|
|
| |
MEIO AMBIENTE Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008 - 21:24 Relator vota pela demarcação contínua da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol
Instituto Sócio Ambiental - O voto do ministro Carlos Ayres Britto destacou a regularidade do laudo antropológico que fundamentou a demarcação da Raposa Serra do Sol, bem como da Portaria 534/05, do Ministério da Justiça, que estabeleceu os limites territoriais da área. O processo de julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Menezes de Direito. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, disse que a conclusão desse caso deverá ocorrer ainda neste semestre.
O ministro Carlos Ayres Britto, relator do processo, afirmou que as terras sempre foram indígenas: "O ato de demarcação foi meramente declaratório de uma situação jurídica preexistente, de direito originário sobre as terras. Preexistente à própria Constituição e à transformação de um território em estado-membro", disse. O relator também sustentou que os rizicultores não têm direito adquirido sobre a área: "A presença dos arrozeiros subtrai dos índios extensa área de solo fértil e degrada os recursos ambientais necessários à sobrevivência dos nativos da região".
No voto, dividido em tópicos para facilitar a análise da matéria, ele citou pareceres e manifestações favoráveis à manutenção da Terra Indígena em área contínua, como as posições do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Vincenzo Lauriola, e da senadora Marina Silva.
O relator também contestou a tese de que "índio atrapalha o desenvolvimento". Ele argumentou que cabe à União saber aproveitar a "cosmovisão" dos indígenas para o desenvolvimento: "Ao Poder Público não incumbe hostilizar, e menos ainda escorraçar comunidades indígenas brasileiras, mas tirar proveito delas, para diversificar o potencial econômico dos seus territórios e, a partir da culturalidade intraétnica, fazer um desafio da mais criativa reinvenção da sua história sócio-cultural", concluiu.
Antes do início do julgamento, cerca de 100 pessoas, entre representantes indígenas, do Movimento de Apoio ao Trabalhador Rural (MATR) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), manifestaram-se em frente ao STF com faixas de apoio à demarcação contínua e aos índios que vivem na reserva.
Leia a matéria completa no site do Instituto Sócio Ambiental
Saúdo o voto que o relator proferiu hoje, pela improcedência da ação "popular" contra a homologação contínua da área indígena Raposa-Serra do Sol. Ação lamentável, ainda mais feita por um senador do PT. Brito foi de uma lucidez impecável, desmontou a tese falsa dos arrozeiros e dos políticos locais. A esperança agora é que os outros ministros o acompanhe, em seu voto.
Segundo o ministro, "há outras reservas em terras contínuas, em fronteiras. É o caso da Cabeça de Cachorro, no município de São Gabriel da Cachoeira, no Estado do Amazonas. E o Exército está lá, como deveria estar. A área indígena não teria como impedir a presença dos militares. O que a área indígena não permite é a exploração das terras por produtores não-índios. Dizer que o Exército não pode atuar é um sofisma alimentado por políticos e fazendeiros que agem de comum acordo, numa coalizão de interesses típica da região".
Leia também:
Pedido de vista suspende julgamento e adia decisão sobre reserva indígena
Líder dos arrozeiros, Quartiero deixa o julgamento irritado
Contestação no STF é 'fantasia maliciosa', diz Dalmo Dallari
Marcadores:
Amazônia,
Carlos Ayres Britto,
Raposa-Serra do Sol,
STF
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
ESPORTES Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008 - 11:11 O "Xerifão" vai deixar saudades
Morreu na madrugada desta terça-feira, no Rio de Janeiro, o ex-zagueiro Moisés Mathias de Andrade. Conhecido como "Xerife", o ex-jogador e treinador faleceu aos 60 anos, vítima de câncer pulmonar. Nascido em 10 de janeiro de 1948 na cidade de Resende (RJ), Moisés iniciou a carreira no Bonsucesso. Aos 20 anos teve uma passagem pelo Flamengo e os vascaínos brincavam que a única vez que enfrentou o time da Colina com a camisa rubro-negra, perdeu de 2X0.
O jornais, de pouca memória, estão destacando sua passagem pelo Corinthians onde ele ajudou a acabar com o jejum de títulos do timão em 1977. Moisés, inclusive, estava em campo naquela famosa "invasão corinthiana", quando debaixo de um enorme temporal, o time do Parque São Jorge eliminou a Máquina Tricolor em pleno Maracanã, na semifinal do Brasileiro de 1976.
Mas sua melhor fase foi sem sombra de dúvida quando jogava pelo Vasco. De 1971 a 1975, Moisés vestiu a camisa cruzmaltina, quase sempre jogando ao lado de Miguel. Deixava de castigo, no banco, o então zagueiro Joel Santana. Moisés, concordando comigo, citou várias vezes que seu melhor momento na carreira foi defendendo o Vasco. "Ali foi o meu auge, foi quando eu cheguei à seleção brasileira", contou. Disputou apenas uma partida, é verdade, num amistoso contra a União Soviética no dia 21 de junho de 1973, em Moscou (1X0 Brasil). Foi no Vasco que conquistou seu mais importante título como jogador, o Brasileiro de 1974.
|
Final do Brasileiro de 1974: Andrada, Miguel, Alcir, Fidélis, Moisés e Alfinete; Jorginho Carvoeiro, Zanata, Ademir, Roberto Dinamite e Luís Carlos |
Saindo do Timão, teve uma rápida passagem de seis meses no Paris Saint-Germain. Sofreu com o rigoroso inverno europeu e, sozinho no país, não conseguiu se adaptar, retornando ao Brasil para defender o novamente Flamengo.
"O zagueiro tem que ser respeitado. O atacante tem que saber que está sendo marcado duro, nunca deslealmente. A lei até permite que o jogador faça uma falta violenta. E mantenho a opinião de que zagueiro que se preza não pensa em (ganhar o Prêmio) Belfort Duarte. Seria muita falta de sorte receber o Belfort Duarte. Aí perderia a moral" - afirmou, em tom irônico, em 1982, sobre a premiação entregue a atletas disciplinados.
Também alcançou destaque como treinador. Especialmente no comando do Bangu. Em 1985, levou a equipe carioca ao vice-campeonato brasileiro.
Apesar do estilo duro em campo, fora dele sempre foi conhecido pelo bom humor. Gostava muito de Carnaval e ajudou a fundar o "Bloco das Piranhas", no qual jogadores de futebol desfilavam vestidos de mulher por ruas da Zona Norte do Rio. Ele conta também, na entrevista linkada abaixo, que simulou uma contusão para que Vicente Mateus o liberasse do Corinthians. "Cheguei lá, disse que estava inutilizado para o futebol. Ele não acreditou e me olhava desconfiado. No dia seguinte engessei a perna e apareci sem me barbear e de camisa rasgada. Parecia realmente um mendigo. Aí ele ficou com pena e me deu o passe livre."
Dessa fase no Vasco selecionei esse vídeo que mostra os últimos jogos da conquista do brasileiro de 1974. O Vasco venceu o Santos de Pelé por 2X1 no Maracanã; empatou com o Cruzeiro de Dirceu Lopes e Nelinho no Mineirão por 1X1; empatou com o Inter de Falcão, Escurinho e Manga no Maracanã por 2X2; e venceu o Cruzeiro, no desempate, outra vez no Maracá com o gol decisivo do ponta-direito Jorginho Carvoeiro. Assisti ao vivo aos três jogos no Rio.
Leia mais:
Vasco 2x1 Cruzeiro (Campeonato Brasileiro 1974)
Um recorde de público no Maracanã
MOISÉS, O XERIFE: Um craque na intimidade
Marcadores:
Cruzeiro, Flamengo, Internacional, Moisés, Santos, Vasco da Gama
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
MEIO AMBIENTE Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008 - 10:39 Raposa Serra do Sol
blog do Sérgio Besserman
Hoje o STF tomará uma decisão histórica e confesso uma expectativa emocionada. A decisão sobre se Raposa Serra do Sol deve ser uma reserva contínua ou deve ter sua demarcação revista afetará muito mais do que Roraima, diz respeito à segurança juridica de todas as demais demarcações de terras indígenas e marcará nosso futuro como civilização.
Esse espaço não é suficiente e, portanto, adequado, para uma discussão dos muitos aspectos e conflitos envolvidos. Devo esclarecer, contudo, que não há um único argumento favorável à repartição em ilhas das terras de Raposa Serra do Sol que me sensibilize mínimamente.
Os argumentos de ordem economica e jurídica me parecem extremamente frágeis e a maioria desprovida até de respeito à inteligencia alheia ou à matemática elementar. Em economia, achar que o valor da pequeníssima produção de arroz dos grileiros locais possa ser comparado ao impacto da decisão no valor da marca 'Brasil' no mundo chega a ser rísivel.
No plano jurídico, questionar a posteriori aspectos da forma como as reservas indígenas tem suas terras demarcadas e com isso simultâneamente se colocar em defesa do direito de grilagem, ou seja da ocupação sem qualquer base formal é uma contradição em seus próprios termos. Acrescente-se que no caso em questão, a grilagem ocorreu após a demarcação, ou seja, numa ofensa direta ao Estado brasileiro.
Mas um dos argumentos interessa mais, por dizer respeito aos debates recém inaugurados nesse nem sempre tão formal blog : o enredo que "colou" politicamente (espero que não sensibilize à Suprema Corte) é uma bobagem, uma suposta ameaça à soberania nacional.
O território da reserva só é brasileiro por causa dos indigenas, é mais brasileiro do que nunca, inclusive para ação do exército nacional, em terras públicas como são as reservas e arrozeiro nenhum é mais brasileiro do que os indígenas. Há racismo nesse argumento.
Já tive há pouco ( nesse blog 01/07/2008 ) a oportunidade de citar Samuel Johnson: "O patriotismo é o último refúgio dos canalhas". Aproveito para acrescentar: e um dos primeiros refúgios da ignorância. Patriotismo ajudou o mundo a se livrar do nazismo, é verdade, mas tambem é a essência do próprio, o nacional-socialismo.
Impressionou-me como o argumento sensibilizou tanta gente, em como sempre há quem creia em mapas na internet com uma "nação independente Yanomani", em complôs de ONGs em territórios de grileiros e pistoleiros. Tribo ou Humanidade ? O que constrói mais o Brasil que queremos no futuro e o respeito ao Brasil no mundo, Raposa Serra do Sol ou raposas com a Serra do Sol ?
Comentário de Paulo de Tarso, no blog do autor:
Caro Sérgio, Eu sou advogado e pesquisador em direito internacional e não vi um comentário mais lúcido quanto o seu. Parabéns! Queria acrescentar alguns comentários:
A primeira idéia é absurda. Como se os Yanomami fossem criar um Estado e chamar embaixadores de vários outros Estados para trocar relações diplomáticas. Não conheço nenhum Estado no direito internacional que foi formado por uma nação indígena. Duvido que um Estado reconhecesse a soberania do povo Yanomami, como Estado, pois o telhado de vidro de outros países também quebraria, como a Rússia, China, Estados Unidos, Espanha, e vários outros que têm problemas com minorias. Os próprios instrumentos internacionais falam sobre "populações indígenas" e não sobre povos. A própria Convenção da OIT 169 enfatiza o direito dos indígenas dentro dos Estados soberanos, não lhes conferindo direito à auto-determinação como tal.
Atualização às 10:26 - No julgamento do Supremo, o governo do Estado de Roraima é representado pelo advogado Francisco Rezek, que curiosamente era o ministro das Relações Exteriores quando Fernando Collor demarcou e homologou as terras dos Yanomamis, em 1992. O ministro da Justiça era Jarbas Passarinho. As terras Yanomamis são maiores e com bem mais áreas de fronteira que Raposa Serra do Sol. O que mudou de lá para cá quanto à soberania do país?
Leia também: João Pedro da Costa: O bem da terra
Marcadores:
Patriotismo,
Raposa Serra do Sol,
Roraima
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
POLÍTICA E ECONOMIA Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008 - 08:58 Empresário mostra confiança e toma crédito de longo prazo
DCI - Os investimentos realizados pelas empresas já começam a desequilibrar a balança de concessão de créditos a favor das operações de médio e longo prazo. Enquanto os empréstimos de curto e curtíssimo prazo para pessoas jurídicas cresceram, nos últimos doze meses, 40,2% e 25,6%, respectivamente, os de médio e longo aumentaram 54,3% e 41,4%. [...]
[...] Segundo o sócio diretor da Área de Instituições Financeiras da BDO Trevisan, Márcio Peppe, esses investimentos de prazos mais alongados realmente são um "termômetro" da situação das empresas. "Investimentos de capital de giro ainda é um dos carros chefes do crédito, mas esse crescimento das operações de médio e longo prazo, principalmente por meio de financiamentos, já demonstra como as empresas estão investindo para crescer ou já é um crescimento efetivo", analisa.
Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Oliva, os investimentos realizados também são a principal causa do maior crescimento dos prazos superiores a um ano. "As empresas sentem mais confiança no futuro econômico e por isso alongam o prazo de inversão". [...]
[...] O superintendente de Economia da Federação Brasileira de Bancos, Nicola Tingas, explica que essa expansão de crédito às empresas está ligado a um ciclo de crescimento. Segundo ele, após uma primeira fase com domínio de expansão de crédito para pessoa física, o Brasil passou para uma próxima etapa, bem visível a partir de 2007, com aumento do crédito à pessoa jurídica e declínio de empréstimos para pessoa física. "Nessa etapa, os investimentos estão se ampliando de forma mais estrutural e consistente e está ligado à um crescimento da economia como um todo", explica.
De acordo com o relatório de operações de crédito divulgado pelo Banco Central, o crescimento do saldo de capital de giro nos últimos 12 meses, só foi inferior aos empréstimos de hot money, 82,9%, contra 116%. Em compensação, enquanto o saldo de capital de giro cresceu 42,6% nesse ano, o de hot money obteve um crescimento de apenas 0,3%. Os saldos acumulados estão em R$ 138,9 bilhões e R$ 677 milhões, respectivamente.
Na avaliação de Tingas, a alta das taxas de juros fazem com que empréstimos no curto prazo sejam mais caros que a prazos alongados. "Especialmente no caso do hot money que, como o cheque especial para pessoa física, agora tem incidência dupla do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IOF)".
Leia a matéria completa no site do DCI
Leia também: Negócio entre Tesouro e FGTS garante R$ 6 bilhões ao BNDES
Marcadores:
Crédito,
Investimentos
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
POLÍTICA E ECONOMIA Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008 - 10:20 Primeira plataforma petrolífera 100% brasileira começa a operar em dezembro
|
Plataforma P-51 quando era transportada para Angra dos Reis |
EFE - O Brasil, que descobriu recentemente gigantescas reservas de hidrocarbonetos no Oceano Atlântico, contará a partir de dezembro com sua primeira plataforma semi-submersível de exploração marinha totalmente fabricada no país, informou a Petrobras.
A P-51, uma estrutura de 49 mil toneladas, 63 metros de altura e com um custo de US$ 850 milhões, que está em fase final de testes no estaleiro BrasFels de Angra dos Reis (RJ), será a primeira do país de construção 100% nacional e que adotará tecnologias brasileiras. A P-51 será batizada em outubro, em cerimônia na qual participará o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e nesse mesmo mês será transferida para a bacia marinha de Campos. A previsão é de que comece a operar em dezembro.
Apesar de a Petrobras ter assinado vários contratos com estaleiros brasileiros e estrangeiros para fabricar plataformas no Brasil, até agora todos importavam o casco e construíam apenas a estrutura externa no país. A P-51 não é apenas a primeira plataforma semi-submersível produzida totalmente no Brasil, mas também a primeira que aproveitará, com tecnologias inovadoras, os cerca de 30 anos de experiência da Petrobras em exploração de petróleo em águas profundas.
Cerca de 80% da plataforma terá configuração convencional, e 20% incluirá tecnologias desenvolvidas pela Petrobras, como a fábrica de remoção de sulfato. De acordo com o funcionário, nenhum país no mundo tem atualmente colocado tantas plataformas em operação como o Brasil. O Brasil extrai em águas profundas da bacia marinha de Campos, no oceano Atlântico e em frente ao litoral do Rio de Janeiro, pouco mais de 80% dos 1,8 milhão de barris diários de petróleo que produz em todo o país.
Com investimentos de US$ 830 milhões, a P-51 foi construída pelo consórcio FSTP (keppel Fells e Technip) nas cidades de Niterói, Rio de Janeiro, Itaguaí e Angra dos Reis. Seu casco é o primeiro de uma plataforma semi-submersível a ser construído no Brasil. A obra superou os requisitos mínimos de conteúdo nacional, com índice próximo a 70% e geração de mais de 4.800 empregos diretos.
Leia também: Petrobras assina memorando com Mitsui para plataforma em Tupi
Marcadores:
Indústria naval,
P-51,
Petrobras
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
POLÍTICA E ECONOMIA Terça-feira, 26 de Agosto de 2008 - 17:44 Produção de aço recorde em julho
De janeiro a julho as vendas internas de longos cresceram 26,9% e, em julho isoladamente, 32,2%. A venda interna de planos nos sete meses do ano avançou 12,2% e, no mês, 7,8%.
Valor Econômico - As usinas siderúrgicas instaladas no país produziram até julho 20,6 milhões de toneladas de aço bruto, 7,5% a mais que no mesmo período de 2007. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS). Deste total, 13,1 milhões de toneladas foram vendidas no mercado doméstico, enquanto 2,1 milhões de toneladas, no exterior. Os números confirmam a tendência já demonstrada ao longo do ano de uma forte demanda interna, estimulada pelo crescimento dos setores automotivo, de máquinas industriais e de construção civil.
Em julho, a produção foi recorde, de 3,2 milhões de toneladas, crescendo 11,5% ante o mesmo mês de 2007. Os laminados somaram no mês 2,2 milhões de toneladas, volume estável ante o mesmo mês do ano passado, enquanto a produção de aços longos bateu recorde atingindo 974,2 mil toneladas ou 11,9% superior ao mesmo mês de 2007. As vendas de longos no mercado interno cresceram, no mês, 32,3% e a de planos, 7,8%.
As exportações caíram 5,1% em volume e subiram 18,6% em valor até julho, confirmando um aumento dos preços externos do produto. No mês, as usinas faturaram US$ 765 milhões no exterior ou 78,7% a mais que no mesmo mês de 2007. O volume vendido lá fora também cresceu 29,4% no mês .
Os números do IBS mostram que no segmento de laminados o aço do tipo longo tem uma performance mais destacada que a dos aços planos devido a retomada da construção civil. Até julho, as usinas produziram 15,1 milhões de toneladas de laminados ou 2,5% a mais que 2007. Desse total, 6,3 milhões de toneladas são de longos (12% a mais que em 2007) e 8,5 milhões de toneladas de laminados, que apesar de maior em volume declinou 3,4% em relação ao mesmo período de 2007.
Marcadores: Aço, IBS
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
POLÍTICA E ECONOMIA Terça-feira, 26 de Agosto de 2008 - 17:25 Crescimento dá impulso ao emprego formal
Valor Econômico - O cenário macroeconômico também favorece a contratação com carteira assinada, avaliam o professor do Instituto de Economia da Unicamp Cláudio Dedecca, e o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lucio. Lucio observa que no início da década a taxa média de crescimento anual do PIB ficou em 2,3%, e, a partir de 2004, subiu para 4,5% ao ano. "Até 2004 era comum o país crescer 2,5% e, no ano seguinte, decrescer 1,5%. Hoje, a economia está mais estável e a perspectiva de crescimento sustentado trouxe segurança às empresas, que passaram a contratar mais e fazer planejamentos de longo prazo."
Alguns indicadores confirmam essa tese. De janeiro de 2004 até julho deste ano, foram criadas 8,79 milhões de novas vagas de trabalho com carteira assinada no país, saindo de um estoque de 29,5 milhões de empregos formais para 38,3 milhões, de acordo com dados do Ministério do Trabalho. O tempo médio de permanência do trabalhador no emprego aumentou de 140 para 149 semanas, segundo dados do IBGE, um indicativo de que houve menos interesse das empresas em cortar postos de trabalho. Segundo Dedecca, a expansão do setor de serviços e a concorrência entre empresas por trabalhadores com melhor qualificação contribuíram para acelerar as contratações com carteira - até então mais comuns na indústria.
E a perspectiva é que o mercado de trabalho siga em expansão no médio e longo prazos, ainda que em ritmo inferior ao de 2007, prevê Dedecca. Ele observa que a população economicamente ativa cresce 2,5% ao ano, menos que o PIB. Ou seja, a oferta de profissionais expande-se menos que a demanda. "Se a economia crescer 3% ao ano já teremos um mercado de trabalho mais atraente no futuro."
Essa matéria só confirma o que venho insistindo aqui no blog. Estamos vivendo uma nova dinâmica econômica que pode ser observada nos dados do mercado de trabalho, da formalização. A maior parte dos analistas econômicos, acostumados a décadas de problemas financeiros de curto prazo, costuma dar pouca atenção aos dados sobre emprego e renda.
É preciso ficar claro que, o que tem sustentado o crescimento do consumo dos brasileiros é hoje a expansão da massa salarial, que está crescendo a uma taxa de 7% ao ano acima da inflação. Esse aumento tem garantido a expansão do crédito ao consumidor ao ritmo de 25% ao ano e explica a dificuldade da política monetária em desacelerar essa demanda. São milhões de trabalhadores que com a carteira assinada, passaram a ter acesso ao sistema financeiro. E os bancos hoje têm menos medo de um incremento da inadimplência, justamente pelo dinamismo do emprego.
Com essa nova dinâmica, as empresas têm investido de forma bem mais agressiva, o que acaba reforçando o crescimento da demanda interna e a oferta. Para alguns economistas, a tarefa da política monetária é agora muito mais complexa pois o crescimento está mais disseminado e chegou a setores com grande impacto sobre o emprego.
Disse aqui outro dia e repito, uma das mais significativas matérias publicas na imprensa econômica nos últimos anos foi:
Indústria produz mais e breca alta das importações A indústria brasileira incrementou sua capacidade de atender à expansão da demanda doméstica e permitiu uma estabilização no ritmo de crescimento das importações. As empresas recorreram à importação para responder a um problema imediato. O "descolamento" chegou ao fim e as importações voltaram ao padrão brasileiro na última década.
Leia também:
Inadimplência menor revela consumidor controlado, aponta Itaú A pequena queda observada nos níveis de inadimplência da indústria de cartões de crédito revela que os consumidores estão mais controlados na administração de suas despesas. Com a economia aquecida e a renda em alta, a população vem aumentando a utilização dos cartões, especialmente para parcelamento de compras, porém o percentual de pagamentos atrasados mostrou queda nos últimos dois anos.
Consumo manterá crescimento da China acima de 9,5%, diz relatório
Déficit da Previdência cai 37% em julho e soma R$ 2,17 bi
Marcadores: Emprego, Formalização, Investimentos, Massa salarial, PIB
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
POLÍTICA E ECONOMIA Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008 - 14:21 Inflação reduz o ritmo, e mercado é surpreendido
Desaceleração veio de alimentos e commodities, e não da alta dos juros básicos comandada pelo BC
Agência Estado - Dessa vez, quase ninguém reclamou do Banco Central (BC) por causa da alta da taxa Selic. Com a inflação em 12 meses subindo de 3% para mais de 6% entre o início de 2007 e hoje, mesmo os críticos do conservadorismo do BC consideraram razoável a elevação da taxa básica de juros, de 11,25% em abril para o nível atual de 13% - com perspectiva de superar 14,5% até o fim do ano. A inflação, porém, resolveu pregar uma peça simpática nos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Antes mesmo que se detectasse qualquer efeito mais significativo de desaceleração da demanda - afinal, é para isso que se sobe o juro -, a alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice da meta oficial, arrefeceu, surpreendendo o mercado.
Na sexta-feira, foi divulgado que o IPCA-15 (idêntico ao índice da meta, mas com periodicidade defasada em 15 dias) de agosto ficou em 0,35%, no piso das previsões coletadas pela Agência Estado, que variavam entre 0,35% e 0,48%. Nilson Teixeira, economista-chefe do Crédit Suisse, prevê que o IPCA de agosto fique entre 0,25% e 0,30%. "É a primeira vez,em cinco meses, que o mercado vai ser surpreendido com um índice abaixo das suas projeções, e não acima, como vinha acontecendo", comenta. Nos IGPs, índices que incluem os preços no atacado, a mudança para melhor foi mais radical - o IGP-M, que registrou inflações acima de 1,6% ao mês entre maio e julho, teve deflação de 0,12% no segundo decêndio de agosto. [...]
[...] A perda de fôlego da inflação deve estar sendo celebrada pelos membros do Copom, mas curiosamente ela cria um ligeiro embaraço para o BC - afinal, o alívio não parece ter vindo da medicação aplicada, a alta da Selic, mas sim de um movimento de queda de alimentos e commodities que é em grande parte global. [...]
[...] Mas, mesmo sem mudar bruscamente a visão de continuidade da alta da Selic até o fim do ano, o mercado começa a dar sinais de que não considera impossível que a queda das commodities mude de forma mais intensa o cenário com o qual quase todo mundo vem trabalhando. A projeção do Crédit Suisse, por exemplo, ainda é de uma Selic de 15,25% no fim do ano, com mais uma alta de 0,75 ponto porcentual e três de 0,5. "Mas agora aumenta a chance de que o aperto seja menor e menos longo", diz Teixeira.
Leia a matéria completa no site da Agência Estado
Há dois fatores que precisam ser analisados pelo Banco Central. Com o aumento da formalização que a economia brasileira está experimentando nos últimos anos, mais pessoas estão aptas a tomar crédito ao mesmo tempo em que as empresas estão negociando prazos maiores. Esses fatores estão aparentemente impedindo uma desaceleração nos volumes emprestados (Volume de crédito no país sobe a 37% do PIB em julho e bate recorde).
Ocorre que os bancos têm subido os juros em níveis maiores que o da Selic. Ao mesmo tempo em que esse aumento não está desacelerando a tomada de crédito, está também aumentando o endividamento de quem já tinha dívidas antigas.
Se o governo não tomar uma decisão sobre o Spread bancário podermos correr o risco de aumento da inadimplência no futuro. Eles dizem que aumentam os juros por conta da inadimplência, mas esta só faz aumentar com o aumento dos juros.
O fato é que os juros de rolamento do meu cartão de crédito estão duas vezes maiores que os de 2005, quando a Selic estava mais alta que hoje. O que explica essa aparente contradição?
Marcadores: Inflação, Juros, Selic, Spread
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 2 COMENTÁRIOS ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
POLÍTICA E ECONOMIA Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008 - 13:09 Aumento da classe média atrai companhias
Brasil aparece como 8.º destino das empresas, mostra estudo da KPMG
O Estado de S. Paulo - Até 2010, cem milhões de pessoas terão migrado para a classe média no mundo. A estatística faz parte de um estudo encomendado pela General Eletric com o objetivo de entender de onde veio e virá o crescimento no mundo a partir de 2002. "Até agora, 65 milhões já mudaram de patamar. Um terço deles no Brasil", afirma o vice-presidente de marketing para a América Latina da GE, João Geraldo Ferreira.
Na sede da GE, nos Estados Unidos, poucos poderiam imaginar essa mudança rápida em pouco tempo. O País era relegado a segundo plano na gestão de Jack Welch. No primeiro trimestre, o faturamento da operação local aumentou 87% e, no segundo, 41%. "Para a GE, a América Latina é maior do que a China e Índia juntas", diz Ferreira.
Entre este e o próximo ano, a companhia vai instalar três fábricas no Brasil. A de locomotivas foi inaugurada em maio. Uma de equipamentos para a área de saúde deve começar a funcionar em 2009. A terceira fábrica produz máquinas de purificação de água.
Os números nem sempre falam por si. Os brasileiros da GE começaram a estimular visitas de executivos estrangeiros ao País para fazer com que a matriz reconheça o potencial local. "O americano, quando conhece o Brasil, leva um choque cultural", diz Ferreira. [...] O País nunca recebeu tantas visitas de presidentes mundiais e executivos de alto escalão de empresas estrangeiras. Com um discurso invariavelmente igual, eles vêm para reafirmar o interesse pelo mercado. Virou clichê dizer que o Brasil é estratégico para as mais diversas companhias, desde a fabricante de alimentos Pepsi até a grife de luxo de jeans Diesel.
A Pepsi veio ao País neste mês para anunciar aporte de US$ 450 milhões até 2013. A Diesel abriu aqui, há duas semanas, a sua maior loja no mundo. "O Brasil tem seu mérito nesse cenário, mas eu somaria a isso o fato de a economia lá fora não estar boa. Se todo o mundo estivesse bem, o País não brilharia tanto", diz a sócia da consultoria KPMG, Marienne Munhoz.
O grau de investimento também serviu como uma chancela para empresas de menor porte e fundos de pensão e de investimento tentarem a sorte por aqui. "No passado, o perfil das empresas que procuravam o Brasil era muito diferente do das atuais. Empresas como as montadoras e a Nestlé tinham estrutura para suportar investimentos com retorno de longo prazo", diz Marienne.
Leia a matéria completa no site do O Estado de S. Paulo
Leia também:
Brasil é o ''queridinho'' entre as principais economias emergentes
País lidera Brics em tecnologia
Espanha tem planos de longo prazo para o Brasil
Marcadores: Classe média, Investimentos
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
POLÍTICA E ECONOMIA Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008 - 12:50 No primeiro ano após a criação do Supersimples, 500 mil empresas se formalizaram
Nestes 12 meses, 500 mil empresas se formalizaram — uma média de 1.520 por dia útil.. Em julho de 2007, 15.779 empresas novas pediram adesão ao programa; no mês passado, esse número foi de 35.690.
Globo Online - Ao completar seu primeiro ano, o Simples Nacional — o chamado Supersimples, que unifica oito tributos federais, estaduais e municipais — é considerado bem-sucedido por Receita Federal, Sebrae, estados, municípios e empresários. A arrecadação tributária relacionada às micro e pequenas empresas cresceu 43,8% entre julho de 2007 e o mês passado, e a maior parte das firmas recolheu, efetivamente, menos impostos.
O Sebrae comemora outro fato: nestes 12 meses, 500 mil empresas se formalizaram — uma média de 1.520 por dia útil. Esse meio milhão de empresários integra um exército de 1,64 milhão que aderiu ao Supersimples desde sua criação. Além disso, 1,330 milhão de firmas que faziam parte do antigo Simples Federal (unificação dos impostos cobrados pela União) migrou automaticamente para o novo regime tributário, que substituiu os anteriores. Em julho de 2007, 15.779 empresas novas pediram adesão ao programa; no mês passado, esse número foi de 35.690. [...]
[...] Os números são significativos. A arrecadação do Supersimples saltou de R$ 1,420 bilhão em agosto de 2007 — na prática o primeiro mês, por ter sido o primeiro recolhimento de impostos — para R$ 2,042 bilhões em julho de 2008, uma alta de 43,8%. Segundo o SEBRAE, o novo sistema permite um crescimento maior das empresas, por garantir que elas passem gradativamente por faixas de tributo. No Simples Federal, havia apenas duas alíquotas. Com isso, as empresas evitavam crescer, para não pagar mais impostos, ou então os empresários criavam um “jeitinho”, abrindo outras firmas, em vez de filiais.
Em Brasília, a papelaria Papel Arteiro, de Janice Dantas, dobrou de tamanho. "Pago menos impostos agora do que se estivesse dentro do Simples Federal e do Simples Candango (do Distrito Federal)", disse Janice, que de três passou para cinco empregados. — A situação está muito boa, pago apenas uma guia por mês, nem sei quais impostos teria de pagar se não estivesse no Supersimples. Mas acredito que tenho de começar a me preocupar com o futuro, se continuar crescendo desse jeito.
O Sebrae também registrou aumento da participação das micro e pequenas empresas nas licitações. A lei que criou o Supersimples determinou que compras públicas de até R$ 80 mil fossem dirigidas apenas a essas empresas. — Em 2006, apenas o governo federal comprou R$ 2 bilhões em produtos e serviços de micro e pequenas empresas. No ano passado, esse valor saltou para R$ 9,5 bilhões — disse Quick.
Leia também: A caminho do Simples trabalhista
Marcadores: Impostos, Sebrae, Supersimples
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
POLÍTICA E ECONOMIA Domingo, 24 de Agosto de 2008 - 16:06 A era das supercontratações
As grandes empresas enfrentam um desafio inédito: o de recrutar milhares de pessoas de uma só vez e encontrar talentos num mercado de trabalho bastante aquecido. Nesta fase de megacontratações, o governo já projeta a criação de dois milhões de empregos com carteira assinada, mas a falta de qualificação ainda deixa muitas vagas em aberto.
Isto é Dinheiro - Toda manhã, o presidente da MRV Engenharia, Rubens Menin, acorda em uma cidade diferente. Cumpre a rotina de visitar seus 204 canteiros de obras pelo País e cumprimentar engenheiros e operários. A cada visita, no entanto, encontra novos rostos. Isso porque a empresa triplicou em 12 meses o número de empregados - saltou de quatro mil pessoas, em julho de 2007, para 12.340, em julho deste ano. [...]
[...] Os recrutamentos em massa já se espalharam por toda a economia, do agronegócio à aviação. Tanto é que nem o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, acreditou quando viu os números de empregos criados em julho, com carteira assinada. Nas planilhas do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego, o Caged, ele descobriu que no mês passado, marcado tradicionalmente pelo desaquecimento da economia, foram gerados 203 mil novos postos de trabalho. O número é 60% maior do que o mesmo período do ano passado. Lupi olhou de novo para a planilha, esfregou os olhos para conferir os dados e sorriu ao perceber que no ano de 2008 já foi criado 1,5 milhão de empregos. "Tenho certeza de que bateremos a marca de dois milhões de pessoas com carteira assinada em 2008", disse o ministro à repórter Adriana Nicacio, da DINHEIRO, em Brasília. Na opinião de Lupi, essa é uma demonstração de que a economia está rodando num ritmo forte, com crescimento de renda e aumento do poder de compra.
Com as grandes contratações, a massa de rendimentos no Brasil vem crescendo 7% acima da inflação, o que realimenta o crescimento econômico e estimula a tomada de crédito pelas pessoas físicas e empresas.
A expansão da massa salarial é o mesmo motivo que inspira o Wal- Mart a investir e contratar. A rede varejista pretende recrutar dez mil funcionários no País nos próximos 12 meses. Isso mesmo: quase mil por mês. Tudo para atender às 90 inaugurações programadas em 2009. [...]
[...] A nova era de supercontratações inclui as empresas de telecomunicações, que também se beneficiam com o aumento do poder de compra dos clientes. A operadora de celular TIM é prova disso e inaugurou, em 2005, um pólo tecnológico em Santo André, na região do ABC paulista, onde tem promovido contratações em diversos segmentos. [...]
[...] Outro exemplo é a Tivit, que pertence ao grupo Votorantim. A empresa da área de TI, que faturou R$ 750 milhões no ano passado e vem crescendo, em média, 50% nos últimos quatro anos, abriu 1,8 mil vagas para suas unidades de São José dos Campos e São Paulo. [...]
[...] Os números impressionam, mas parecem até pequenos diante dos planos da Petrobras. A estatal contratou 14 mil funcionários nos últimos três anos e selecionará mais 12 mil pessoas no próximo triênio, dentro de uma meta de admissão de quase 100 mil trabalhadores. "Existem oportunidades aos montes em todas as áreas da Petrobras", afirma o gerente Lairton Corrêa. E, se no mundo do petróleo a coisa vai muito bem, melhor ainda na indústria do etanol. De acordo com a Unica, União da Indústria Canavieira, que reúne os usineiros paulistas, o setor sucroalcooleiro abriu 200 mil vagas no campo nos últimos cinco anos, cerca de 40 mil deles só em 2008. "No ano que vem, outras 40 mil oportunidades de trabalho serão geradas na atividade de álcool e açúcar", projeta o diretor técnico da entidade, Antonio de Pádua Rodrigues.
Retomada dos projetos de infra-estrutura cria dezenas de milhares de vagas nas empreiteiras, mas as empresas se deparam com a escassez de engenheiros qualificados, em função das últimas duas décadas de marasmo no setor.
A maré positiva já contagia até um setor que viveu um marasmo nas últimas duas décadas: o da construção pesada, turbinada pela retomada dos investimentos em infra- estrutura. Um exemplo sintomático é o da Odebrecht, cujo faturamento se multiplicou por seis desde 2002 e obrigou a empresa a criar seis unidades distintas para facilitar a gestão das grandes obras. Nos próximos meses, a companhia mobilizará uma tropa de mais de nove mil pessoas para a construção da hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia.
Leia a matéria completa no site do Isto é Dinheiro
Marcadores: CAGED, Construção civil, Emprego, Investimentos. Massa salarial
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
POLÍTICA E ECONOMIA Sábado, 23 de Agosto de 2008 - 01:18 Taxa de câmbio e crescimento econômico
Artigo - Ailton Braga
Neste artigo iremos argumentar que, apesar da maioria dos analistas econômicos considerarem que o câmbio valorizado reduz as possibilidades de crescimento, a economia brasileira apresenta características que fazem com que os efeitos positivos do câmbio valorizado superem os negativos.
Valor Econômico - Uma análise criteriosa da relação entre câmbio e crescimento precisa considerar os efeitos do câmbio sobre a demanda agregada (somatório do consumo total da economia com os investimentos, os gastos governamentais e as exportações, subtraindo-se as importações) e a capacidade produtiva da economia. Os que consideram que a desvalorização cambial induz a expansão da economia argumentam que a redução do valor da moeda nacional estimula exportações e desestimula importações, com claros efeitos positivos sobre a demanda agregada. Além disso, gera aumento da produtividade da economia por incentivar os investimentos no setor industrial, considerado mais produtivo que o setor de serviços. [...]
[...] Se, por um lado, a desvalorização cambial estimula as exportações líquidas, por outro, reduz a demanda interna. Isso ocorre pela redução do poder de compra dos salários e pelo efeito de alta sobre as taxas de juros. Quando o câmbio nominal sobe, gera pressão sobre os preços, o que leva a juros mais altos. [...]
Em relação ao impacto do câmbio sobre a produção industrial, é preciso considerar que o Brasil é uma economia relativamente fechada em que o mercado interno tem um peso bem maior que o externo. Veja o exemplo da indústria automobilística, que nos três anos entre 2005 e 2007 viu a quantidade exportada de automóveis cair ao ritmo de 1% ao ano, e a produção crescer 8,6% ao ano, graças à expansão do mercado interno. Nesse mesmo período, marcado pela valorização cambial, a produção industrial cresceu 4% ao ano, apesar do baixo crescimento da quantidade exportada de manufaturados e rápida expansão das importações, compensados pela maior demanda interna.
Quanto à relação entre câmbio valorizado e investimentos, a combinação de crescimento da demanda interna com o acesso a máquinas e equipamentos importados e nacionais mais baratos estimula os investimentos, como mostra a expansão de 8,9% ao ano da formação bruta de capital fixo, entre 2005 e 2007.
É claro que a valorização cambial pode gerar problemas relacionados ao financiamento do déficit em transações correntes, mas uma política fiscal responsável, com crescimento dos gastos públicos menor que o do PIB, reduziria a demanda interna, e assim o déficit externo, e geraria ganhos de credibilidade que permitiria o acesso ao crédito externo com taxas de juros mais baixas. Além disso, com câmbio flutuante, se o mercado entender que o déficit externo não é financiável, a taxa de câmbio naturalmente desvalorizará.
Leia a matéria completa no site do Valor Econômico
A preocupação com o descontrole das transações correntes é sempre bem vinda. No primeiro semestre o houve um aumento importante no déficit externo, mas é bom observar que ele não foi conseqüência apenas do câmbio sobrevalorizado.
Principalmente no primeiro trimestre houve uma queda significativa da balança comercial puxada principalmente por importações de bens de capital, insumos e combustível para as térmicas que precisaram ficar ligadas mais tempo que o previsto. Esse fator já foi em grande medida superado nesses últimos meses. Se no primeiro trimestre, o saldo da balança comercial experimentou uma queda de até 60% sobre o mesmo período de 2007, hoje já está no mesmo patamar.
Tem pesado muito na deterioração das contas externas, o forte crescimento das remessas de lucro das multinacionais que atuam no Brasil. Isso se deve não ao câmbio, mas à crise financeira mundial que tem levado empresas e bancos a buscarem recurso nas filiais brasileiras, neste momento mais saudáveis.
Por fim. É bom destacar que o déficit vem sendo financiado pelos investimentos estrangeiros no país no setor produtivo. Em julho ficaram em US$ 3,24 bilhões e a previsão do BC é terminar agosto em US$ 5,2 bilhões.
Por tudo isso, concordo com o autor do artigo quando diz que nesta conjuntura, "os efeitos positivos do câmbio valorizado superem os negativos".
Marcadores: Câmbio, Indústria, PIB, Serviços
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
POLÍTICA E ECONOMIA Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008 - 12:42 O Brasil de caminhão
Demanda aquecida gera fila de até dez meses e já atrai investimentos bilionários ao País
|
FÁBRICA DA VOLKS Produção dobrou em Resende (RJ) e obrigou a montadora a implantar terceiro turno |
Isto é - Quem decidir comprar um caminhão zero-quilômetro precisará de dinheiro e, sobretudo, de paciência. A fila de espera chega a dez meses em alguns modelos, reflexo de uma demanda superaquecida – que tem crescido acima de 50% ao ano nos últimos 24 meses – e de uma indústria que trabalha no limite da capacidade, surpreendida pela expansão, principalmente, do agronegócio, da mineração e da construção civil. Quem tiver mais sorte pode conseguir seu caminhão entre 30 e 120 dias. Mas são exceções à regra.
“Nosso desafio é equilibrar a distribuição e reduzir essa espera para o mínimo possível, para cerca de 60 dias. E não está fácil. A procura é grande e existem muitos pedidos já programados, principalmente no segmento de pesados”, garante o diretor de operações da Ford Caminhões, Oswaldo Jardim.
Eufóricas com essa impressionante performance das vendas internas, e ao mesmo tempo preocupadas com o aumento das encomendas, as montadoras abrem os cofres e fazem investimentos bilionários para ampliar a capacidade produtiva. No total, foram anunciados mais R$ 3 bilhões neste ano, segundo a associação das fabricantes, a Anfavea. A Mercedes-Benz, por exemplo, divulgou na última semana R$ 1,5 bilhão para aumentar em 25% a produção diária da fábrica de São Bernardo do Campo (SP). A empresa trabalha 24 horas por dia desde o ano passado. Já a Volvo, dentro de um plano de investimento de quase R$ 200 milhões, decidiu nesta semana abrir segundo turno em Curitiba para expandir a produção de 56 para 77 unidades por dia. “Estamos preparados para o terceiro turno, caso seja necessário”, afirma o gerente de vendas da Volvo, Bernardo Fedalto.
A Volkswagen Caminhões é outro exemplo. Para não perder a boa maré, a matriz alemã liberou investimento de R$ 1 bilhão para os próximos quatro anos. A montadora iniciará o terceiro turno na planta de Resende (RJ) em setembro. “Fomos surpreendidos pelo volume de pedidos, mas adotamos uma arrojada estratégia de mercado para suprir a demanda. Nossa produção que era de 145 unidades/ dia, no começo de 2007, passará para 270 a partir do próximo mês”, diz o presidente Roberto Cortes. Nesse mesmo caminho, Scania e Iveco fazem importantes ajustes em suas linhas de montagem.
Leia a matéria completa no site do Isto é
Se por um lado a demanda por caminhões é um excelente termômetro do aquecimento da economia, é também um termômetro da falta de investimentos no modal ferroviário. A retomada das obras na Nova Transnordestina, Ferrovia Norte-Sul, Ferroeste, Contorno Ferroviário de São Francisco do Sul, em Santa Catarina; e a construção do Trem-Bala Rio-São Paulo, entre outros, poderá começar a reverter esse cenário apenas no médio prazo.
Confira os avanços da ferrovia Nova Transnordestina
Leia mais sobre ferrovias no blog do Valente
Marcadores: Anfavea, Caminhão, Mercedes-Benz, Volkswagen, Volvo
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
ESPORTES Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008 - 19:26 Ninguém merecia esse ouro mais do que ela
Prometi comentar os Jogos de Pequim (eu prefiro Beijim) só depois do fim das competições, mas não pude resistir quando vi a Maurren Maggi ganhando o ouro olímpico. Mais do que ser a primeira brasileira a vencer um ouro no atletismo; mais do que ter sido a única medalha no atletismo brasileiro dessa competição; quem conhece sua história, há de reconhecer que ninguém merecia mais essa medalha do que ela.
Parecia que estava dando tudo errado na vida dessa atleta exemplar. E do fundo do poço ela ganhou uma filha linda e partiu para a maior conquista de um atleta.
Leia também: Sophia, filha de Maurren: ‘Queria a prata’
Marcadores:
Atletismo,
Jogos de Pequim,
Maurren Maggi
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 1 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
POLÍTICA E ECONOMIA Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008 - 10:13 Indústria produz mais e breca alta das importações
As empresas recorreram à importação para responder a um problema imediato. O "descolamento" chegou ao fim e as importações voltaram ao padrão brasileiro na última década.
Valor Econômico - A indústria brasileira incrementou sua capacidade de atender à expansão da demanda doméstica e permitiu uma estabilização no ritmo de crescimento das importações. Os analistas avaliam que a maturação de investimentos é uma das explicações para essa mudança. Com a alta da inflação e da taxa de juros, a tendência agora é de acomodação das compras externas e da produção industrial.
No último ano, o ritmo da produção da indústria da transformação acelerou significativamente, de 3,9% no acumulado de 12 meses até junho de 2007 para 6,7% em comparação aos 12 meses acumulados até junho deste ano, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo período, a alta da quantidade importada de bens intermediários oscilou próxima a 20%, de acordo com dados da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).
A necessidade adicional das empresas por insumos e matérias-primas foi suprida pela produção nacional de bens intermediários, cujo crescimento subiu de 3,3% no acumulado de 12 meses até junho de 2007 para 5,4% na mesma comparação até junho de 2008. "A retomada do investimento em anos recentes contribui de forma significativa para a expansão da produção", disse David Kupfer, coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Um dos indicativos de que houve maturação dos investimentos foi a melhora no nível de utilização da capacidade instalada para níveis mais "comportados".
Para Fernando Ribeiro, economista da Funcex, as importações reagiram mais rapidamente que a produção em meados de 2007, quando a demanda voltou a crescer com vigor. Na época, o ritmo de expansão das compras externas superava em até cinco vezes a produção industrial . "As empresas recorreram à importação para responder a um problema imediato", disse, ressaltando que o câmbio valorizado ajudou. Ele acredita que o "descolamento" chegou ao fim e as importações voltaram a aumentar de três a quatro vezes mais que a produção nacional - o que é o padrão brasileiro na última década. [...]
[...] Os economistas chamam a atenção para o fato de que a explosão no valor das importações brasileiras é resultado da evolução dos preços dos produtos e não das quantidades. "O que está surpreendendo nas importações é o preço", ressaltou Ribeiro, da Funcex. No acumulado de 12 meses até julho de 2007, os preços dos produtos importados pelo país subiam 5,1%. Em julho deste ano, o ritmo mais do que triplicou e chegou a 18,6%. Essa evolução foi provocada pela alta das commodities, que também atinge as importações.
Leia a matéria completa no site do Valor Econômico
Em termos econômicos essa é uma das mais importantes notícias publicadas nesse blog e, modestamente, digo que vai ao encontro a muito dos meus comentários. Não sou economista e fico impressionado com o "simplismo" de muitos comentaristas; da falta de visão de longo prazo; e da recorrente tentativa de comparar períodos históricos com análises tópicas sobre um dado econômico específico, sem visão de conjunto.
Para mim sempre esteve claro que o aumento das importações estava, como nunca, impondo aos empresários novos investimentos. Os dados do IBGE referentes à Formação Bruta de Capital e o enorme crescimento da importação de bens de capital, deixavam isso claro. O empresariado brasileiro passou a confiar na robustez do processo de formalização, incremento da massa salarial e aumento do crédito. Para meu gosto, demoraram muito a investir, mas antes tarde do que nunca. Como disse o presidente várias vezes, "quem não investir no Brasil vai perder dinheiro".
Evidentemente haveria um descompasso em função do tempo de maturação desses novos investimentos. Nesse meio tempo uma queda no saldo da balança comercial seria, acima de qualquer coisa, um bom indicativo do aumento da demanda interna. Mas para muitos "analistas" havíamos chegado ao fim do mundo, já que, segundo eles, "na década de 1990 nós já vimos esse filme". Balela. Na década de 1990 a indústria trocou produção por importação, ao contrário de hoje que as importações serviram para complementar e garantir oferta até a maturação dos investimentos. Na segunda metade da década de 1990 o desemprego aumentava e o aumenta da renda obtido com o fim da hiper-inflação estava aos poucos se diluindo.
O próximo passo, podem escrever, será recuperar mercados externos, já que estamos num processo sem volta de modernização do parque industrial.
Marcadores: Câmbio, Importações, Indústria
POSTADO POR ALEXANDRE PORTO ( 0 COMENTÁRIO ) | ( LINK PERMANENTE ) | ( IMPRIMIR ) | ( ENVIAR A UM AMIGO )
|
|
| |
|
| |
|
| |
|
| |
|
| |
|
|