatamento ainda resiste, são os da periferia, principalmente as regiões do chamado Arco do Desmatamento, que são compostos pelo que os especialistas chamam de "floresta de transição" ou "cerradão". Justamente onde a pecuária mais avança. No estado do Amazonas, onde se concentra a floresta mais densa e úmida, praticamente o processo foi interrompido.

Os resultados do PRODES são anuais (ago-jul) e são divulgados em novembro.

Se fosse possível projetar essa queda de 74% para os dados anuais do PRODES (11.968 km2 em 2008), chegaríamos a um número de 3.000 quilômetros quadrados neste ano. Para se ter uma idéia, o melhor resultado da série histórica do Inpe foi em 1991, com 11.030 quilômetros quadrados. Seria uma vitória para o Brasil.

Leia também:

Imagens da NASA revelam queda das queimadas na Amazônia em 2008
PF realiza operação contra grilagem de terras da União em MT


Marcadores: Amazônia, Desmatamento, Imazon



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )



POLÍTICA E ECONOMIA
Sexta-feira, 03 de Julho de 2009 - 13:50
Ajuste de estoque explica descompasso entre indústria e comércio


Folha de S. Paulo - Desde o agravamento da crise, a indústria registra desempenho pior do que o comércio e os demais setores de serviços. Dois são os motivos para esse descompasso: os estoques ainda altos de alguns setores industriais e o ritmo mais acelerado do consumo do Brasil do que no resto do mundo.

É que a indústria enfrenta diretamente as consequências da queda das exportações, ao vender menos para países mais afetados pela crise, nos quais a demanda teve uma contração maior. Ou seja, uma fatia importante (estimada em cerca de 30%) do que é produzido atende às exportações, combalidas pela crise internacional.

Ao mesmo tempo, a indústria acumulou elevados estoques por causa da freada brusca da economia a partir de setembro de 2008.

Diante disso, foi obrigada a cortar a produção para se ajustar a um novo cenário de consumo mais fraco. Esse movimento não se verificou no comércio, que continuou a vender produtos que estavam em prateleiras ou estocados nas indústrias que o abastecem.

Por isso, o comércio sentiu menos os efeitos da crise, ainda que não tenha passado ileso. Pelos dados do IBGE, o volume de vendas do comércio varejista ampliado (inclui veículos e material de construção) cresceu 2,5% de janeiro a abril (o dado disponível mais recente). Em abril, caiu 0,8%, num ritmo bem mais moderado do que o registrado na indústria.

Para Marcela Prada, economista da Tendências, o comércio se beneficiou mais do cenário positivo da economia brasileira se comparado ao de outros países. É que a massa salarial continuou em expansão, apesar da crise, e impulsionou o setor.

O varejo enfrentou retração do crédito num primeiro momento, mas reagiu rapidamente quando os financiamentos começaram a voltar e os prazos de pagamento se dilataram novamente, afirma Prada. Outro fator positivo foi a redução do IPI para veículos, material de construção e linha branca, que barateou o preço desses produtos no varejo e estimulou o consumo.

Até abril, os efeitos haviam surgido apenas em veículos -cujas vendas cresceram 1,3% nos quatro primeiros meses do ano. Mas devem aparecer nos próximos meses especialmente em eletrodomésticos -ramo que registrou queda de 1,6% de janeiro a abril. (Pedro Soares)
Leia também:

Nelson Barbosa: 'Não há mais espaço para cortar imposto'
Recuperação vai acelerar, dizem especialistas
Ações do setor imobiliário disparam 87,2% na Bolsa
Exportação e investimento ainda patinam
Fazenda vê reação da economia e descarta novos cortes no Orçamento


Marcadores: Ajuste de estoques, Comércio varejista, Massa salarial



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )

POLÍTICA E ECONOMIA
Sexta-feira, 03 de Julho de 2009 - 03:36
Meta menor de inflação tem de vir acompanhada de desindexação da economia


Blog do Vicente - Craque nas previsões de inflação, o economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho, diz que de nada adiantará o governo reduzir a meta de inflação a ser perseguida em 2011, de 4,5% para 4%, como quer o mercado, se esse movimento não vier acompanhado de um amplo processo de desindexação da economia.

Para ele, o Banco Central deveria realizar um amplo estudo sobre o tema e explicitar o porquê da necessidade de se reduzir a meta e o que é preciso fazer. A indexação da economia, que ainda persiste mesmo depois de todas as mudanças promovidas pelo Plano Real, está enraizada oficialmente nos contratos de energia elétrica, de aluguel e de telefonia e até da caderneta de poupança. Mas há a indexação informal, que atualiza o salário mínimo, as aposentadorias, as mensalidades escolares.

Essa indexação resulta no que os economistas classificam como inércia, ou inflação passada, que acaba contaminando a inflação futura. Tudo isso impede que os índices de preços caiam mais rápido no Brasil. "O debate precisa ir muito além da redução da meta de inflação", afirma Thadeu Filho, que não vê nenhum problema no fato de o governo chamar as empresas para renegociar contratos. "O importante é que tudo seja negociado, que não haja quebra de contrato", complementa.

Dado esse contexto, o economista da SLW acredita que o melhor a ser feito é estender o prazo de vigência da meta de inflação, hoje de um ano. "Poderíamos fixar um prazo de 10 anos, por exemplo, para que a inflação chegue a 3,5%", sugere.

O governo foi muito criticado esta semana por ter mantido a meta de inflação de 2010 e 2011 em 4,5%. Esses comentários ajudam a entender os motivos.

Pior do que a indexação propriamente dita foi a indexação dos principais preços administrados, das empresas privatizadas, ao IGP (Índice Geral de Preços) da Fundação Getúlio Vargas. Esse foi um crime contra o real que a imprensa não denunciou nos anos 90, pois o IGP é fortemente influenciado pelos preços do atacado e o valor do dólar. Os salários e benefícios sociais geralmente são indexados aos índices ao consumidor (IPCA, IPC), geralmente mais baixos que o IGP.

Esta inércia causada pela indexação, esta hoje mantendo o IPCA pouco acima da meta, mesmo em período de contração econômica. Como o IGP está hoje num ritmo de deflação, com a que da nos preços das commodities, provavelmente teremos um 2010 com pouca pressão inflacionária.

No entanto no ano de recuperação da demanda, é praticamente certo que os preços do atacado subam e o círculo vicioso da indexação reapareça.

Esse debate levantado pelo Carlos Thadeu Filho, que já foi diretor do Banco Central, é urgente principalmente agora que a Selic alcançou finalmente o patamar de 1 dígito. Não é simples, pois mexe com contratos de longo prazo assinados nos anos 90. Na época, como muitos devem se lembrar, não importava como, o importante era privatizar.


Marcadores: IGP, Indexação, Inflação



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )


MEIO AMBIENTE
Sexta-feira, 03 de Julho de 2009 - 03:07
Mutirão Arco Verde Terra Legal oferece alternativas de combate ao desmatamento


Caminhões desembarcaram em mais três cidades da Amazônia para estimular a comunidade local a adotar modelos de desenvolvimento sustentável.
Ministério do Meio Ambiente - Os caminhões do Mutirão Arco Verde Terra Legal desembarcaram em mais três cidades da Amazônia: Feliz Natal (MT), Machadinho D'Oeste (RO) e Paragominas (PA). Nesta sexta-feira e sábado, o mutirão vai atender à população, apresentando políticas públicas a fim de estimular a sociedade para adotar modelos de desenvolvimento sustentável e capacitação. Também será possível tirar documentos, como identidade.
O diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável, Paulo Guilherme, que coordena os trabalhos do mutirão em Feliz Natal, no Mato Grosso, apresentou nesta quinta-feira as ações do Ministério do Meio Ambiente para o governo local e entidades sociais locais. Segundo Guilherme, o município está já está trabalhando em alternativas para gerar emprego e renda, acabando com o desmatamento. Alguns donos de caminhões que carregavam a madeira ilegal se juntaram e criaram um fábrica de torneira, tendo como matéria-prima materiais reciclados. A iniciativa vai gerar emprego para cerca de 300 pessoas.

O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Egon Krakhecke, participou nesta quinta-feira de reunião com 100 líderes sociais, em Paragominas. Lá o MMA apresentou políticas, como a gestão de florestas públicas e o manejo florestal como alternativa produtiva. A Operação Arco Verde é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente.

Já em Machadinho D'Oeste, em Rondônia, o analista ambiental do MMA, Francisco Eduardo Porto, apresentou uma proposta de fazer gestão integrada de resíduos sólidos, junto com outros 14 municípios. Essa proposta barateia o processo, além de abrir espaço para trabalhos com cooperativas de catadores de lixo, que podem fazer a reciclagem, e até mesmo artesanato com o material, ajudando na renda da família.

Esta é a terceira etapa do mutirão, que já atendeu a 29 mil pessoas desde o seu lançamento, em 19 de junho, no município de Alta Floresta (MT), com a participação do presidente Lula. A idéia do mutirão é de que é possível mudar a matriz produtiva, com medidas de longo prazo, de uso sustentável da floresta, ao mesmo tempo implementando a compensação e a recuperação de áreas degradadas.

Em Feliz Natal (MT), o atendimento ao público será realizado nesta sexta-feira e sábado no Centro Comunitário Tio Teco. Nos mesmos dias, o mutirão estará também no Ginásio Poliesportivo de Paragominas e na Escola Joaquim Pereira da Rocha de Machadinho dOeste. Nos três municípios, o atendimento é das 9h às 18h.

As três caravanas do mutirão já estiveram em Alta Floresta e Peixoto de Azevedo, em Mato Grosso, Marabá e Tailândia, no Pará, e Porto Velho e Nova Mamoré, em Rondônia. O mutirão é coordenado pela Casa Civil e pelos ministério do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário, com a participação de outros 13 ministérios, autarquias, empresas e bancos públicos.
Leia também:

Terra Legal transfere titularidade da Gleba Jarinã a Mato Grosso
Terra Legal cadastra posseiros em Machadinho d’Oeste (RO) e Paragominas (PA)


Marcadores: Arco Verde, Terra Legal



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )

POLÍTICA E ECONOMIA
Quinta-feira, 02 de Julho de 2009 - 04:09
O outro lado do Real


artigo, Luis Frave
Blog do Favre - O aniversário do Plano Real é a oportunidade para os jornais e os tucanos tentarem reivindicar tudo o que de bom aconteceu no Brasil desde que fora descoberto por… FHC.

Hoje, em artigo no jornal O Globo, até José Serra procura posar de pai do fim da inflação. Já Itamar Franco saiu lembrando que foi ele quem fez o Real e também os genéricos (outra aparente apropriação indevida).
Para evitar que a apologia do Plano atinja paroxismos, o Estadão de hoje traz alguns dados sobre a inflação dos alugueis (não achei na versão eletrônica), nos 15 anos do… fim da inflação; ela foi de 633,52%. A tabela reproduzida no jornal com a inflação dos itens da cesta básica é ilustrativa.

O que a maioria dos analistas fingem esquecer é que o Plano Real foi inspirado, por não dizer copiado, do Plano Cavallo de Argentina, que na época tinha sido apresentado como o grande modelo de estabilização baseado na paridade fixa dólar e peso, redução do deficit público pela venda do patrimônio estatal e maciça entrada de capital externo atraído pelas privatizações e pelos juros elevados. O Plano brasileiro diferia do plano argentino na garantia constitucional que atrelava, no país vizinho, o peso ao dólar em 1=1, transformando de fato a Argentina em país com duas moedas igualmente utilizadas em todas as transações. Do resto, poucas diferencias e muitas semelhanças nas suas consequências.

Uma delas, apoiada no "populismo cambial" provocado pela valorização artificial da moeda local, ancorada não nos bons fundamentos econômicos do país e sim nos juros garantidos ao capital especulativo e as lucrativas privatizações, foi a acumulação de deficit crescentes no comércio exterior e um crescimento pífio. Uma outra foi o rápido crescimento da dívida externa e interna, só financiável com maiores juros. Por último a falência, maior na Argentina, mas igualmente violenta no Brasil. Em ambos os casos, o recurso ao monitoramento e aos empréstimos do FMI. Mas, as duas evitavam o risco da hiperinflação que ameaçava o que era sem dúvida positivo.

Significativamente, após um curto período em 1994, onde a introdução do Plano se acompanhou de uma melhora no poder adquisitivo da população, os anos seguintes foram marcados não só pelo aumento progressivo do desemprego, mas também por um aumento da desigualdade social. Enquanto a inflação real do Real, medida pelo IPC foi de 69% de julho de 1994 a junho de 1999; no mesmo período quase nenhuma categoria teve a reintegração das perdas inflacionárias. Outro elemento é o valor do salário mínimo que em 1994 era 9,1 vezes menor que o necessário e que só conheceu um verdadeiro aumento do seu poder de compra no governo Lula, sendo que hoje essa relação caiu para 4,4 vezes. Como constata lucidamente Luis Nassif:
"Em qualquer circunstância, todas as medidas do governo FHC eram no sentido de preservar os ganhos dos investidores. Ajuste cambial significaria impor perdas a quem trouxe dólares, mas prevenir de maneira definitiva futuras crises. Com as contas externas em ordem, não haveria obstáculos ao crescimento da economia.

Para não penalizar os investidores, não se permitia o ajuste no câmbio. Não havendo, o ajuste nas contas externas só se podia dar via recessão. Aí, toca aumentar o arrocho fiscal (para reduzir o déficit comercial) e as taxas de juros (para manter o fluxo de investimentos externos). O especulador ganhava nas duas pontas. O país perdia em ambas."

Forçado a rever o Plano após a devaluação do Real em janeiro de 1999, os tucanos aceitaram renunciar em parte ao populismo cambial e deixar o câmbio flutuante agir plenamente, o ajuste fiscal visando a geração de superávits primários só começou realmente em 2000 e uma readequação geral do endividamento de Estados e Municípios com a LRF, conjunto de medidas que em regras gerais evitaram o pior (mesmo assim requerendo a intervenção do FMI com o fornecimento da maior ajuda externa da instituição em toda sua história). É esse legado que Lula soube, junto com Palocci, perpetuar modificando, sem rupturas, o processo socialmente excludente do neoliberalismo privatizador.

Em 2002 um país exaurido, com fraquíssimo crescimento e crescente inflação, sem reservas e profundamente endividado, com a maior taxa de juros do planeta, foi o legado deixado por 8 anos de governo tucano. Sem falar nas graves falências na educação, na saúde, na infraestrutura, nos serviços públicos, no apagão da energia e no transporte.

O Brasil escolheu a mudança e reafirmou esta escolha novamente em 2006. Mas essa já é outra história.


O Favre toca em alguns pontos que me são muito caros. Para mim, não importa se o plano real foi uma cópia, mesmo que melhorada, do plano Cavallo. Importa é que ele foi muito bem aplicado enquanto objetivo de quebrar a inércia inflacionária. A URV foi realmente brilhante. Outros planos anteriores também foram brilhantes em seu início, mas os governos não tiveram força política suficiente para implementar algumas políticas complementares e para muito "impopulares". Cito arrocho salarial e a política cambial, que tantos prejuízos deram aos trabalhadores, principalmente os servidores públicos, e à indústria. Para os formadores de opinião eram medidas necessárias para um "estadista". De fato, o governo Fernando Henrique tinha força política para tal. O Real foi também beneficiado pela ampla abertura comercial iniciada por Collor, que lhe deu fôlego para a queda dos preços. FHC chegou a dizer ontem na Folha:
Tive que enfrentar esse problema no Real e não demos o aumento de salário (funcionalismo). Se isso ocorresse, haveria uma superpressão do consumo e a inflação iria voltar. Às vezes, é necessário aceitar o risco da impopularidade.

Não se tratou apenas de impopularidade, mas de um tiro no pé. A âncora cambial e o arrocho salarial foram sim marcos que permitiram resistir à memória inflacionária, mas não sem graves conseqüências no médio prazo.

Como disse o Favre, tirando os dois primeiros anos animados pelo aumento da massa salarial, em função do fim do imposto inflacionário, o país se viu sem investimentos, perdendo milhões de empregos formais e por fim, como era de se esperar, caindo em recessão. Aliado a isso, os déficits em conta corrente bateram a casa dos 5% anuais com conseqüências dramáticas sobre a dívida pública e à capacidade de investimento do governo. Isso se reflete até hoje. FHC se apressou a enxugar gelo vendendo estatais em troca de moedas podres, mas sem antes gastar bilhões de reais no chamado "saneamento das empresas ineficientes". O mesmo Nassif comenta em seu blog:
"[...] as quatro ou cinco crises que sacudiram o país no seu governo (FHC) não são álibi, são agravantes. Eram crises nas contas externas. Após a primeira crise, o país deveria ter sido preparado para evitar as seguintes. Mas, em todas elas, recorria apenas ao receituário fiscal, jamais à solução das contas externas."

E a crise definitiva foi a cambial, que esticada ao máximo para garantir a reeleição do presidente, explodiu em janeiro de 1999, levando de roldão dois presidentes do Banco Central. Não sou o único a acreditar que o plano real morreu ali. O ministério da Fazenda foi praticamente terceirizado para o FMI que implantou o tripé macroeconômico do qual tanto os tucanos se orgulham (metas de inflação, superávits primários e câmbio flutuante). Essas nunca foram políticas do plano real, marcado, ao contrário, pelo populismo cambial e pela irresponsabilidade fiscal. A virada da política econômica em 1999 serviu para salvar o governo de uma grave crise institucional, além da moeda, mas aquilo não poderia mais ser chamado de plano real.

A última crise nas contas externas foi a de 2002, que com a ajuda da imprensa foi colocada na conta da "transição política". Mera estratégia política para tentar fazer o medo vencer mais uma vez. Diretores da FIESP prometendo abandonar o país, as agências de risco elevando o prêmio a ser pago na casa dos 2 mil pontos, mas o que realmente agravou a crise foi a fragilidade de nossos contas externas. Não a toa, essa foi a maior das prioridades do governo recém eleito.


Marcadores: FMI, Plano Real, Populismo cambial



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 2 COMENTÁRIOS ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )


POLÍTICA E ECONOMIA
Quinta-feira, 02 de Julho de 2009 - 00:32
Mobilidade social em 2008: 'consolidação é a palavra-chave'


Globo Online - Depois de crescer 10% entre 2006 e 2007, período de forte expansão da economia brasileira, a classe C se manteve praticamente estável em 2008, com ligeira queda de 46% para 45% da população do país. Com isso, 1,6 milhão de brasileiros retornaram para as classes D e E ao longo do ano passado. Os dados fazem parte da 4ª edição da pesquisa Observador, divulgada nesta quarta-feira pela financeira Cetelem (ligada ao banco francês BNP Paribas) em parceria com o instituto Ipsos-Public Affairs. Eles vão na contramão do levantamento anterior (2006/2007), quando cerca de 20 milhões de pessoas haviam migrado para a classe média, elevando a sua participação de 36% para 46%.

Em números absolutos, o estudo mostra que, enquanto a classe média encolheu de 86.207 milhões para 84.621 milhões de pessoas, as camadas A e B, as mais abastadas, e D e E, as menos favorecidas, aumentaram seus contingentes: A e B, de 28.078 milhões para 29.377 milhões; e a D e E, de 72.941 milhões para 75.822 milhões.

Apesar da freada brusca no crescimento da classe média brasileira, Marcos Etchegoyen, vice-presidente da Cetelem no Brasil, considera que a pirâmide social se manteve estável e a classe C acabou se confirmando como o principal grupo do país, mesmo depois de um ano marcado pela agravamento da crise financeira no país.

Segundo ele, a redução ligeira da participação da classe C na população não deve ser creditada aos efeitos crise, mas ao processo de consolidação dos números. Ele mostra que o estudo aponta dados positivos para a renda familiar dos brasileiros que cresceu, em média, 11% em todas as faixas sociais em 2008. Mas, desta vez, com as camadas A e B registraram maior crescimento (16,5%) em relação as outras classes, cujo rendimento mensal passou de R$ 2.217 para R$ 2.586. Nas camadas D e E, o aumento da renda foi o menor, de 12%, avançando de R$ 580, em 2007, para R$ 650, no ano passado. Já na C, a renda mensal das famílias teve um incremento de 13%, atingindo R$ 1.201, contra R$ 1.062 antes.

- Houve uma consolidação de um processo de ganho de toda a sociedade. Consolidação é a palavra-chave, até porque não dá para crescer indefinidamente - disse Etchegoyen, lembrando que o Brasil atingiu um patamar de desenvolvimento social nos últimos anos que a crise não deve prejudicar. - O desafio é fazer com que essa consolidação da renda das famílias se mantenha no próximo levantamento.

As duas últimas matérias publicadas aqui comprovam apenas o que todos já sabemos, o que indiretamente é mensalmente indicado pela Pesquisa de Comércio do IBGE. O padrão de renda do brasileiro tem crescido de forma consistente nos últimos anos. E esse fenômeno pode ser explicado de várias formas.

Os programas sociais, o Bolsa família, o processo de recuperação do salário mínimo, o aumento do emprego formal, o combate a inflação, o aumento do crédito etc, etc. As pesquisas mostram que mesmo em tempo de crise houve uma consolidação dessa histórica mobilidade social. Mesmo o aumento do desemprego na virada do ano, não foi capaz de interromper o processo de crescimento da massa salarial.

Alguns posts abaixo, vimos que as vendas de eletrodomésticos e veículos estão empatando com o mesmo período do ano passado. Em uma comparação sobre uma base muito aquecida. Ao mesmo tempo, é bom lembrar que crise derrubou a demanda nos últimos dois meses de 2008, o que me faz crer que no final do ano o crescimento da demanda vai ser mais notada. Na comparação anual, acredito que teremos um belíssimo Natal.


Marcadores: Classe C, Instituto Ipsos, Mobilidade social



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 1 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )

POLÍTICA E ECONOMIA
Quarta-feira, 01 de Julho de 2009 - 21:36
Crise afeta os mais ricos e classe C já reage


Levantamento indica queda de 8,7% na renda das classes A e B e recuperação da C, com alta de 3,9%
O Estado de S.Paulo - A crise econômica global atingiu em cheio o bolso dos brasileiros mais ricos. De janeiro a abril, a renda média (individual) das pessoas das classes A e B nas seis principais regiões metropolitanas caiu 8,7% em termos reais, ante igual período de 2008, de R$ 2.637 para R$ 2.407. Em 2008, a renda das classes A e B já havia caído 7,01% ante 2007. Na visão do economista Marcelo Neri, que calculou esses números, a queda em 2008 deve ter sido influenciada pelos meses após a crise global, iniciada em setembro.
A boa notícia, nesse levantamento feito por Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é que a classe C, muito atingida em janeiro, se recuperou. Um estudo anterior de Neri mostrava que, apenas em janeiro, a classe C tinha perdido para as classes D e E 11% de todo o seu crescimento em tamanho no governo Lula.

Os novos números fazem parte de um estudo de natureza diferente, que revela o salário médio por classe, e não o tamanho de cada uma. O trabalho mostra que a renda média das pessoas de classe C cresceu 3,9% de janeiro a abril deste ano, comparada com os mesmos meses de 2008, subindo de R$ 625 para R$ 649. Em 2008, já havia aumentado 6,12%.

Coerentemente com esse resultado, a classe C já representava, na última semana de abril, 53,6% da população das seis regiões metropolitanas, após ter caído de 53,81% para 52,64% apenas em janeiro. As classes A e B correspondiam a 13,3% da população metropolitana na última semana de abril.

O cálculo do novo estudo de Neri também toma por base a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife.

Para o economista, uma das principais razões pelas quais a turbulência está atingindo mais fortemente os mais ricos são as próprias características da crise global. Ela se iniciou no sistema financeiro dos países ricos e depois se transmitiu ao setor real dessas economias centrais. No Brasil, a transmissão ocorreu, num primeiro momento, no próprio sistema financeiro, e em seguida nos segmentos da economia que transacionam com o mundo desenvolvido, onde está situado o verdadeiro centro da crise.

Neri explica que o setor exportador tende a ser o mais moderno da economia, por isso tem, em geral, pessoas com rendimentos mais mais altos do que a média, que acabaram sendo as mais afetadas pela crise. "Na Belíndia brasileira, quem transaciona com o exterior são os belgas", ele diz, fazendo referência à expressão cunhada pelo economista Edmar Bacha, que divide o Brasil entre uma parte moderna (Bélgica) e uma atrasada (Índia).

O diretor do CPS tem outros indicadores que mostram que a crise afetou mais os empregados nos setores industrial e financeiro do que a média dos trabalhadores. A redução das exportações, aliás, foi responsável por cerca de metade da queda da produção industrial a partir de setembro, segundo estudo recente do BNDES. (Fernando Dantas)

Leia a matéria completa no site do O Estado de S.Paulo

Marcadores: Belíndia, Classe C, PME



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )


POLÍTICA E ECONOMIA
Quarta-feira, 01 de Julho de 2009 - 17:53
BNDES cria programa para incentivar engenharia brasileira


Valor Online - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a criação do Programa de Apoio à Engenharia (BNDES Proengenharia) para financiar a atividade dentro dos setores de bens de capital, petróleo e gás, naval, aeronáutico, aeroespacial, nuclear, defesa nacional e automotivo, além da cadeia de fornecedores de petróleo, gás e a indústria naval.

O BNDES Proengenharia terá orçamento de R$ 4 bilhões e vigência até 31 de dezembro de 2010 e se destinará a apoiar as atividades de engenharia local, voltada ao mercado interno e externo. O valor mínimo do crédito será de R$ 3 milhões e poderá ser liberado diretamente pelo BNDES, via agentes financeiros ou de maneira mista.

O custo final será de Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), reduzida agora para 6% ao ano, mais 0,9%, acrescidos do spread de risco da empresa, de até 3,57%. O prazo máximo de financiamento será determinado em função da capacidade de pagamento do empreendimento e do grupo econômico.

Nas operações indiretas haverá, ainda, taxa de intermediação financeira para operações de 0,5% para as grandes empresas. As micro, pequenas e médias estão isentas desta taxa. A remuneração do agente será negociada entre os bancos e o beneficiário do crédito.

Entre os principais itens financiáveis estão os custos e as despesas diretas associadas às atividades de engenharia e aperfeiçoamento de produtos e processos dos setores de máquinas e equipamentos nacionais, cadastrados no BNDES; mão-de-obra e materiais; testes e ensaios; registro de patentes no Brasil e no exterior; obras civis, montagens e instalações; softwares desenvolvidos no país e serviços correlatos; importação de equipamentos novos sem similar nacional.

O banco de fomento também reduzirá as taxas de juros para as linhas de inovação. A taxa anual da linha Inovação Tecnológica - que apoia projetos que busquem o desenvolvimento de produtos ou processos novos e que envolvam risco tecnológico - cairá de 4,5% para 3,5% e será fixa até 31 de dezembro deste ano.

Já a linha Capital Inovador, que incentiva empresas a desenvolver capacidade para gerar atividades de inovação, teve a taxa reduzida de 9,25%, incluindo a taxa média de risco de 3%, para 4,5%, também até 31 de dezembro. (Valor Online)



Marcadores: BNDES, Capital Inovador, Engenharia, Inovação, TJLP



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 1 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )

POLÍTICA E ECONOMIA
Quinta-feira, 02 de Julho de 2009 - 12:31
Com corte do IPI, indústrias de eletrodomésticos e veículos repetem 2008


Fabricantes de eletrodomésticos e veículos já trabalham num ritmo igual ou até maior que o registrado antes da crise.
O Estado de S.Paulo - A produção de eletrodomésticos da linha branca e de veículos em junho está acima do nível anterior à crise, impulsionada pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O alívio tributário antecipou o ajuste de estoques e a retomada da produção. Com o benefício garantido por mais três meses, essas empresas podem compensar as dificuldades do início do ano e já apostam que devem repetir em 2009 o desempenho de 2008, apesar da turbulência global.

Na Whirlpool, que fabrica os refrigeradores Brastemp e Cônsul, a produção de maio superou em 20% a do mesmo mês de 2008. Em junho, a alta deve ficar entre 15% e 18%. "É um número extraordinário. O IPI evitou um desastre no setor", disse Armando Ennes do Valle, diretor de Relações Institucionais da empresa. Para atender à demanda adicional, a Whirlpool contratou 400 trabalhadores temporários em maio.

O resultado é uma reversão significativa em relação às vendas fracas dos primeiros meses do ano, que elevaram os estoques da empresa em 10% e provocaram corte de 15% na produção. Valle acredita que as vendas devem se manter aquecidas nos próximos meses, um pouco abaixo do nível atual, que atendeu à demanda reprimida da população, mas acima do ano passado. A meta da Whirlpool é aumentar em 4% as vendas de 2009 em relação a 2008.

De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Eletroeletrônicos (Eletros), a multinacional está longe de ser um caso isolado. As vendas do setor cresceram 20% em maio, em relação a maio de 2008, e os primeiros sinais de junho são positivos, informa Lourival Kiçula, presidente da entidade. Segundo o executivo, o setor terminou 2008 com estoques 30% acima do nível ideal, mas o ajuste ocorreu rapidamente, por conta do incentivo fiscal.

Na Latina, fabricante de tanquinhos semiautomáticos , purificadores de água e ventiladores de teto instalada em São Carlos (SP), os estoques estão abaixo do desejado e a fábrica opera a plena carga, conta o vice-presidente, José Paulo Aleixo Conti. No auge da crise, a empresa chegou a estocar 70% da produção de um mês e teve que alugar armazéns. A saída foi cortar a produção e o quadro de funcionários em 30%. [...]

[...] No setor automotivo, a isenção de IPI e a oferta de crédito dos bancos públicos garantiram vendas fortes e estoques baixos. As vendas de automóveis em junho devem superar o recorde da história do setor. Mas a produção ainda não retomou os níveis de antes da crise, por causa da expressiva queda das exportações e das fracas vendas de caminhões. [...]

[...] O diretor de Relações Institucionais da Ford, Rogelio Golfarb, acredita que o ritmo de produção deve se manter ou até aumentar com a ajuda da prorrogação do IPI. O governo antecipou na sexta-feira a decisão de manter o benefício por mais três meses. Ele disse que ainda é difícil estimar o tamanho do mercado sem o alívio tributário. "A crise não passou totalmente porque as empresas não voltaram a investir". (Raquel Landim)

Leia a matéria completa no site do O Estado de S.Paulo

Dois dados sobre o mercado de automóveis demonstram claramente as dificuldades com o ajuste de estoques, fruto possivelmente da queda da demanda externa. A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) anunciou que a venda de automóveis no primeiro semestre de 2009 cresceu 4,14% na comparação com o mesmo período do ano anterior, ao mesmo tempo em que o IBGE notifica que a produção do setor caiu 17,6% na mesma comparação (aqui até maio).

Leia também:

Venda de carros alcança melhor resultado mensal da história
Indústria ajusta estoques e começa a retomar fôlego


Marcadores: Ajuste de estoques, Automóveis, Eletrodomésticos, Linha branca, Whirlpool



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )


MEIO AMBIENTE
Terça-feira, 30 de Junho de 2009 - 22:08
Embrapa lança geoprocessamento que permite manejo racional de florestas na Amazônia


Pesquisadores da Embrapa finalizaram na última semana a primeira etapa de treinamento em uma tecnologia inovadora para manejo de florestas nativas.
Grupo Cultivar - O Modelo Digital de Exploração Florestal é um processo que utiliza imagens de satélite, equipamentos de GPS e softwares de geoprocessamento para a realização de inventários florestais e o monitoramento preciso das atividades de manejo das florestas. De acordo com a Embrapa, a tecnologia permite um melhor aproveitamento econômico da área e reduz os impactos no meio ambiente.
O manejo de florestas nativas é o processo de extração de árvores com potencial madeireiro de acordo com a legislação e com um plano de trabalho aprovado e fiscalizado pelos órgãos ambientais. O objetivo é manter a floresta produtiva, com baixo comprometimento das áreas não exploradas, de modo que a atividade tenha sustentabilidade.

As técnicas convencionais de manejo, no entanto, podem causar danos consideráveis ao meio ambiente e gerar custos desnecessários. De acordo com um recente estudo da Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, se observa nos planos de manejo atuais a abertura inadequada de estradas na floresta, a criação de pátios (clareiras) superdimensionados para estocar a madeira, a dificuldade em localizar árvores a serem cortadas ou até mesmo a perda de madeira no meio da floresta.

Com uso dos sistemas de navegação global por satélite (GNSS), é possível localizar com precisão as espécies com maior potencial madeireiro e planejar a abertura de picadas, pátios e trilhas de arraste das toras de modo a maximizar o rendimento e reduzir o impacto ambiental, explica o engenheiro florestal Daniel Papa, da Embrapa Acre.

Sensoriamento remoto - O primeiro passo para o manejo florestal é a realização do inventário, que começa no mapeamento do relevo e dos cursos d'água da área a ser explorada. Para isso, são utilizadas imagens de radar geradas durante a Missão Topográfica Radar Shuttle (SRTM), da Nasa, realizada no ano 2000. A tecnologia permite o mapeamento preciso das irregularidades do terreno e a localização de rios e córregos.

Depois de mapeada a área, uma equipe de campo verifica a localização dos rios e registra com GPS a altitude das principais ondulações do terreno. O passo seguinte é identificar na floresta as espécies madeireiras e registrar, além da localização geográfica de cada árvore, a espécie, o diâmetro, a altura e a qualidade do tronco.

Os dados colhidos em campo são posteriormente exportados para um banco de dados e manipulados em software de geoprocessamento. Com isso, é possível ter o mapa completo de todas as árvores e gerar estatísticas em função do volume de madeira e do relevo. São dados como estes que ajudam a determinar os melhores pontos para a abertura dos acesso à equipe de corte e transporte no meio da floresta. (Daniel Medeiros, Embrapa Rondônia)

Leia a matéria completa no site do Grupo Cultivar

Marcadores: Amazônia, Embrapa, Geoprocessamento, GNSS, Manejo florestal



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )

MEIO AMBIENTE
Quarta-feira, 01 de Julho de 2009 - 04:47
Minc anuncia medidas para incentivar energia eólica


Para ele, a Carta dos Ventos é uma virada na política de geração de energia limpa. O Ministério planeja simplificar o licenciamento e já está em entendimentos com o Governo para o reduzir o IPI e facilitar a importação.
Ministério do Meio Ambiente - O ministro Carlos Minc defendeu durante o Fórum Nacional Eólico, a ampliação do parque de geração de energia elétrica eólico do País. O Brasil não pode continuar na contramão da tendência mundial, disse Minc, ao criticar a ampliação da geração por usinas térmicas. Segundo ele, o Brasil tem um papel determinante na Convenção do Clima de Copenhagen (COP-15), em dezembro, e tem de mostrar que está investindo em energia limpa.
Com nove parques eólicos em operação, produzindo 121,83 MW de energia, segundo dados da Aneel, o Ceará só fica atrás do Rio Grande do Sul, que gera 150 MW.
O ministro assinou a Carta dos Ventos com dez secretários de estados e todos os representantes brasileiros do setor. O documento aponta para a busca de consenso sobre as necessidade de maior participação da energia limpa eólica na matriz energética brasileira. Segundo o ministro, o leilão para a entrada de 1000 MW de origem eólica no sistema ainda é pouco. Temos de fazer leilão de pelo menos três mil por ano, no mínimo, disse.

Minc destacou o papel do Ministério do Meio Ambiente, afirmando que o órgão planeja simplificar o licenciamento, pois já está no Conama resolução que fará com que as usinas térmicas adotem medidas mitigatórias, assumindo o custo ambiental de suas emissões, o que tornará os parques eólicos mais competitivos, além de incentivar a integração da geração eólica ao sistema de distribuição das demais fontes. A importação, um dos entraves da ampliação do setor, terá IPI reduzido, segundo entendimentos que vem sendo mantidos com a área econômica do Governo, além de reduzir os índices de nacionalização do setor, atualmente num patamar de 70%.

Segundo Minc, o Brasil é a terra dos ventos e precisa investir bem mais na energia limpa e não nas térmicas, que lançam toneladas de CO2 na atmosfera. Para ele, a Região Nordeste tem vocação natural para esse tipo de energia e poderá receber a instalação dos chamados parques offshore, na plataforma marítima, que tem baixo impacto. Segundo Minc, a Carta dos Ventos abre espaço para que o Brasil se torne uma potência na geração de energia eólica. Vamos tornar a energia eólica mais barata e mais competitiva para o Brasil, concluiu. (Jefferson Rudy)

Conheça a Carta dos Ventos
Leia também:

CE pode economizar R$ 188 mi com os ventos
Para empresários, setor eólico brasileiro requer plano longo
Custo de eólica poderá cair
MPX Energia projeta parque eólico no Ceará
Ceará: Projeto cria fundo para energia solar


Marcadores: Carta dos Ventos, Conama, Convenção do Clima, Energia eólica



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )


POLÍTICA E ECONOMIA
Terça-feira, 30 de Junho de 2009 - 10:57
Empresas devem antecipar investimentos


O principal efeito a se esperar do pacote anunciado ontem é a antecipação dos investimentos do setor produtivo.
Valor Econômico - A redução do custo do investimento anunciada ontem pelo governo é de fato significativa, trazendo os juros para níveis realmente baixos para os padrões brasileiros, dizem economistas e representantes da indústria. Com a diminuição das taxas cobradas nos empréstimos para compra e produção e bens de capital, o preço do dinheiro não deve ser um obstáculo para quem pretende investir na modernização e ampliação da capacidade produtiva. A expectativa, porém, não é de uma explosão das inversões no segundo semestre. As perspectivas para a economia global seguem ruins, o que é ruim para setores exportadores, e a capacidade ociosa da indústria segue elevada.
"Quem tiver acesso aos recursos do BNDES não poderá reclamar que o custo do investimento ainda está elevado", diz Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES no governo Fernando Henrique Cardoso. O que pode ocorrer, segundo ele, é que algumas empresas continuem sem acesso aos recursos, pela questão da falta de capilaridade do BNDES e da falta de interesse de alguns bancos privados em repassar os recursos do banco estatal. Os juros que serão cobrados até o fim do ano, porém, são realmente atrativos, especialmente para os níveis historicamente observados no país, diz Mendonça de Barros.

O custo do financiamento para aquisição e produção de bens de capital caiu de 10,5% para 4,5% ao ano. Para ele, alguns países têm juros menores para o investimento, mas as taxas anunciadas pelo BNDES são interessantes. Na comparação com o IPCA acumulado nos 12 meses até maio, de 5,2%, as taxas para essas linhas são negativas, descontada a inflação.

Com o agravamento da crise a partir de setembro do ano passado, a produção de bens de capital despencou abruptamente, como mostra um estudo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). Em sete meses, de setembro de 2008 a março deste ano, a fabricação desses bens caiu nada menos que 31,4%, um tombo significativo num curto espaço de tempo. [...]

[...] O diretor titular do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, também gostou das medidas. A redução dos juros é significativa, levando as taxas cobradas em empréstimos e financiamentos para níveis que não eram vistos no Brasil em muito tempo, talvez desde os anos 80, diz Francini - a inflação alta na época torna difícil a comparação. Ele destaca ainda o Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que pode facilitar a vida das micro e pequenas empresas. [...]

[...] Francini lembra ainda que, apesar das bem-vindas reduções dos juros e da desoneração do IPI, ainda há impostos que incidem sobre bens de capital, com o PIS/Cofins e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). "Esses tributos elevam em mais de 20% o valor de compra desse bem", afirma ele, que acredita num impacto positivo sobre o setor. "Mas é algo muito difícil de mensurar."

Mendonça de Barros diz que não se deve esperar uma forte retomada do investimento, por causa da capacidade ociosa que existe no Brasil e no mundo. Ainda assim, é possível que as empresas aproveitem para aumentar a eficiência e a produtividade, o que é bastante positivo, avalia ele. (Valor Econômico)

''Minha Casa'' aquece vendas de segmento popular - As empresas que atuam no segmento econômico já sentem os efeitos do programa Minha Casa, Minha Vida. "Falávamos em um ano de crescimento zero e agora já temos previsão de crescer 30% a 40%", diz o presidente da PDG Realty, Zeca Grabowsky. Segundo ele, os efeitos do pacote foram imediatos, uma vez que a empresa já atendia o segmento popular, com a Goldfarb. A Rossi Residencial também está revendo suas expectativas. "As vendas têm se recuperado mês a mês e pretendemos retomar o caminho dos lançamentos", afirma o diretor comercial, Leonardo Diniz. (Estadão)
Leia também:

Cresce uso do cartão BNDES para obras de construção civil
Brasil deve se destacar no pós-crise, diz WestLB
Custo da compra de máquinas no longo prazo pode cair 21%
Pacote tenta reverter queda no investimento
Pacote amplia crédito para pequena empresa
Shoppings terão 2º semestre ainda melhor, dizem empresas
Setor imobiliário ensaia recuperação


Marcadores: BNDES, CMN, Investimentos, TJLP



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 2 COMENTÁRIOS ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )

POLÍTICA E ECONOMIA
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009 - 18:38
Bancos descobrem o filão do mercado habitacional


Jornal do Commercio - O setor habitacional, antigo patinho feio da carteira de empréstimos dos bancos que somente a Caixa dava grande atenção transformou-se no foco de dois gigantes: Banco do Brasil e Bradesco. O objetivo é usar o crédito imobiliário para atrair clientes e, com isso, ganhar mercado. A política mais agressiva no segmento, algo inédito no País, beneficia os mutuários, já que as instituições passaram a oferecer crédito com juros mais baixos e prazos longos.
De acordo com os dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o volume de recursos aplicados no setor mais do que triplicou nos últimos anos. Em 2006, os bancos emprestaram R$ 9,5 bilhões. Esse valor pulou para R$ 18 bilhões em 2007 e para R$ 30 bilhões no ano passado. No montante não estão computados os empréstimos feitos com o FGTS.

Foi esse crescimento que chamou a atenção do Banco do Brasil. Na avaliação do vice-presidente do BB, Paulo Rogério Cassarelli, mesmo antes de o governo lançar o programa Minha Casa, Minha Vida o caminho para que o crédito imobiliário se tornasse um bom negócio estava sedimentado. "O financiamento habitacional vai disparar", avaliou. A mudança na garantia, que passou de hipotecária para alienação fiduciária mesmo nos financiamentos concedidos pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), trouxe mais segurança aos credores. [...]

[...] Diante disso, o Banco do Brasil fez as contas e viu que não podia ficar fora do mercado imobiliário. "Cada banco tem a sua estratégia mas, no nosso caso, não podíamos correr o risco de perder um cliente de anos para outra instituição. Só porque, na hora em que ele queria comprar um imóvel, nós não tínhamos como financiá-lo", explicou Cassarelli. O financiamento habitacional deixa o cliente preso ao banco por 20 ou até 30 anos. Durante esse período, segundo o vice-presidente do BB, o mutuário pode se tornar consumidor de outros produtos bancários. "Até 2012 o Banco do Brasil espera estar entre as três instituições que mais operam com crédito imobiliário no País", justificou Cassarelli.

Clientela - Já a estratégia da Caixa Econômica Federal instituição que detém sozinha, mais de 60% do financiamento habitacional no País é diferente. Depois que sentiu o movimento dos bancos privados, entre eles o Bradesco, de ampliar prazos e derrubar juros para conquistar clientela, a Caixa resolveu se mexer. O banco já trabalhava com prazos de 30 anos, mas decidiu cortar os juros. [...]

[...] Na busca pelos clientes de relacionamento de longa duração, o Bradesco saiu na frente. No fim do mês passado o banco anunciou que passaria a trabalhar com prazo de 30 anos e juros de 8,9% ao ano mais TR para os imóveis na faixa de até R$ 120 mil. Em 2009, o Bradesco planeja conceder crédito imobiliário da ordem de R$ 5,5 bilhões, sendo R$ 1,8 bilhão para os mutuários, pessoas físicas, com renda de até três salários-mínimos. [...] O Bradesco tem cerca de 20% do mercado e quer crescer.

Leia a matéria completa no site do Julio Bogoricin



Marcadores: Abecip, Alienação fiduciária, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica, Minha Casa; Minha Vida, SFH



POSTADO POR ALEXANDRE PORTO
( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )