Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009 - 13:29 Essa ninguém me contou: "Pacto federativo"
"Pela primeira vez na historia (os prefeitos) foram respeitados não como pontinhos no mapa, mas como entes federativos. Foram tratados com respeito pelo governo do presidente Lula".
Marcos de Carvalho, prefeito de Itamonte (MG), filiado ao PSDB
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RAPIDINHAS Sábado, 31 de Julho de 2010 - 10:02 O espaço no leque político que sobrou para o PSDEMB
Da coluna Panorama político de O Globo, por Ilimar Franco
O perfil da rede de mobilização do PSDB no Facebook recomenda a visita à página do Movimento Endireita Brasil, que defende “uma nova direita no cenário político brasileiro: liberal, ética e democrática”. O MEB questiona: “Por falar em Collor, há equívocos que se perpetuam na História: será que a geração cara-pintada foi espontânea?”. Um dos comentários exibidos na página do MEB diz: “Chega de terrorismo de esquerda, chega de Dilmas plastificadas e de Lulas autistas! Que saudade dos coronéis Ustra e Ubiratan. Morte ao comunismo e aos que o defendem! Viva a direita! Volta CCC (Comando de Caça aos Comunistas)!”.
Muitos dizem por aí que o José Serra (PSDB) não é um candidato de direita, mas seria o candidato da direita órfã de um líder consistente desde a redemocratização. A leitura dessa nota no Ilimar Franco, não nos deixa muitas dúvidas. Pela história do Serra, desde sua participação na resistência ao golpe militar, sua presidência da UNE, passando pelo exílio no Chile, etc, não posso imaginar que ele tenha dado uma virada tão grande em sua biografia. Talvez ele nem tenha se dado conta de como o seu partido foi invadido, essa é a melhor palavra, por setores da sociedade que têm como única razão combater movimentos sociais, partidos e ideais de esquerda.
Não é a toa que grande guru virtual dos partidários de sua candidatura seja nada mais nada menos que o jornalista/blogueiro da Veja, Reinaldo Azevedo, um verdadeiro troglodita de direita. Eles nem gostam do Serra, por suas ideias e convicções, apenas o aturam com seus aroubos de 'esquerdismo macroeconômico'. Eles estariam ao lado de qualquer candidato que pudesse colocar em risco a supremacia de Lula e do PT nessas eleições. Foi assim com Geraldo Alckimin em 2006, com Serra em 2010 e sabe-se lá com quem em 2014.
Mesmo possivelmente envergonhado, Serra resolveu cumprir esse papel a risca. Seu discurso se transformou num contraponto ao chamado 'petismo' e a um já nascente 'dilmismo', já que a Lula ele não ousa enfrentar. Para separar Lula do PT e da candidata Dilma Rousseff, vale tudo. Vale até dizer o que seus militantes virtuais, radicais barulhentos de direita, querem ouvir e disseminar pelas redes sociais. Uma pena. Lula ocupou o espaço que o PSDB sonhou com Mário Covas, Ciro Gomes, Almino Alfonso, Bresser Pereira e o próprio Serra, mas sua militância de centro-esquerda não empolga e por isso a mudança de rumo. A campanha está mais a cara do DEM, por isso a brincadeira no título com o 'PSDEMB'; está a cara de Jorge Bornhausen, César Maia, Heráclito Fortes, Agripino Maia etc.
Sem saída pela centro-esquerda, Serra mira seu discurso na militância udenisma e corre sério risco de sair menor dessas eleições.
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POLÍTICA E ECONOMIA Sexta-feira, 30 de Julho de 2010 - 18:51 Discurso esquizofrênico de Serra o afasta de velhos aliados do PSDB
A Reuters publicou artigo do correspondente Raymond Collit sobre o "risco-Serra" nas eleições presidenciais. Segundo a matéria, o mercado não teria ainda precificado o "risco Serra" devido ao fato de não acreditar mais em sua vitória. Mas se Dilma não estabelecer uma boa vantagem sobre Serra até final de agosto, o "risco Serra" poderá mexer em alguns indicadores, como o câmbio.
As dúvidas em relação a Serra surgiram devido às suas opiniões sobre o Banco Central, as taxas de juros e o aumento do tamanho do Estado. Tony Volpon, economista-chefe de Pesquisa de Mercados Emergentes da Nomura Securities, disse à Reuters que "secretamente o sistema financeiro prefere Rousseff".
Pela história de ambos, Serra deveria ser o favorito, diz a matéria. Afinal, possui um doutorado em economia pela Universidade de Cornell, experiência executiva, e um partido que defendia a privatização e as reformas do mercado pelo antecessor de Lula, o presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002)", enquanto Dilma teve "uma carreira de funcionário público, fez parte da guerrilha urbana e nunca enfrentou antes um cargo eletivo".
Porém, diz a matéria, Dilma soube conquistar o apoio do investidor, afastando-se de algumas propostas mais à esquerda. E também de comprometeu a continuar as políticas pró-mercado de Lula. Para Alexandre Barros, analista político e companheiro de atividades estudantis de Serra nos anos 60, "nenhum candidato é o sonho de Wall Street, mas Serra é o risco maior".
A matéria considera que Serra tem emitido sinais contraditórios em relação ao papel do Estado na economia. De um lado critica algumas ações de ampliação do papel do Estado, de outro elogia e promete um ativismo do governo na política econômica. Fala em cortar a gordura do governo e também em dobrar o valor do Bolsa Família, "que muitos de seus apoiadores criticaram por anos."
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POLÍTICA E ECONOMIA Quarta-feira, 28 de Julho de 2010 - 11:29 DIEESE: Desempregro é o menor da série histórica
O desemprego diminuiu no país em junho, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (27) pela Fundação Seade/Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). A taxa passou para 13,2% em maio para 12,7% junho.
O contingente de desempregados ficou em 2,79 milhões, com 109 mil trabalhadores desocupados a menos do que no mês anterior. Foram criadas 160 mil vagas nas sete regiões metropolitanas analisadas (São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife e Fortaleza).
Entre as capitais pesquisadas, o desemprego diminuiu em todas. Somente em Fortaleza houve estabilidade, ou seja, variação zero. Em Salvador, Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, São Paulo e Fortaleza.
A PEA (População Economicamente Ativa) ficou em 22 milhões de pessoas ocupadas - alta de 1,6% frente ao ano passado e 0,2% sobre maio. O dado reflete o total de pessoas que atualmente possuem alguma ocupação ou procuraram emprego.
O nível de ocupação, ou seja, a capacidade de trabalho, aumentou 0,8% no mês. Todos os setores contrataram, exceto a indústria, que fechou 7.000 vagas entre maio e o mês passado (-0,2%). O comércio contratou 41 mil pessoas entre um mês e outro, um crescimento de 1,3%, enquanto o setor de serviços abriu 109 mil novas vagas (variação de 1,1%).
O rendimento médio dos trabalhadores variou 1,1% e o dos assalariados, 1%. A média salarial dos trabalhadores passou de R$ 1230 para R$ 1.259 enquanto rendimento médio dos assalariados passou R$ 1.308 para R$ 1.322 entre abril e maio.
São Paulo
Na região metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego também caiu, de 13,3% para 12,9% O total de desempregados diminuiu em 39 mil com a abertura de 68 mil novas vagas. O número total de desempregados foi de 1,427 milhão em maio para 1,383 milhão, em junho, no menor nível desde junho de 2000 – quando ficou em 1,719 milhão.
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POLÍTICA E ECONOMIA Segunda-feira, 26 de Julho de 2010 - 04:09 Fernando de Barros e Silva: Direita, esquerda, centro
Folha de São Paulo - Há no Brasil uma direita escandalosa e disposta a se escandalizar com tudo. Sua representação é mais midiática do que propriamente política. E o lulismo tem a ver com uma coisa e outra. Ao mesmo tempo em que o êxito do governo (e, em particular, de Lula) inibiu a emergência de uma opção de direita puro-sangue à sua sucessão, também desinibiu, pela mesma razão, o ressentimento ou às vezes o ódio de setores que se julgam ameaçados pela nova ordem.
A base social dessa direita, para quem o mundo virou de ponta-cabeça, não são exatamente os detentores da riqueza extrema, que vão muito bem e talvez daqui a pouco tenham saudade. Nem, é claro, a massa pobre, que já esteve em situação pior e sentirá a falta de Lula.
A direita estridente, cínica ou raivosa, fala a (e por) setores de uma certa alta classe média, que teve seus sonhos ou pretensões de exclusivismo azedados pela emergência da "nova classe média".
Em termos políticos, a figura um tanto folclórica de Indio da Costa é um sintoma do que restou à direita, imobilizada diante de um presidente que parece ter apresentado o país a si mesmo. Lula, afinal, faz um governo de comunhão nacional.
Se a direita grita sua impotência, a esquerda nunca pareceu tão satisfeita. O lulismo anestesiou a intelligentsia, cooptando boa parte dela. Inverteram-se os papéis clássicos: temos hoje uma direita apocalíptica e uma esquerda integrada. Nesse ambiente, o campo de discussão crítica ficou estreito e está contaminado pelo sectarismo de uma polarização algo artificial.
Direita e esquerda ganham lastro na vida real quando vêm acompanhadas do prefixo "centro". Centro-direita, centro-esquerda -é por aí, distante das extremidades, que a política entre nós caminha (ou patina). Discute-se a "ampliação" do Bolsa Família, a "revisão" da política cambial etc. As brigas intelectuais, por isso, podem soar ridículas. Como se, sem perceber, todos ali fossem só "radicais de centro".
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MEIO AMBIENTE Quarta-feira, 21 de Julho de 2010 - 04:14 Pelo Deter-Inpe, desmatamento da Amazônia tem queda de 47%
Agência Estado - Faltando apenas dois meses do período de coleta de dados da taxa anual de desmatamento, o ritmo de abate de árvores na Amazônia indica queda de 47%. O número é maior do que os 42% do porcentual recorde de queda da devastação da floresta, registrado pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no ano passado.
A indicação de nova queda aparece nos dados acumulados durante dez meses - entre agosto de 2009 e maio de 2010 - pelo Deter, o sistema de detecção do desmatamento em tempo real. Divulgado também pelo Inpe, o Deter é usado para orientar a ação de fiscais no combate à devastação da Amazônia. O sistema Deter já captou desde agosto passado o corte de 1.567 quilômetros quadrados da Floresta Amazônica. Essa área é superior à cidade de São Paulo. Mas conta apenas uma parte da história do que acontece na região. (No mesmo período do clendário anterior, o desmatamento medido pelo Deter foi de 2.961 quilômetros quadrados)
Mais rápido e menos preciso, o Deter não capta desmatamentos em áreas com menos de 50 hectares (meio quilômetro quadrado). Vem daí a principal diferença entre o sistema de detecção do desmatamento em tempo real e o Prodes, que mede a taxa oficial, divulgada ao final de cada ano. No ano passado, o Prodes mediu redução recorde de 42% no ritmo do desmatamento. A área abatida foi a menor desde o início da série histórica do Inpe, em 1988.
Comparações. Entre agosto de 2008 e julho de 2009 foram devastados 7.464 quilômetros quadrados de floresta, ou cerca de 5 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. No ano anterior, a Amazônia havia perdido quase 13 mil quilômetros quadrados de floresta.
Essa queda recorde foi registrada depois de um ano de interrupção num período de queda do abate de árvores, que vinha se mantendo desde 2004, e de uma crise no governo. Foi resultado sobretudo do aumento de fiscalização e de medidas como o corte de crédito aos desmatadores e o embargo da produção em áreas de abate ilegal de árvores.
De acordo com dados dos satélites do Inpe, os piores anos para a floresta foram 1995, 2004 e 2003, com mais de 25 mil quilômetros quadrados devastados em cada um desses anos. A nova taxa oficial de desmatamento ainda depende das medições dos satélites nos meses de junho e julho, que tradicionalmente apresentam ritmo acelerado de corte de árvores.
O período mais complicado na preservação da floresta começa com o fim das chuvas na região e segue até outubro. Em maio, o Inpe registrou 11,4% de desmatamento a menos do que no mesmo mês do ano passado, dado de contribuiu para a queda de 47% acumulada desde agosto de 2009.
Para entender. Desde 2004, o Inpe tem dois sistemas de monitoramento do desmatamento na Amazônia. Para computar a taxa anual do desmatamento por corte raso na Amazônia o Inpe utiliza o sistema PRODES. O ano calendário vai de agosto a julho, justamente para pegar o período com poucas nuvens. Esse sistema é, digamos assim, o oficial e tem uma série histórica mais longa. É considerado o sistema mais preciso.
O Deter, ao contrário, mede o desmatamento mensalmente. Em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados do DETER não representam uma avaliação fiel do desmatamento mensal da Amazônia. A informação sobre áreas serve para indicar prioridades aos órgãos responsáveis pela fiscalização. O INPE enfatiza que o DETER é um sistema de alerta e mostra apenas tendências do desmatamento. O Deter agiliza a ação do gestor ambiental, na medida em que oferece dados em tempo real, mesmo que menos precisos.
Historicamente, os dados anuais do Deter representam de 65% a 70% dos dados finalizados do Prodes. A tendência então é de uma queda anual de 45% sobre o mesmo período anterior.
Os dados confirmam que o trabalho iniciado em 2003 pela então ministra do Meio Ambiente Marina Silva, continuados e aperfeiçoados por Carlos Minc resultaram numa queda de mais de 600% em 7 anos. Para muitos especialistas, a queda no desmatamento de 2009 se deveu em grande parte à crise econômica mundial e a menor demanda por commodities. O fato de que em 2010, ano de forte crescimento no Brasil, a perda florestal se reduziu num patamar ainda maior, mostra que o fator primordial foram as ações governamentais em parceria com a iniciativa privada, principalmente os produtores de soja, supermercados e frigoríficos.
Dentre as ações desenvolvidas pelo ministério, destacam-se o corte no crédito para agropecuária ilegal, a lista de municípios amazônicos críticos, recadastramento rural obrigatório, moratória da soja, reforço nas ações da Polícia Federal e Ibama, lista de produtores rurais com propriedades embargadas, além da Operações Arco de Fogo e Arco Verde.
É uma vitória espetacular que ainda por cima nos aproxima dos compromissos voluntários assumidos na Conferência do Clima, em Copenhague, em 2009. A meta de um corte de 70%, em relação ao ano anterior, praticamente foi alcançada. O desafio não se torna menor daqui para frente. A região precisa se desenvolver, incluir milhões de cidadãos no mercado de trabalho e consumo e a pressão sobre a floresta continuará a existir. Vários projetos de infraestrutura desenvolvidos pelo PAC darão à região uma nova cara, que precisa ter como lema o desenvolvimento sustentável.
Como escreveu um comentarista no site do Estadão: "Isso é absolutamente notável. Se o brasileiro não votar na candidata do Lula é porque não gosta do próprio país."
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POLÍTICA E ECONOMIA Sexta-feira, 16 de Julho de 2010 - 09:22 Brasil está perto do pleno emprego, diz Lupi
O Brasil está perto do pleno emprego, segundo afirmou o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, em entrevista exclusiva ao iG. Ele prevê que a taxa de desemprego caia dos atuais 7,4% para 6% até o fim do ano, o que, para muitos economistas, já pode ser considerado como o pleno emprego. "Já estamos bem próximos do pleno emprego no País. Este ano, a taxa de desemprego deve fechar em 6% e, no máximo, em oito anos, isso deve cair para 5% da população. Vai ser um marco para a história do Brasil", disse Lupi.
Mais cedo, o ministro havia anunciado a geração de 212 mil empregos formais apenas no mês de junho, um recorde histórico. No ano, o saldo do trabalho está positivo em 1,473 milhão de trabalhadores.
Em oito anos, de 2003 a 2010, a geração líquida de empregos (descontada as demissões) no País vai totalizar 15 milhões de postos de trabalho formais, segundo cálculos do Ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. O ministro afirmou que esse número vai ser possível em razão de uma política de valorização do emprego e da renda, o que possibilitou o resultado recorde do Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado mais cedo pelo ministro, de 1,473 milhão de postos de trabalho.
De janeiro de 2004 a junho deste ano, o País gerou 13,226 milhões de empregos líquidos. Os números levam em conta dados dos Caged de 2009 e de 2010, além dos resultados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2003 a 2008.
Desigualdade e emprego - A redução das desigualdades no País está mais ligada ao aumento da renda do brasileiro do que às transferências de benefícios de programas sociais como o Bolsa Famíia. A afirmação é ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, que disse ter percebido uma revolução social no Brasil nos últimos anos.
"A base da pirâmide social está ganhando mais, e isso tem se refletido em maior redução das desigualdades no País", contou o ministro. Para Lupi, a política de valorização do salário mínimo acima da inflação adotada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva é a grande protagonista da melhora das condições de emprego e renda que o País vive atualmente. "O Brasil vive um momento mágico, e isso se deu com geração de empregos e aumento de renda, o que é ótimo principalmente para as classes mais baixas", assinalou o ministro.
Qualificação profissional - Ainda que o cenário para o emprego seja de otimismo, a falta de mão de obra qualificada constitui hoje gargalo ao desenvolvimento sustentável do mercado de trabalho, conforme pensa o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. "O Brasil tem uma grande dificuldade que é a cultura da qualificação profissional", disse. Segundo contou o ministro, entre cinco e seis milhões de pessoas procuram emprego atualmente no País. Ao mesmo tempo, há oferta não correspondida de um milhão de postos de trabalho pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine), que não consegue preencher as vagas.
"Esse um milhão de postos sem trabalhador é em função da falta de qualificação, que ainda é baixa no País", disse.
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POLÍTICA E ECONOMIA Quinta-feira, 15 de Julho de 2010 - 23:45 Tem-bala e LRF: a Lei que o Serra despreza; a imprensa adora, mas desconhece
Hoje à Agência Reuters, o candidato José Serra questionou o uso de dinheiro público na construção do Trem de Alta Velocidade (TAV) entre o Rio de Janeiro e São Paulo. O edital de licitação lançado essa semana, prevê a participação do BNDES no financiamento de 60,3% da obra, o que irá representar a disponibilidade de R$ 20 bilhões pelo banco, do total de R$ 33,1 bilhões previstos para o projeto. (Leilão do trem-bala será realizado em 16 de dezembro)
Segundo o candidato do PSDB, "com 35 bilhões (de reais) você pode triplicar o metrô do Rio, fazer em Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e Salvador, que está parado. Em São Paulo, também é insuficiente (o metrô)". Serra, acrescentou que os recursos estimados para o trem-bala poderiam ainda ser usados em obras rodoviárias.
Essa é uma afirmação diversionista, pois o trem-bala não está tirando verba pública de outras obras de infraestrura de transporte. E ele, como gestor, sabe bem disso. É um factóide parecido com o usado pelo então candidato Geraldo Alckmin em 2006. Naquele momento, o estado de São Paulo enfrentava dificuldades de conseguir financiamento do BNDES para a ampliação do metrô e acusava o governo federal de atrapalhar o estado com fins eleitoreiros. Uma declaração bem eleitoreira, por sinal.
Mas aí vale lembrar que no Brasil existe a Lei de Responsabilidade Fiscal, que exige dos entes públicos que tenham capacidade de se financiar. Assim como eu e você precisamos apresentar garantias na tomada de um empréstimo bancário, governos e estatais precisam provar que têm saúde financeira. Em 2007, o ministro Guido Mantega aumentou o limite do endividamento paulista, o que permitiu o financiamento e a ampliação do metrô paulistano. E foi muito criticado pela imprensa liberal.
A verba que financiará o trem-bala não faltará aos estados que queiram ampliar metrôs e estradas. Na verdade o BNDES dispõe de capacidade financeira para tal, mas, como banco de desenvolvimento, não pode desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Ainda bem que o candidato também lembrou que "nessa campanha se criou uma nova profissão, os profissionais da mentira. É mentira, mentira, mentira, pra gente ficar desmentido a mentira." E o José Serra é professor na arte de mentir.
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POLÍTICA E ECONOMIA Quinta-feira, 15 de Julho de 2010 - 15:19 Minha Casa, Minha Vida atinge meio milhão de moradias
Agência Brasil - O programa Minha Casa, Minha Vida recebeu 945 mil propostas de construção de moradias, das quais foi iniciada a construção de 542 mil unidades. Os números foram divulgados há pouco pela presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho.
Com esse desempenho, destacou Maria Fernanda, é possível que o programa atinja a meta de 1 milhão de moradias contratadas até o fim do ano. Quando o Minha Casa, Minha Vida foi lançado, em 2009, a meta não estava definida para um período específico.
"O Minha Casa, Minha Vida ajudou a Caixa a cumprir a função social de fornecer crédito para habitação neste país", disse Maria Fernanda.
De acordo com a presidente da instituição, o programa habitacional foi determinante para o aumento do crédito imobiliário registrado nos últimos anos. Em 2009, a Caixa concedeu R$ 47 bilhões em financiamentos habitacionais. Nos seis primeiros meses deste ano, o volume atingiu R$ 34 bilhões.
"É um aumento impressionante, principalmente se levarmos em conta que em 2003 a Caixa concedeu apenas R$ 5 bilhões em crédito habitacional", assinalou a presidente da instituição.
Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a evolução do Minha Casa, Minha Vida ajudará a consolidar o crescimento sustentável do país no longo prazo. "Esse é um programa cujos resultados levarão 20 anos para serem avaliados. Vários países ricos passaram por uma revolução na habitação antes de se desenvolverem."
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POLÍTICA E ECONOMIA Quarta-feira, 14 de Julho de 2010 - 17:24 Crédito imobiliário com recursos da poupança cresce 87% em maio
O Globo - O volume de empréstimos imobiliários com recursos da poupança cresceu em maio 87% em relação ao mesmo mês do ano anterior, chegando ao patamar de R$ 4,25 bilhões, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Na comparação entre os cinco primeiros meses de 2009 e de 2010, o valor médio de financiamento saltou de R$ 107 mil para R$ 127 mil, o que, segundo o relatório, reflete a tendência de maior participação dos recursos das cadernetas de poupança nos financiamentos imobiliários devido à maior capacidade dos mutuários de tomar crédito.
As contratações entre janeiro e maio de 2010 somaram R$ 18,58 bilhões, valor 77% superior ao mesmo período de 2009. O número de unidades financiadas também aumentou, saltando de 19,7 mil, em maio de 2009, para 32,8 mil em maio de 2010, o que representa um crescimento de 66%. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano passado e deste ano, o total de imóveis teve um aumento de 50%, passando de 98,1 mil unidades para 146,8 mil.
De acordo com a Abecip, a projeção para este ano é de R$ 50 bilhões sejam emprestados para a compra da casa própria. A cifra representa uma alta de 47% na comparação com 2009, quando os empréstimos atingiram R$ 34 bilhões. A estimativa para este ano tem como ponto de partida a manutenção das condições de renda e crédito conjugada à retomada dos lançamentos por parte das construtoras.
De acordo a entidade, a estimativa é de que entre 400 mil e 450 mil unidades sejam financiadas, o que seria um "número sem precedentes na história do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo)".
PIB mensal de maio cresce 9,3%
A atividade econômica brasileira medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), mostrou, na comparação anual, que continua a crescer com bastante força. Em maio, a expansão foi de 9,39% sobre um ano antes. No acumulado do ano, de janeiro a maio, o crescimento está em 10,29% quando comparado com igual período de 2009. O IBC-Br mostrou estabilidade frente a abril de 2010.
O setor de construção civil tem muitos motivos para comemorar com o cenário que mistura juros menores, renda em alta, desemprego em queda e maior oferta de crédito. Nada que nos faça lembrar o vivido entre 1985 e 2005, quando o mercado se ressentia da falta de políticas públicas estimuladoras de sua atividade e era caudatária das incertezas que inibiram investimentos produtivos.
O chamado segmento econômico, representado por imóveis com preços até R$ 200 mil, tem ganhado cada vez mais espaço nas vendas das grandes construtoras. A Living, braço da Cyrela para esse setor, deve somar neste ano até 40% das unidades comercializadas por toda a empresa. Na Gafisa, por meio de sua subsidiária Tenda, a estimativa para este ano varia entre 40% e 45%, para atingir até 50% no próximo ano.
Para Antonio Guedes, diretor-geral da Living, o grande estímulo foi o programa "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal. "Foi o IPI do setor", compara ele, em referência à redução de impostos para veículos e eletrodomésticos de linha branca em 2009 e parte deste ano. A Cury, construtora que sempre atuou no segmento econômico, viu seu faturamento se multiplicar nos últimos anos. De R$ 65 milhões em 2007, pulou para R$ 130 milhões no ano seguinte e R$ 450 milhões em 2009. Para 2010, a previsão é de R$ 500 milhões.
Em maio, o nível de emprego no setor registrou novo recorde, de 2,69 milhões de trabalhadores empregados com carteira assinada. Naquele mês foram 45.031 trabalhadores. No acumulado dos primeiros cinco meses deste ano, o nível de emprego no setor registrou alta de 9,7%, segundo dados do levantamento mensal do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e da FGV. Em 12 meses, o emprego no setor aumentou 16,27%. A mão de obra empregada cresceu 50% de 2005 para cá, mas ainda faltam profissionais habilitados, engenheiros civis com boa formação e produção de tecnologia que acompanhe a velocidade do crescimento do setor.
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POLÍTICA E ECONOMIA Quarta-feira, 14 de Julho de 2010 - 00:22 Alberto Tamer: Subsídio, sim, para investir
artigo, Alberto Tamer
O Estado de S.Paulo - Há uma dúvida pairando no tranquilo horizonte da economia nacional: o governo estaria certo ao oferecer recursos para que o BNDES financie as empresas, por meio do que se chama crédito direcionado? Os acadêmicos se deliciam. Os economistas também. Os argumentos se degladiam. Espadas se chocam soltando faíscas. Todos concordam que entregar títulos do Tesouro ao banco não é a melhor forma, disfarça o peso da dívida sobre o PIB, mas não oferecem outra solução. Só dizem que é preciso investir mais, sem explicar como. A maior crítica é que ao aumentar substancialmente o volume de crédito no sistema, a taxas menores, o BNDES leva o Banco Central a aumentar a Selic para equilibrar o sistema.
O BNDES já recebeu R$ 180 bilhões até junho. Foram R$ 100 bilhões em 2009 e o restante este ano. Ele empresta às empresas privadas e estatais (principalmente à Petrobrás) a juros de 6% ao ano e paga 10,2% quando vende no mercado os títulos que recebeu do Tesouro. E será mais se os juros, devido a isso e ao aumento do consumo interno, chegar a 12%, com se prevê. Há um subsídio evidente nessa operação. Mas, quem nega isso?
O crédito direcionado do BNDES representa cerca de 50% do estoque atual no sistema. Pesa muito. E o BNDES vem sendo muito ativo em seus financiamentos. Seu papel está sendo decisivo na consolidação do crescimento econômico, ainda distorcido por grave falta de invstimento em produção.
Seria justo, correto? Mas, aí, todos pagariam juros mais altos decorrentes da Selic maior e só as empresas seriam favorecidas com empréstimos de longo prazo do BNDES com taxas subsidiadas mesmo que seja para investirem na produção. Muitos perguntam se é justo, se vale a pena. Mais ainda, insistem, o governo está camuflando a sua dívida real. Ou seja, a situação das finanças públicas não seria tão boa quanto aparenta. E as agências de risco estão de olho nisso...
A questão é outra. Sim, a questão é investir em produção. Ela tem a múltipla vantagem de criar emprego, renda, receita e atender ao aumento da demanda interna, peça essencial do crescimento atual, conter pressões inflacionárias e exportar mais. É curioso, os mesmos que criticam a fórmula escolhida pelo governo, afirmam também, e corretamente, que os investimentos não passam de 18,5%, se arrastam há anos; que é preciso mais, chegar a 25% para que a economia cresça sem distorções...
A coluna tem dito que o grande erro do governo foi não estimular os investimentos em produção quando incentivou fortemente o consumo para superar a recessão. Deu no que deu. Inflação acima da meta, já elevada para os padrões internacionais. Foi isso, sim, pelo menos até agora, que está provocando o aumento da Selic, do juro básico, e não apenas os empréstimos a juros subsidiados do BNDES. Estamos diante de um fato. Hoje,o governo está tentando, talvez de forma pouco ortodoxa, corrigir seu erro.
Mas, qual seria a alternativa? Reduzir os impostos que pesam sobre os investimentos, o que teria o mesmo efeito sobre as contas públicas? Mas a redução sozinha não teria o mesmo efeito na decisão de investir em máquinas e obras de maturação mais lenta até que se inicie a produção e a sua venda no mercado. O processo exige financiamento a longo do prazo e a juros acessíveis. Tem subsídio, que os próprios técnicos do BNDES estimam em R$ 66 bilhões (a diferença entre o juro que cobra e o que paga), mas subsídio só é mal quando mal aplicado, quando não traz produção, emprego. Quando é desperdiçado nas lides eleitorais.
Correção. Gostaria de corrigir o número divulgado na coluna. Afirmei que, segundo estimativa de técnicos do BNDES, o repasse de R$ 180 bilhões feito para o banco desde o ano passado teve um custo de R$ 66 bilhões para Tesouro. O BNDES esclareceu que o número não é considerado pela instituição em suas análises e não é verdadeiro.
O subsídio à produção e ao consumo é um instrumento delicado, pode provocar distorções, mas está sendo universalmente utilizado para sustentar economias que estão saindo da recessão. Cabe aos governos saber direcioná-los para setores produtivos. A proridade é investir, o que não se fazia há décadas no Brasil. Que venham as sugestões!
Subsídios para investir (2)
A última coluna – “Subsídio, sim, para investir” – provocou reação entre leitores e economistas. Alguns, mais próximos, me perguntam se não exagerei ao defender com tanto vigor os empréstimos do BNDES a juros pela metade da taxa de mercado. Aceito e até peço críticas. Respeito os que discordam. Respeito, aliás, todos os economistas – apesar das brincadeiras que de vez em quando faço com eles. Só não gosto dos “estrelistas”, os que falam por falar só para aparecer nos jornais. Felizmente são poucos.
Diante dessa reação dos leitores e amigos, a coluna volta ao tema-tabu do subsídio, complementando informações e fornecendo números. Eles mostram que o BNDES, sob a presidência de Luciano Coutinho (um dos poucos “economistas-operativos” que conheço), está fazendo um trabalho seriíssimo de apoio à indústria, a obras essenciais de infraestrutura, à agricultura. O BNDES deixou de ser, como no passado, hospital de empresas falidas. Hoje, é uma das instituições públicas mais respeitadas no país. Com razão.
Subsidio não é eterno. O Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que financia empresas com juros subsidiados, foi criado em julho de 2009 e termina neste ano. Não é eterno e não precisa provocar necessariamente aleijões fiscais. Vejamos: o BNDES recebeu, no ano passado e neste ano, R$ 180 bilhões do Tesouro para ajudá-lo a atender a forte demanda por financiamentos de médio e longo prazo. É difícil separar esse valor dos financiamentos totais do BNDES, mas é possível avaliar o seu peso nas operações do banco.
No ano passado, o BNDES desembolsou R$ 137 bilhões. O valor é um recorde absoluto e representa crescimento de 49% em relação a 2008. Em 2010, até maio, foram liberados R$ 46 bilhões – aumento de 41% sobre 2009. Desse valor, 41% foram para infraestrutura, 29% para indústria, 21% para comércio e serviços e 9% para agropecuária.
Da criação do PSI até agora, foram desembolsados R$ 46,5 bilhões. O piso dos juros para comercialização de bens de capital era de 4,5%, inicialmente, no ano passado. A partir deste mês, aumentou para 5,5% ao ano para o tomador final. Mesmo assim, um grande incentivo para a comercialização de bens de capital. Essa taxa, por ser tão baixa, precisa ser equalizada pelo Tesouro, e é nisso que está baseada toda a discussão de custo do empréstimo para o BNDES.
São financiamentos que impediram uma queda ainda maior dos investimentos no País. Sem eles, teriam recuado abaixo de 16% do PIB, o que é insignificante para sustentar o crescimento. Ao manter o nível atual, estimulado pelo programa de incentivo do BNDES, devemos chegar a 19% no fim do ano. Ainda insuficiente. Todos os economistas e institutos afirmam que é preciso investir no mínimo 25% para não gerar inflação e distorções perigosas na economia. Um fato é indiscutível: só agora estamos adquirindo a vocação de investir. Com incentivos, por enquanto. E até quando for necessário para consolidar a economia e prepará-la para eventuais crises externas.
Sem vocação para investir. Se tínhamos alguma, a perdemos na crise. Exagero? O IBGE informa que, no último trimestre de 2008, auge da recessão mundial, a Formação Bruta de Capital Fixo caiu 9,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Não parou aí: seguiu em queda de 12% no primeiro trimestre de 2009. Era o clima de incerteza e adiamento de investimentos, com os primeiros sinais de impacto sobre emprego e consumo.
O governo reagiu com medidas que incluíram a redução do IPI e a sinalização de que não faltariam recursos do BNDES para as empresas que apresentassem bons projetos. Era o impulso ao investimento que faltava. A reação das empresas começou a ser sentida: a formação de capital reagiu, crescendo 2,1% no segundo trimestre de 2009. Mas foi nos períodos seguintes que a expansão realmente ganhou fôlego: 7,5%, no terceiro, e 7,4% no último trimestre do ano passado. Esse desempenho se manteve no primeiro trimestre de 2010. Graças, em parte, ao programa do BNDES, estamos voltando a investir em produção. Mas ainda é pouco.
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MEIO AMBIENTE Segunda-feira, 12 de Julho de 2010 - 18:32 Aldo, o Código e a cereja
Artigo de Carlos Tautz
É natural a estranheza causada pela devoção de um deputado formalmente comunista à causa dos grandes produtores de commodities e seu projeto de demolição do Código Florestal. Mas, por esquisito que pareça, a súbita dedicação de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ao tema ambiental, que tradicionalmente lhe é tão próximo quanto os anéis de Saturno, tem, sim, explicação.
Por trás e por baixo da caricatura que é um comunista defendendo latifundiários está a mais recente modernização conservadora das estruturas produtivas no Brasil, como consequência da conjuntura internacional.
Os maiores agentes econômicos do País, em aliança estreita com o Estado nacional, perceberam que há, em pequenos buracos da hegemonia global dos EUA e na disparada da demanda chinesa, espaço para reafirmar a história do Brasil como plataforma de exportação de matérias primas e bens de consumo com baixo valor agregado, esses sinais do nosso desenvolvimento atrasado.
Feita a constatação, por sinal correta do ponto de vista metodológico, passam-se às necessárias articulações de poder e criação de bases materiais para confirmar o Brasil no papel já histórico de produtor e exportador de intensivos de natureza e energia, na forma de carnes, grãos e minérios. São essas as bases materiais da projeção do poder brasileiro sobre os mercados do Sul global, principalmente África, Oriente Médio e Ásia, em especial China.
Essa conjuntura internacional rebate internamente ao Brasil e surge a necessidade de de os agentes econômicos desenvolverem musculatura e base territorial para atender à crescente demanda do Sul global, dos EUA e da Europa.
Nesse sentido, a proposta de Aldo Rebelo, de perdoar crimes ambientais de desmatamento e reduzir a reserva legal de mata em todos os biomas brasileiros é uma espécie de cereja de um bolo com muito mais recheio do que supõe a nossa vã ideologia.
Na prática, o deputado expressa o interesse de garantir o território necessário à contínua expansão do negócio agrícola para exportação, exatamente como se faz desde 1500, quando as naus lusitanas vieram coletar pau brasil para a metrópole Lisboa. Deste ângulo, o relatório rebeliano, aprovado na quarta, 6, por ampla maioria em Comissão Especial da Câmara dos Deputados, faz sentido.
Nesse contexto, sobressai a caricatura dos argumentos manufaturados por Aldo, que sempre recorre ao argumento da defesa da “soberania brasileira” para sustentar seus interesses. No caso, o argumento é ajustado para justificar o que Aldo chama de disputa de produtores brasileiros pelos mercados protegidos dos EUA e da Europa.
Esquece, entretanto, o nobre parlamentar de que 100% da produção brasileira de alimentos é intermediada por quatro ou cinco grupos internacionais de especuladores de comida, como a Bunge e a Cargill, todos de origem estadunidense.
O relatório de Aldo ainda vai ao Senado (*), mas daí mesmo é que não se deve esperar grandes mudanças de curso. A casa superior se caracteriza por exprimir talvez com mais veemência do que a Câmara os interesses centrais do modelo de desenvolvimento aplicado ao Brasil. A não ser que a rejeição ao novo Código mobilize tanto quanto o conseguiu o projeto moralizador da Ficha Limpa.
(*) nota do blog, o relatório vai ainda ao plenário da Câmara
O artigo é muito feliz quando desmente o caráter 'nacionalista' do relatório do deputado Aldo Rebelo. Ao contrário, pode se dizer que ele é 'entreguista', pois se baseia numa falsa tese de que o agronegócio brasileiro precisa de mais terras para se adequar à crescente demanda externa por alimento e matéria prima. Balela. O que nosso setor agrário precisa é de mais eficiência e valor agregado e não mais produção em escala.
Não tenho dúvidas que a legislação ambiental brasileira precisa de modificações. O atual Código Florestal, da década de 1960 e foi emendado diversas vezes via Medida Provisória, é inviável para a realidade brasileira. Trata-se de uma lei para não ser cumprida, pois inviabilizaria grande parte de nossa produção agrícola. Ocorre que para resolver 90% das reais imperfeições da legislação, bastaria seguir os diversos acordos que o então ministro do Meio Ambiente Carlos Minc fez com setores da agricultura familiar. O plantio em várzeas, em encostas, recomposição de APPs, respeito a matas ciliares; vários desses pontos já estavam acordados, sem a necessidade de uma Reforma que tenta misturar medidas necessárias com outras que vão significar arrombar porteiras de ambientes sem nenhuma estrutura legal.
Não vale, como muitos tentam, alegar que os EUA também é um grande exportador de commodities agrícolas, pois sua produção tem um nível de subsídio que o Brasil certamente não tem como pagar. O nosso subsídio é de outra origem e muito mais custoso, pois representa a perda de empregos, o uso intensivo de solos, perdas minerais, poluição etc. O Brasil precisa antes, radicalizar a opção pela agroindústria, movimento que já está em andamento, mas ainda tímido em muitas regiões. Não há nada mais ineficiente que produzir 2.000kg de soja no Mato Grosso, a base de muita adubação e irrigação, e depois exportar in natura via rodovias, consumindo óleo diesel e asfalto. O balanço energético é claramente negativo.
Essa é a realidade que o relatório do deputado Aldo Rebelo parece não enxergar. Já temos terras desbravadas e em condições de produzir com pouco investimento, capazes de duplicar nossa produção agrícola. Basta o produtor ter a parceria do setor industrial, garantindo demanda ao longo de todo o ano.
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POLÍTICA E ECONOMIA Domingo, 11 de Julho de 2010 - 15:18 Em 2006, o esgoto da Veja não consultou o polvo Paul contra Lula
Em 2006, Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo comentando a 'derrota' de Lula para Alckimin no segundo turno ao mesmo tempo em que não demonstram nenhum confiança num suposto goveno do ex-governador de São Paulo. A tradução é que servia qualquer poste, desde que pudesse derrotar Lula. A vitória 'dos dois', não era a eleição de Alckmin, mas a derrota de Lula. O resto é história. E o pior é que o discurso dos dois, se projetado para 2010, deixa claro que as promessas do Serra de duplicar o Bolsa Família devem deixá-los profundamente irritados.
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MÚSICA Domingo, 11 de Julho de 2010 - 01:49 Clube numa esquina de Piratininga
| Capa do Clube da Esquina 1 |
Acho que poucas pessoas discordam que o 'Clube da Esquina 1' foi um dos discos mais importantes da música popular brasileira. Gravado por Milton Nascimento e Lô Borges (com o auxílio luxuoso de Márcio Borges, Toninho Horta, Beto Guedes entre outros) tinha uma sonoridade que era muito diferente de tudo o que a gente conhecia.
Lançado em 1972, o álbum duplo acabou dando nome ao grupo de músicos e no fundo a um movimento musical vindo das Gerais. Nascia uma espécie de terceira via, em contraponto à Bossa Nova e à Jovem Guarda que eram os movimentos mais cultuados pela juventude reprimida nos anos de chumbo. Os arranjos, os vocais, a voz de Milton, as letras, aquela capa com dois moleques que nos deixava curiosos para saber se eram eles (e não eram).
Um detalhe curioso é que ele foi todo elaborado numa casa em Piratininga, aqui na minha Niterói. Bituca já morava no Rio e resolveu trazer os amigos de Minas para fazer o disco. Alugaram uma casa na beira do mar, num lugar que eles passaram a chamar de 'Mar Azul'. Devem ter inventado esse nome, pois não existe essa praia em Piratininga. Há 35 anos, Piratininga era uma praia bem deserta, com poucas casas de pescadores e alguns aventureiros.
Foram seis meses numa experiência meio hippie e que é contada com mais detalhes num depoimento para o site museudapessoa.net, pelo Helson Romero, mais conhecido como Jacaré, amigo da turma e freqüentador da casa.
Mas a vida lá no Mar Azul eu não vou chamar de normal, porque não era. Acordava-se na hora que queria, tomava-se um banho de mar... Os músicos sempre pegavam o Violão e iam criar. Então foi uma vida só para criação, para montar o disco Clube da Esquina – que foi como veio a se chamar depois, porque enquanto eles trabalhavam lá, não se dizia: "Vamos chamar esse disco de Clube da Esquina". Isso talvez tenha sido meio de 71 para meio de 72, porque o disco saiu em 72. Mas essa vida, nessa casa, não era normal. Você acordava, banho de mar, voltava, sentava na varanda lá em cima, quando não estava no quarto de vidro, porque com o mal tempo você tinha que fechar os vidros, mas com o bom tempo, sentava na varanda e eles só tocando, tocando, tocando, criando... E eu caçando umas peladinhas ali na praia.
Milton e Lô, ao vivo cantando Clube da Esquina.
Fiquei sabendo também que a foto da capa do disco "Amor de Índio", de Beto Guedes, foi tirada nessa casa.
Beto Guedes: Esse, o “Amor de Índio”, tem uma coisa interessante, que é aquela capa. Toda pessoa pra quem eu mostrava sempre elogiava a capa e o momento da foto. Todo mundo falava: “Pô, você tava bem na foto”. Me lembro que o Caetano mostrou pra Betânia e ele depois veio contar que a Betânia tinha gostado muito da foto da capa. E essa foto foi tirada lá em Mar Azul, na época em que eu estava no apoio logístico, ajudando o Lô e o Bituca a terminar o primeiro “Clube da Esquina”. Me lembro que, numa bela manhã, eu tinha acabado de acordar e estava meio frio. Aí tomei café e fui pra janela comer coco enrolado no cobrilê. E o Cafi tinha chegado para visitar a gente. Aí ele fez aquela foto.
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