Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009 - 13:29 Essa ninguém me contou: "Já não é mero figurante2"
"No auge do Real, sob Fernando Henrique, falava-se com orgulho do aumento do número de pessoas com acesso à dentadura. É só uma impressão, mas repare nas ruas se hoje não existe, entre os mais pobres, muita gente usando aparelho dentário."
Fernando de Barros e Silva
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POLÍTICA E ECONOMIA Sábado, 06 de Fevereiro de 2010 - 15:56 'Risco Europa' já é maior que o do Brasil
150 pontos era o risco brasileiro ontem, expresso nas negociações do instrumento financeiro CDS. O risco Grécia estava em 415 pontos, o de Portugal, em 227, e o da Espanha, em 165 4,03% foi a queda do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) na semana passada
O crescente temor sobre a situação fiscal de vários países europeus - que voltou a castigar os mercados globais ontem -, aliado à melhora das condições macroeconômicas brasileiras nos últimos anos, transformou em realidade algo impensável há não muito tempo: os investidores temem mais um calote de Portugal, Espanha, Irlanda, Itália e Grécia do que do Brasil.
É o que revelam os dados da medida de risco mais usada no mercado global atualmente. Trata-se do prêmio expresso nas negociações de um instrumento derivativo chamado de CDS (do inglês, credit default swap). Em uma definição coloquial, o CDS pode ser traduzido como um seguro anticalote.
Exemplo prático: um banco empresta dinheiro para um país e, ao mesmo tempo, compra um CDS de um investidor. Se o tal país não honrar seu compromisso, o banco vai ao investidor cobrar o prejuízo.
No auge da crise global, em outubro de 2008, o prêmio do Brasil chegou a 355 pontos - ou seja, o investidor que comprava seguro contra eventual inadimplência brasileira pagava 3,55 pontos porcentuais a mais de juros sobre o CDS dos EUA, referência do mercado. Na mesma época, o CDS de Portugal era de 85 pontos, da Espanha, 82, da Irlanda, 113, da Itália, 117, e da Grécia, 134 pontos. Ontem, esses valores eram, respectivamente, de 150 (Brasil), 227, 165, 169, 155 e 415 pontos.
"Há duas explicações para a melhora do risco brasileiro em comparação com o desses países: de um lado, o Brasil saiu fortalecido da crise e tem boas perspectivas de crescimento; de outro, essas nações europeias enfrentam enorme desafio fiscal", explicou a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif.
Um dos efeitos da mudança é que as empresas e o governo do Brasil podem pagar menos para se financiar no exterior do que esse grupo de países, que, pelos critérios do Fundo Monetário Internacional (FMI), constituem economias avançadas.
"Isso já ocorre na prática", disse Eduardo Nascimento, diretor do BB Securities em Londres. Segundo ele, um papel emitido pelo governo da Grécia na semana passada pagava ontem ao investidor, nas negociações de mercado secundário, juro de 7% ao ano. "Um título do Banco do Brasil com vencimento em 10 anos está pagando 6%." Quanto maior o retorno, maior o risco da aplicação. (Leandro Modé)
Marcadores: Risco Brasil
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POLÍTICA E ECONOMIA Sexta-feira, 05 de Fevereiro de 2010 - 12:34 Elevada demanda de bens de capital
Consumo de máquinas subiu 18% no 4º tri. Esse foi o segundo período consecutivo de forte recuperação do investimento na economia após a crise internacional.
Os investimentos na ampliação da capacidade produtiva continuaram firmes nos últimos meses de 2009. Entre o terceiro e o quarto trimestres do ano passado, o consumo interno de máquinas e equipamentos cresceu 18%, segundo cálculos do Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco, que considera a produção local vendida no mercado doméstico e a importação de bens de capital. Esse foi o segundo período consecutivo de forte recuperação do investimento na economia após a crise internacional - do segundo para o terceiro trimestres, esse indicador registrou alta de 6,5% no Produto Interno Bruto (PIB). Apesar da recuperação no fim do ano, o consumo aparente de máquinas pelas empresas caiu 11,5% em relação a 2008.
Para 2010, os analistas esperam uma forte alta da demanda interna por bens de capital. O consumo aparente de máquinas e equipamentos deve crescer cerca de 30%, contribuindo para que os investimentos totais na economia aumentem mais de 20% sobre o realizado no ano passado. Na conta final do investimento também entram os projetos de infraestrutura e construção civil.
A retomada da demanda por máquinas e equipamentos está ajudando tanto a produção local como a importação. No último trimestre, os fabricantes nacionais elevaram a produção em 13,3% em relação aos três meses anteriores, segundo dados do IBGE, enquanto as importações cresceram 16,7% na mesma comparação, descontados os efeitos sazonais.
Para Douglas Uemura, economista da LCA Consultores, a produção de bens de capital já percorreu "três quartos do caminho de volta aos níveis anteriores à crise". A produção de máquinas e equipamentos foi bastante prejudicada pela crise internacional. Caiu 31,4% entre outubro de 2008 e março de 2009 - mais que o dobro do conjunto da indústria. Nos três últimos trimestres do ano, no entanto, as fábricas ampliaram a produção em 29,3%.
Os empresários também aproveitaram os preços dos bens de capital para reforçar os investimentos. No quarto trimestre, o preço de importação desses produtos ficou 2,7% menor, em dólar, do que em igual período de 2008. (João Villaverde)
Marcadores: Investimentos, Máqinas e equipamentos
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ESPORTES Terça-feira, 02 de Fevereiro de 2010 - 09:10 Ele deveria estar em Paris
Era 1994, ano de Copa do Mundo e Dener já despontava como a grande revelação do futebol brasileiro. Mas nem o título conquistado com o Grêmio no ano anterior transformou o garoto paulistano em uma unanimidade. Gênio para muitos, moleque para outros. A Portuguesa paulista, clube que detinha o passe do garoto, queria valolizá-lo ainda mais e jogador aparecer num grande clube para impressionar o treinador da seleção Carlos Albeto Parreira, nos últimos meses antes da Copa. A solução boa para todos foi um empréstimo para o Vasco, mas já se dizia que estava negociado ao Stuttgart para a temporada alemã de 94/95.
No Vasco, encontrou novos parceiros em grande fase, brigando pelo tri-campeonato estadual, como a dupla de zaga formada por Ricardo Rocha e Alexandre Torres, o mato-grossense Wiliam, o garoto Yan e o atacante Valdir Bigode. Dener caiu como uma luva naquele time de Jair Pereira, que conquistou com alguma facilidade a Taça Guanabara com um inesquecível 4×1 na final com o tricolor das Laranjeiras. Nessa partida, ele não marcou, mas enlouqueceu a zaga tricolor. Perdeu dois gols inacreditáveis, um deles após driblar toda a defesa num lance mágico. Seria (mais) um gol de placa. (Assista abaixo que Januário de Oliveira, na torcida, chegou a gritar gol)
Que vascaíno com mais de 30, mesmo os confiáveis, não se lembra do grito nas arquibancadas: “ê, cafuné, ê cafuné, o Dener é a mistura do Garrincha com o Pelé!”.
Na primeira partida do segundo turno, mais uma vitória frente ao Botafogo de Sérgio Manuel, Túlio Maravilha e treinado pelo Aranha Dé, um ídolo da torcida cruzmaltina, um dos melhores parceiros do atual presidente do Vasco. O Machão da Gama, como apelido dado pelo locutor José Carlos Araújo, parecia realmente imbatível naquele Campeonato Estadual.
No domingo seguinte, 17 de abril, o clube da Colina voltaria a enfrentar o Fluminense e no mesmo dia Parreira anunciaria a convocação da seleção Brasileira para o amistoso contra um Combinado Bordeaux/Paris Saint-Gemant, na quarta feira, 20, em Paris. Sem poder contar com Bebeto e Romário era grande a expectativa para que Dener tivesse a chance de mostrar seu futebol com a amarelinha. Ele estava bem mais maduro, havia competado 23 anos há duas semanas, e já merecia uma oportunidade.
Veio o clássico contra os tricolores e Dener estava irreconhecível, parecia que estava com a cabeça mais na sede da CBF, a poucos quilômetros do maior Estádio do Mundo, que nas quatro linhas. Mário Tilico (filho do grande Mário, atacante do Vasco nos anos 60) e Valdir marcaram os gols do empate e após um bate-boca de Dener com o lateral Branco, o ’soparador de apito’ Carlos Elias Pimentel mandou os dois ‘mais cedo para o chuveiro’.
Pouco menos de 1 hora após o fim da partida, Parreira anunciou os convocados deixando Dener de fora. Foi uma decepção geral, uma ducha de água fria nos que torciam pelo seu talento. Alguns até disseram que foi um corte de última hora, um castigo pela indisciplina no clássico. Balela, Branco o outro brigão foi convocado. Parreira nunca gostou de craque mesmo. É meus amigos, naquele tempo, ‘jogador diferenciado’ ainda era conhecido como craque.
Suspenso, sem poder jogar o próximo jogo marcado apenas para o domingo seguinte, contra o arqui-rival Flamengo, a diretoria liberou Dener para "resolver alguns problemas particulares" (sempre quis saber o que isso significava na prática) em São Paulo. Com seu amigo e procurador Oto Gomes de Miranda, deixou São Paulo na noite de segunda-feira, mas a viagem foi interrompida de madrugada por uma árvore na Av. Borges de Medeiros, Lagoa, a menos de 2 quilômetros de casa.
No dia seguinte, o time sem novidades de Parreira não passou de um insosso 0X0 contra o combinado francês (Como curiosidade, no time francês jogaram o tetra-campeão Márcio Santos, que herdou a vaga com a contusão de Ricardo Rocha e Assis, irmão mais velho e bom de bola de Ronaldinho Gaúcho).
O Vasco com ele foi realmente imbatível. Em sua curta passagem por São Januário, foram 17 partidas sem conhecer o sabor de uma derrota. O tri-campeonato veio, o elenco dedicou o título ao amigo e em sua homenagem o 'cafuné' foi gritado na arquibancada. A única derrota foi naquele Vasco e Flamengo, com o time de luto, com dois gols do 'esquecível' Charles Baiano. Mas Dener não jogaria mesmo.
O Brasil se privou do talento do gênio/moleque no dia em que ele deveria estar em Paris, se bem que tem gente que tem medo de avião.
E para quem tem saudades do 'é disso o que o povo gosta’, vai um pouco mais de Dener, 'cruel, muito cruel'.
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POLÍTICA E ECONOMIA Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010 - 23:47 Termômetro da economia, papelão ondulado tem dezembro histórico
Folha Online - As expedições de papelão ondulado aumentaram 25% em dezembro de 2009, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo estatísticas prévias divulgadas nesta quinta-feira pela ABPO (Associação Brasileira do Papelão Ondulado). Na comparação com novembro, houve decréscimo de 6,87%.
Foram expedidos 196.409 toneladas, o melhor desempenho já registrado para um mês de dezembro, desde o início da série histórica (1980).
Por seu uso intensivo no setor industrial e comercial, o segmento de papelão ondulado é visto como um indicador informal do nível de atividade da economia.
Na comparação ano a ano, a ABPO registra uma virtual estabilidade, com uma queda de somente 0,01% entre 2008 e 2009, com 2,273 milhões de toneladas expedidas.
Para efeito de compoaração, em dezembro de 2008, no pior momento da crise, as vendas de papel ondulado caíram 4,6%. A queda frente a novembro é sazonal e não preocupoa.
| mês |
% |
Dez-08 |
-4,52% |
Jan |
-8,3% |
Fev |
-9,6% |
Mar |
-2,0% |
Abr |
-8,8% |
Mai |
-6,4% |
Jun |
-5,2% |
Jul |
-3,7% |
Ago |
0,4% |
Set |
5,0%
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Out |
7,5% |
Nov |
13,4% |
Dez |
25% |
ANO |
-0,01% |
Leia também: Aumento de 6% do PIB este ano levará vendas de papelão ondulado a recorde
Marcadores: Papel ondulado
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ESPORTES Sábado, 16 de Janeiro de 2010 - 23:29 Vascaíno ilustre, presidente Lula é homenageado em bandeira da FJV
A torcida vascaína Força Jovem produziu uma bandeira em homenagem ao presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, torcedor ilustre do Gigante da Colina. A bandeira, que pôde ser vista nas arquibancadas de São Jaunário neste sábado (16/01), durante o jogo Vasco 1 x 0 Tigres, pela 1ª rodada do Campeonato Estadual, traz os dizeres "1º Presidente Operário do Brasil" e contém até mesmo uma estrela vermelha, símbolo do PT, partido de Lula.
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Vascaíno ilustre, presidente Lula é homenageado em bandeira da FJV
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Quem sabe não consigo alguns votos para o PT e uns torcedores para o Vascão ...
Marcadores: Lula, Vasco da Gama
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POLÍTICA E ECONOMIA Sábado, 09 de Janeiro de 2010 - 14:30 Presidente Lula sanciona criação da UNILA na terça-feira
Blog do Esmael Morais - O Projeto de Lei que cria a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) será sancionado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima terça-feira, 12 de janeiro de 2010, em solenidade a ser realizada na Sala de Audiências do Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília, às 15h30min. O ministro da Educação, Fernando Haddad, juntamente com o presidente da Comissão de Implantação da UNILA e futuro reitor da instituição, professor Hélgio Trindade, estará recebendo as autoridades acadêmicas e políticas convidadas para a cerimônia.
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Projeto de Oscar Niemeyer para o futuro campus da UNILA em Foz do Iguaçu |
Entre os dias 11 e 12 de janeiro, em Brasília, também será realizada a 13ª e última Reunião da Comissão de Implantação da UNILA. O grupo formado por 13 especialistas, que tomou posse no Ministério da Educação (MEC), em março de 2008, trabalhou conjuntamente na construção do projeto político-pedagógico da futura instituição que visa a cooperação solidária da América Latina, através da formação de recursos humanos, do desenvolvimento de pesquisas e do conhecimento compartilhado.
A UNILA terá uma proposta acadêmica inovadora inter e transdisciplinar, aulas bilíngües (português e espanhol), e a oferta diferenciada de cursos de graduação e pós-graduação que atendam às necessidades atuais e futuras para o desenvolvimento sustentável e a promoção da integração da América Latina. Metade do corpo docente e dos alunos da Universidade será de cidadãos brasileiros, os demais 50% serão provenientes de outros países da Região. A meta da instituição é alcançar 10 mil alunos em cinco anos.
Na primeira etapa de implantação serão oferecidos os seguintes cursos de graduação:
- Sociedade, Estado e Política na América Latina; Relações Internacionais e Integração Regional; História e Direitos Humanos na América Latina; Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar; Economia, Integração e Desenvolvimento; Comunicação, Poder e Mídias Digitais; Ecologia e Biodiversidade, Tecnologia e Engenharia das Energias Renováveis; Engenharia Civil – ênfase em infraestruturas; Gestão Integrada de Recursos Hídricos; Direito Internacional Comparado; Saúde Coletiva; Geografia, Território e Paisagem na Produção do Espaço; Tecnologia e Engenharia das Energias Renováveis; Educação, Tecnologia e Integração; Licenciaturas: Ciências da Natureza, Interculturalidade e Integração, Esporte, Meio Ambiente e Políticas Sociais, Políticas Lingüísticas Latino-Americanas – com distintas ênfases.
Como diriam a Miriam Leitão e o Carlos Sardenberg: "maldito Lula aumentando os gastos com custeio".
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Universidade
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POLÍTICA E ECONOMIA Sexta-feira, 08 de Janeiro de 2010 - 17:34 Vigor do mercado interno impressiona estrangeiros
Alguém estava vivo aqui para lembrar com o Brasil se encontrava após os dois anos de crescimento zero em 97/98? Imaginem só, dois anos de crescimento zero enquanto o mundo crescia, os EUA 4%.
Façam um exercício e comparem com essa recente nota publicada no blog do Guilherme Barros, que agora está no IG:
Como a recuperação da economia mundial em 2010 não vai se dar na velocidade prevista para a economia brasileira, o economista político Alexandre Marinis, da consultoria Mosaico, considera que o País tende a continuar extremamente dependente do mercado interno.
A partir de palestras realizadas recentemente, Alexandre Marinis relata que os estrangeiros ficam impressionados com o fato de a Avon vender mais no Brasil do que nos Estados Unidos ou que a nossa filial da Mercedes Benz venda mais do que a matriz alemã, para ficar apenas com dois exemplos. O vigor do mercado doméstico se reflete em inúmeras outras companhias internacionais.
Como eu ando dizendo por aí, "é o Supermercado estúpido"
Ontem quando a Anfavea anunciou que as vendas de automóveis no Brasil bateram novo recorde, que a produção interna em dezembro cresceu 159% (cento e cinquenta e nove por cento) sobre igual período de 2008, a imprensa preferiu destacar que a balança comercial do setor foi negativa pela primeira vezes em não sei quanto tempo.
De fato é um dado relevante e preocupante sob o ponto de vista das contas externas.
Mas é também animador constatar o aquecimento do mercado interno para um produto, que vamos dizer assim, não é exatamente monopólio dos beneficiários do Bolsa família.
O governo brasileiro não tem controle sobre a demanda interna dos países importadores de nossa produção industrial. América Latina e EUA foram os mais atingidos e não fosse a política de descentralização de nossa política externa, o estrago seria ainda maior.
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POLÍTICA E ECONOMIA Quinta-feira, 07 de Janeiro de 2010 - 18:55 Indústria inicia novo ano em ritmo acelerado
Fabricantes de eletroeletrônicos, itens de vestuário e componentes automotivos ampliam encomendas.
O ano começou aquecido para a indústria de bens de consumo. Fabricantes de eletrodomésticos, eletrônicos, eletroportáteis, itens de vestuário e até componentes para veículos iniciaram o mês com volume significativo de pedidos. Essa é uma clara indicação de que o comércio vendeu bem no último trimestre, virou o ano com estoques baixos e agora está de volta às compras. A expectativa das indústrias de bens de consumo é de que o ritmo das fábricas de dezembro seja mantido neste mês, podendo até superá-lo.
A Whirlpool, líder do setor de geladeiras, fogões e máquinas de lavar, encerrou o ano com aumento de 20% nas vendas na comparação com 2008. "Há indicações de que 2010 começou com essa mesma taxa de crescimento, com tendência até de ser maior", diz o diretor de vendas, Sérgio Leme.
O bom momento da indústria no início de 2010 é explicado, segundo Leme, pelas tradicionais megapromoções do comércio de eletrodomésticos neste mês, pelas condições favoráveis de emprego, renda e crédito, e pelo término da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para esses itens, previsto para o fim de janeiro. O fim do incentivo pode suscitar a formação de estoques preventivos no varejo.
O quadro é semelhante para os eletrônicos que contam com um fator extra para impulsionar as vendas de TVs no primeiro semestre: a Copa do Mundo. A LG, por exemplo, começou 2010 com crescimento de 35% a 40% nos volumes de aparelhos faturados em relação a igual período de 2009. Isso significa alta de 15% a 20% ante dezembro, calcula o diretor comercial da empresa, Roberto Barboza. Segundo ele, o ritmo de vendas é tão intenso que não há possibilidade de formação de estoques de TVs de tela fina (plasma e LCD). "O movimento das lojas continua e janeiro será tão bom quanto dezembro", prevê.
A demanda do comércio por eletroportáteis também é intensa. A fábrica da Mondial em Camaçari (BA) não teve férias coletivas na virada do ano e trabalha sem parar. Os pedidos de ventiladores e dos eletroportáteis tradicionais (liquidificadores e batedeiras, por exemplo) estão neste mês 30% e 15% maiores do que no mesmo período de 2009. "Descontada a sazonalidade, estamos mantendo o ritmo de produção do último trimestre", compara o diretor comercial, Giovanni Cardoso.
Na Honeywell, que produz turbo para motores a diesel de picapes, caminhões e ônibus, o ano começou aquecido. José Rubens Vicari, diretor da companhia, afirma que encerrou 2009 com 100% dos pedidos para janeiro, resultado inédito para a companhia. "Normalmente, esse índice varia entre 70% e 80%", ressalta. Pelo volume de encomendas, as vendas deste mês devem superar as de dezembro. No mês passado, foram faturadas 16 mil unidades e a perspectiva para este mês é de 18 mil unidades.
Já a indústria do vestuário espera forte reposição de estoques do varejo para o fim deste mês. "Nesta época, as lojas estão ainda fazendo o balanço", diz Ronald Masijah, presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de São Paulo. (Márcia De Chiara)
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POLÍTICA E ECONOMIA Terça-feira, 05 de Janeiro de 2010 - 16:13 Consumo não recua e garante reposição forte
Valor Econômico - O consumo continuou aquecido após o Natal e em todo o país as vendas de dezembro superaram, entre 5% e 20%, o movimento de igual mês de 2008. Para garantir as vendas de janeiro e fevereiro, e também as tradicionais liquidações, os lojistas já começaram os pedidos de reposição. Em algumas redes, como a Berlanda, de Santa Catarina, os pedidos para janeiro estão 30% superiores aos de igual período do ano passado. Para lojistas, o bom fim de ano e o Natal que não terminou no dia 25 de dezembro vão garantir um forte ritmo de atividade no início de 2010.
Segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o comércio cresceu 5% no mês passado, sobre dezembro de 2008. Segundo o presidente da ACSP, Alencar Burti, há "uma aceleração nos últimos meses, quando os efeitos da crise começaram a ser revertidos", apontando para um 2010 ainda mais aquecido.
O comércio varejista em Minas Gerais registrou crescimento de 7% em dezembro de 2009, na comparação com o mesmo período no ano passado, segundo avaliação da Associação Comercial de Minas (AC Minas), que congrega os empresários do setor na região metropolitana de Belo Horizonte. [...]
[...] Em Minas, a demanda reprimida pela crise econômica global era tanta que não houve desaceleração significativa nos dias imediatamente seguintes ao feriado de Natal. "As vendas se mantiveram com o mesmo aumento proporcional na semana posterior ao Natal, geralmente destinada à troca de presentes. Isto nos faz prever um janeiro de estoques baixos, sem liquidações, sobretudo em equipamentos eletrônicos de sala, cozinha e lavanderia", disse Claudia.
Na rede MM, uma das maiores varejistas do Paraná, não foram feitas compras de mercadorias de janeiro a março de 2009, porque as vendas do primeiro trimestre do ano passado "foram terríveis", conforme define o superintendente da empresa, Marcio Pauliki. Mas o otimismo para o início de 2010 é grande. "Já estamos comprando produtos para reposição", conta o empresário, que tem como meta crescer 35% no ano, número bem superior aos 2% do ano passado. [...]
[...] A Associação Comercial do Paraná ainda não possui levantamento das vendas realizadas após o Natal. De 1º a 25 de dezembro, houve crescimento de 7,6% na comparação com igual período do ano anterior nas consultas para vendas no crediário ou com cheques. As compras feitas com dinheiro ou cartão de crédito não entram na estatística.
Gilson Bogo, diretor comercial da rede Berlanda, com lojas de linha branca e móveis em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, diz que as encomendas para reposição de produtos a partir de 10 de janeiro deverão ser 30% maiores do que no mesmo período do ano anterior. A animação para as mercadorias que serão vendidas em fevereiro, segundo ele, tem relação com o desempenho durante o fim do ano.
A Berlanda teve vendas de Natal 15,7% superiores às do mesmo período do ano passado e tem pretensão de crescer cerca de 30% em 2010. Segundo Bogo, após o Natal, as vendas continuaram fortes, assim como ocorreu no ano anterior. Mesmo com vendas mais acentuadas, sobraram mercadorias e a Berlanda vai queimar estoques com a realização de um dia de liquidação total das lojas ainda em janeiro, como costuma fazer todos os anos. [...]
[...] Em Pernambuco, a Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife informou que as vendas de fim de ano superaram a expectativa de um crescimento entre 13% e 15% sobre 2008. De acordo com o presidente da entidade, Silvio Vasconcelos, os negócios cresceram 17% em relação ao exercício anterior. O grupo varejista Jurandir Pires, de Pernambuco, experimentou uma expansão de 20% nas vendas, quando comparadas ao fim de 2008. De acordo com o diretor da empresa, Fábio Pires, o movimento continuou forte após a virada do ano. "Parece que ainda é Natal", disse. [...]
[...] No Ceará, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza, Freitas Cordeiro, informou que as vendas de fim de ano cresceram entre 11% e 12% em relação a 2008, desempenho que ficou dentro das projeções. Teve destaque no mercado cearense o segmento de eletroeletrônicos, cujas vendas avançaram mais de 25%. Cordeiro acredita que o movimento ainda continuará forte por mais dois meses, potencializado pela presença dos turistas no Estado. "A temporada do turismo favorece bastante o comércio dos setores têxtil e de calçados", explicou o dirigente. (Vanessa Jurgenfeld, Marli Lima, Murillo Camarotto e César Felício)
Leia a matéria completa no site do Valor Econômico
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MEIO AMBIENTE Terça-feira, 05 de Janeiro de 2010 - 16:02 Biodiesel com mistura B5 restringe importações e emissões, diz ANP
Reuters - O Brasil deverá economizar cerca de US$ 1,4 bilhão por ano com a elevação do percentual de mistura de biodiesel no diesel para 5% (B5), que entrou em vigor em 1º de janeiro. O cálculo, divulgado ontem, é da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Até 31 de dezembro de 2009, o Brasil usava o B4, com 4% de biodiesel.
Estudo realizado pela ANP no fim do ano passado indicou, ainda, que cada litro da nova mistura também diminui em 3% a emissão de gás carbônico na atmosfera, além de reduzir a emissão de material particulado.
A ANP promoveu em novembro o primeiro leilão para atender à demanda que será gerada pelo B5. Foram adquiridos 575 milhões de litros de biodiesel pela Petrobras e pela refinaria Alberto Pasqualini (Refap), controlada pela estatal. Em 2009, a produção nacional de biodiesel chegou a 1,291 bilhão de litros, de acordo com a ANP.
Etanol: Empresas retomam projetos paralisados - A volta da oferta de crédito nos últimos meses ajudou na retomada de alguns projetos de usinas que estavam ou em ritmo muito lento ou suspensos. Somente no Centro-Sul, quatro usinas novas, das 23 previstas, postergaram a inauguração da moagem para o ciclo 2010/11 por falta de recursos, segundo a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). Essa recuperação também oferta novo fôlego às indústrias de base do setor.
"A paralisação de projetos foi muito ruim. Em muitos casos, já tínhamos executado de 50% a 60% do trabalho quando chegou a suspensão. Essa retomada agora é muio bem-vinda", diz Antônio Carlos Christiano, diretor-presidente da Sermatec.
Depois de não conseguir inaugurar sua usina no prazo original, em julho de 2009, a Bioenergética Vale do Paracatu (Bevap), localizada na cidade mineira de mesmo nome, acelerou as obras no fim do ano passado, após o primeiro desembolso, em outubro, de um financiamento aprovado em março de 2009 pelo BNDES.
"Antes de o recurso chegar mantivemos um ritmo lento, mas não paramos", diz o diretor-superintendente da Bevap, Rubsmar Germino. A previsão agora é de inaugurar a unidade em abril de 2010, quando se pretende moer metade da capacidade instalada, portanto, 1,5 milhão de toneladas de cana-de-açúcar.
A Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco) também acelerou no fim do ano os projetos das usinas de Alto Taquari (MT) e de Morro Vermelho (GO). "A previsão era inaugurar as duas unidades no segundo semestre de 2009, mas não conseguimos concluir os projetos. Os sócios fizeram no fim do ano passado um aporte de R$ 380 milhões e, agora a previsão é inaugurar as duas usinas no próximo ciclo", diz Rogério Manso, vice-presidente da Brenco.
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POLÍTICA E ECONOMIA Domingo, 03 de Janeiro de 2010 - 21:33 Crescimento da renda gera revolução de consumo no interior do País
No sertão baiano, agora tem moto e frango congelado
O Estado de S.Paulo - O termômetro marcava 42 graus no início de uma tarde de dezembro no distrito de Gonçalo, o mais populoso do município de Caém (BA), a 330 quilômetros de Salvador, no sertão baiano. A maioria dos quase 3 mil moradores escondia-se em suas casas para fugir do calor. O ambiente hostil, porém, não desestimulou um grupo de vendedores de consórcio de uma concessionária de motocicletas do município vizinho de Jacobina. Eles atravessaram uma estrada de terra para satisfazer o novo sonho de consumo dos habitantes do povoado. As bicicletas, ainda o principal meio de transporte no distrito, pouco a pouco estão sendo deixadas de lado e trocadas pelas motos. "A promessa de vendas compensa o esforço", justifica Manoel Vitor, um dos vendedores.
A cena é nova e reflete uma pequena revolução em curso no sertão baiano. É em locais como Gonçalo - que ainda desconhece o asfalto e tampouco recebe sinal de telefonia celular - que se percebe mais facilmente o impacto do crescimento de renda das populações mais carentes. Os seguidos aumentos do salário mínimo acima da inflação, o acesso facilitado a empréstimos, em especial os consignados, e o fortalecimento de programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, são apontados como os desencadeadores das mudanças.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social, praticamente todas as famílias de Caém (3.135) foram cadastradas como de baixa renda (renda familiar per capita menor ou igual a meio salário mínimo). Mais da metade delas recebiam o Bolsa Família.
Até recentemente, Gonçalo não passava de um conjunto de casas pobres, todas térreas e coladas umas às outras, habitadas por trabalhadores rurais. A população era abastecida por dois mercadinhos. Itens mais "nobres", como remédios e material de construção, só em Caém, quando não apenas em Jacobina ou Salvador. "A gente não sabia o que era um frango congelado ou uma calabresa. Nem conseguia comprar roupas", lembra o comerciante Amilton de Queiroz Souza, de 35 anos. "O que se consumia era, basicamente, o que era produzido aqui."
O panorama tem mudado rapidamente. Souza, por exemplo, montou a primeira loja de material de construção do local há cinco anos, hoje emprega duas pessoas - está em busca de uma terceira - e fatura entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por mês.
Com o tempo, abriu ainda uma farmácia, que começará a funcionar em breve também como posto bancário.
Irmão de Souza, Angelo Marcos de Queiroz, 37 anos, está há 15 à frente de um dos mercados pioneiros na cidade, que leva seu sobrenome. Em meados de dezembro, deixou de lado o imóvel antigo, que mais parecia um boteco de beira de estrada, para inaugurar um novo estabelecimento, já assemelhado aos supermercados de cidades maiores. "Temos de modernizar, porque todo mundo melhorou de vida e já consegue comparar nosso comércio ao de outros lugares", conta. De acordo com ele, o faturamento da loja é duas vezes maior que há cinco anos.
Moradores, como a sorridente aposentada Alaíde Dias da Silva, de 64 anos, vão com cada vez mais frequência à loja. "Compro mais porque a aposentadoria está maior", diz. "Já passei por muito aperto nesta vida, mas agora consigo pagar as contas e comprar coisas, para mim e para meu filho."
Em um local carente de quase tudo, o campo é grande para ser desbravado pelos empreendedores locais. Nos últimos tempos, Gonçalo ganhou uma loja de eletrodomésticos, duas de roupas, duas lan houses e uma de informática, montada graças à popularidade dos pontos de acesso público à internet.
E a matéria termina com um velho mito, que o jornalista Tiago Décimo, infelizmente, nem tenta desfazer.
Proprietário do maior mercado de Gonçalo, Angelo Matos de Queiroz é muito cético em relação a programas como o Bolsa Família. "Claro que ajuda a circular dinheiro, mas cria um problema: ninguém mais quer saber de trabalhar", afirma. "Tenho vaga em aberto e estou perdendo funcionários. Eu contratava um rapaz na minha panificação que sabia o trabalho, mas não queria fazer, porque preferia receber esse negócio aí."
Não custaria muito ao jornalista perguntar ao comerciante de quanto era o salário que ele estava oferecendo para a vaga que não consegue preencher. Ainda é complicado para mim acreditar que alguém possa trocar um salário mínimo que seja, pelos benefícios do Bolsa família, que, na melhor das hipóteses, chega a ¼ do SM.
Mas se mesmo um senador pode afirmar que os garçons de seu restaurante preferido trocaram a carteira assinada pela boa vida do Bolsa Família, quem sabe o comerciante de Gonçalo tenha razão.
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MÚSICA Sexta-feira, 01 de Janeiro de 2010 - 20:55 É sempre bom relembrar em ano novo e de eleição
Sou classe média, Max Gonzaga
Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio "coletivos"
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mais eu "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no "jardins"
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida
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Classe Média,
Max Gonzaga
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POLÍTICA E ECONOMIA Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009 - 23:14 Para Eliezer Batista, 'O Engenheiro do Brasil', a Vale deveria servir de instrumento para o desenvolvimento do Brasil
Documentário 'Eliezer Batista - O Engenheiro do Brasil' traz bastidores importantes sobre a privatização da Vale e ainda ajuda a mapear o DNA do bilionário Eike Batista
Revista Exame - [...] O ponto mais alto do filme é a discussão sobre a privatização da Vale. Apesar de ter a mineradora como um de seus patrocinadores e de contar com depoimentos bastante elogiosos do presidente da empresa, Roger Agnelli, o documentário não deixou de colocar o dedo nessa ferida - que ainda não cicatrizou totalmente 12 anos após o leilão. Assim como já havia declarado Eike em entrevistas recentes, Eliezer também defende que a Vale, além de buscar o lucro, sirva de instrumento para o desenvolvimento do Brasil. Mas ele vai além e não esconde sua convicção de que a decisão do governo Fernando Henrique Cardoso de vender a mineradora teria sido equivocada.
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A Estrada de Ferro Carajás. Construída com dificuldades logísticas no meio da selva, quanto custou essa obra de infraestrutura para o Brasil? |
Em uma reunião com o então presidente antes da privatização, Raphael de Almeida Magalhães, amigo de Eliezer, diz ter aconselhado FHC a desistir porque a Vale poderia ser o instrumento do governo para resolver os problemas de logística do país. Com a geração de caixa da mina de Carajás, a maior do mundo, com capacidade de produção de 100 milhões de toneladas de minério ao ano, a Vale poderia viabilizar a construção das obras necessárias para reduzir o custo Brasil. Segundo Magalhães, FHC teria levado adiante o plano de leiloar a mineradora com a justificativa de que era necessário convencer os investidores da seriedade de seu programa de privatizações.
É óbvio que vender um bem estatal tão valioso quanto a Vale apenas por uma questão de credibilidade seria estupidez. FHC não comenta diretamente a afirmação. Diz apenas que tomou a decisão mais adequada para o Brasil naquele momento e descarta a precipitação nas privatizações, citando empresas que se mantiveram sob o controle estatal em seu governo. "Poderíamos ter privatizado a Petrobras, mas eu não permiti que isso acontecesse."
De qualquer forma, quem assiste ao filme sai do cinema com a convicção sobre a necessidade de diminuir a presença do Estado na economia um pouco abalada. O controle da Vale foi vendido por 3,33 bilhões de reais - um preço ínfimo sob qualquer ângulo de análise. Hoje o lucro da mineradora em apenas três meses costuma ser superior ao valor desembolsado pelo consórcio formado por BNDES, fundos de pensão, CSN, Opportunity e NationsBank para arrematá-la.
No entanto, é impossível afirmar que, sob a tutela estatal, a Vale teria resultados próximos aos apresentados atualmente. Privatizada, a mineradora cresceu exponencialmente, gerou riquezas, contratou funcionários e passou a pagar muito mais impostos.
Leia a matéria completa no site do Revista Exame
Eu não sou dos que acreditam na viabilidade da reestatização da Vale do Rio Doce. Apostar na quebra de contratos hoje traria mais problemas que soluções, mas pelos motivos apresentados na matéria e por muitos outros mais, não há como negar que a venda da Vale foi um crime de lesa pátria.
E não adianta, como tenta mostrar o jornalista João Sandrini, alegar a suposta eficiência da administração privada. A verdade é que a história da Vale do Rio Doce privada se confunde mais com o vigor da economia chinesa e o salto no preço do minério, que com a eficiência de seus controladores.
O fato é que governos após governos, as estatais foram dilapidadas para cobrir déficits fiscais irresponsáveis ou como meros instrumentos de controle de preços. Que eram mal administradas, instrumento de da pior politicagem, não há dúvida.
Muitas soluções poderiam ser encontradas para a Vale, antes de se pensar em privatização. E não escreve aqui um 'estatista juramentado'. Defendi a privatização das siderúrgicas e das empresas de telefonia entre outras de menor importância. Não acredito no estado 'produtor', mas indutor, que saiba e tenha compromisso em ocupar espaços abandonados pelo setor privado.
Mas se a Vale do Rio Doce pode ser vendida como uma prova da eficiência privada, o que dizer da Petrobras? Seria mesmo exemplo para o país uma empresa mineradora exportadora de commodities e importadora de navios? Os críticos da nossa pauta de exportações excessivamente concentrada em produtos primários, curiosamente se esquecem da Vale.
Ela deveria ter sido transformada em um instrumento de parceiras público-privada, que focassem no desenvolvimento regional e na agregação de valor. Nunca alienando as riquezas minerais que são de todos nós.
Resumindo, repito, 'a Vale deveria servir de instrumento para o desenvolvimento do Brasil'. É o que tem tentado fazer o presidente Lula, cobrando de seus acionistas um compromisso maior com o país. Algum resultado pode ser verificado, com o anúncio da construção de alguns projetos siderúrgicos, no Pará, Ceará e mesmo no Rio de Janeiro.
Será que José Serra, o maior incentivador da privatização da empresa, segundo depoimento recente do ex-presidente FHC, manteria essa pressão?
Acredito que o caminho necessariamente passa pela força de seus principais acionistas, os Fundos de Pensão e não por uma traumática reestatização. Quem viver, verá.
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